segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ano Anormal




Últimas de 2009

Epílogo Epilético

Logo,sem mais preâmbulos
Antes da preguiça
Precipitado à fleuma
Uma flecha precisa
Que fecha o prélio
Ao feérico predominante
Férias ao prego
Martelei tanto o marasmo
Frequente querer
Desejo quimérico
A quilose para te oscular
Cobiça condicional
O clima condiciona o comportamento humano
Sempre frio
Arrefecido para arrematar
Ou arribar
Arrivismo que arrebata
Ainda não se condicionou aquele ambiente
Nunca regrar
Talvez tento um arrítmico
Arrojo de um arrufo.
 

sábado, 19 de dezembro de 2009

Sarau na Pinacoteca HOJE!!!!


Quadrático

Olhos cúbicos
Ausência Triangular
Invoco Pirâmides
Prisco pensar
Decerto deserto
Escrevo seu nome na areia
A miragem e inevitável
Quero Quéops
Questiono Quéfren
Minucio Miquerinos
Decifro o enigma da esfinge
Esclareço a Esfera
Parca geometria
Genal com expressão
Auto-retrato
Dentadura para Monalisa
Lisa Autonomia
Autêntico sentimento
Autígeno devaneio.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Versos submersos


Marítimo

Pélago Pelado
Padejo meu desejo
Pejo bracejo
Badejo pescado
Alastra seu rastro
Astro no mastro arrasta
Plêiade casta
Plectro mesclado com o lastro
Sem enjôo umedeceram
Lançar âncora
Ânfora com cânfora
Os peixes beberam
Toda água do aquário
Pinga água da tormeira
Escorre óleo no Oceano sem beira
Escoa sangue do sicário
O sangue com água
Até parece groselha no labelo
Groelândia sofre com o degelo
O frio não atenua
Marujo traduz o marulho
Maújo como entulho imprestável
Enferrujo enfim no viável
Enxugo um caramujo fulvo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Blecaute particular


No escuro estulto
Depois de um crepúsculo fulvo
Ele ou ela surpreende mesmo sem estímulo
Andrógino com androfobia que insulto
Andróide que eu escuto
Andorinha reclusa que eu açulo
Presa em uma andrômeda que eu engulo
Vulto vultuoso
Vulto que sepulto
Vulto de luto
Pela morte de meu regozijo nulo
Mesmo sem pulso
Vive dentro de mim quando coagulo
Nasceu de uma neblina que mergulho
Quando eu sentia um remorso insulso
Refletido e escuso no espelho como reduto
Ocluso no brilho tênue que consulto
De meu olhar ingênuo que desembrulho
Quando quebro seu casulo
Separando em partes o vínculo
Que nós uniu em um crepúsculo.

sábado, 7 de novembro de 2009

Espaço Esparso2


O murídeo livre
Não controla mais a posição do cursor na tela
Se o autor não controla os próprios impulsos
Abusa da liberdade
Licensioso silêncio
O meu fungar rapé
Que a NASA detecta
Não é diferente
De um foguete em ignição
Primeiro roedor em Rhos
Planeta plangente
Utópico tópico
Seria clichê
Se não fosse a aliteração
Ali na alínea aliforme
Sou alistridente
Circuntâncias em que alguém se acha.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia de Finados



Terminal

Sinto que meu fim está próximo
Logo o epílogo
Epiódia que arrogo
Insto com rogos que comprimo
O epíploon afunda
Se junta a epiderme do corpo
Antigo epidêmico anticorpo
Não se confunda
Epícrise do achaque sem cura
A epífora dilata o dilúvio do artista
O epipigma não epista
A luxação depois da epilepsia insegura
Fratura a fragura epitética
Epistaxe tinge o alvo
O fardo erra o epicrânio
Sai espontâneo
Pela culatra que apalpo
O nó débil da corda
Não estrangulou o pescoço
Ainda ouço o oco
O epizêuxis do calhorda.

sábado, 24 de outubro de 2009

Evitar Levitar


Gravidade zero
Sob a penumbra
De um dendrolite que cubra
As catacumbas do interno
Externo insosso
Seu fóssil ósculo na glabela
É gabela
Reembolso para eu aglosso
Obedeço à obdiplostêmone
Sua oligoposia
Com meu pranto de ardósia
Empederniu-se o sobrenome
Mártir de sua centelha
Obsidiano expilo lapili
Ao refletir seu perfil
Ao pôr os olhos nela
O oftalmóstato
Seu assessor
Difícil acesso
Aceso o aeróstato
O pterocarpo
Quando tudo é insípido
Contesta a gravidade do que eu digo
Período acarpo
Se te fruo
Sete portas fecham
As dores se exacerbam
Frustro
Perdido em gaias
Na restinga de suas ancas
Não resta uma só esperança
Sinto exéquias.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Deserto, decerto!


Fogo Fátuo

As dunas do deserto do Atacama
Fazem-me lembrar seu pomo
Côncavo de um lado cômodo
Convexo do outro à paisana
O suor escorre em seu lombo
Entre suas coxas a flama
Onanismo sem drama
Desplumo o ombro
Despoetizar é preciso
Loa não remunerado pelo ego
Lobrigar o lôbrego
Lóbulo impreciso
Olorum ignoto
Protege os cactos
E os espinhos
Acupuntura para o zigoto
Troco um esqui
Por um escafandro
De vez em quando
Expulsando o que obstrui
Abrando com o abraço
Entreviam-se às vezes
Ao longe se desfez
Uma silhueta sem contato.

domingo, 18 de outubro de 2009

Cálido+Calado=Calmaria


Combustão Espontânea

Não vês que ardo?
Estou em ebulição
Um gêiser embuço
Artifício ardil
Externo árido
Exílio deste necrotério
Regresso ao feérico
Desdém ao frígido
Através da acusma
Ouço sua voz
O que compôs
Esparso como carusma
Sou áscua
Cresto sua ascuma
Formo espuma
Quando você sua
Ígneo resguardo
Por sua meia-lua
Crescente dentro de mim na fissura
Solicito o petardo
Solícita com o estopim
Por ser celígena
Cefeida pequena
Plêiade em meu jardim
Não reflita
Cresto a cerviz
Quase gris
Fora de órbita
Ao te flanquear flamífero
Você flavípede torpedo
Depois de caminhar no febo
Deixa um rastro florífero
Descubro a origem de seu brilho
Quão bela sizígia
Apresenta-se remígia
Abriga meu rastilho
Operação rescaldo
Humana hulha
Única fagulha
Pelo seu unilateral respaldo.

domingo, 11 de outubro de 2009

Inverno Prolongado...Poema Branco



Dúvidas até no subtítulo...

Ecos do écran

E o poema se fez do cal
Eclodiu calado
Calabreado iletrado
Talvez por calaça
Por falta de faculdades
Calamidades
Teve o aval da avalanche
Sem chance com as grades
O écran albicole
Recôndito do alarido
Multicolorido gemido
Falta descontrole
No calabouço literal
Encéfalo encelado
Encena o ensejo
Ensimesmo insocial
Alforriado pelo infinito
Continua exato
Chato
Candidato ao abstrato não dito
Todo mérito ao alvanel
O alvo alveja
Antes que a pupila veja
Veleja na cela do celofane.

sábado, 19 de setembro de 2009

Estação Escrita 2


Primavera Suicida

Uma tulipa brota
No túmulo do brado
Seu barco
Singra entre uma ilhota
Sangra na popa
Popa que não poupou-me
De um sofrimento implume
Solidão algoz galopa
Entre mortos e feridos
Entre agiotas
Entre gaivotas
À procura da carniça dos sentidos
Ela invoca
Com um kyrie antagônico
O antártico agônico
Seu Deus abjeto adoça
Percebeu a hipocrisia
A tulipa ressuscitou o aedo
Átimo aéreo
Que só dormia
Com ajuda de um tsé-tsé
Que agora oscila
No ocaso de sua pupila
Sem sandice.

sábado, 22 de agosto de 2009

VIAGEM POÉTICA


Por ausência de reciprocidade
Por causa de uma válvula
O trem descarrilou
Nem uma vária
Sequer um suelto
Por causa do sueto
Cessou o sudoeste
A sueca
Tirou o suéter
O maquinista dorme em um Vapuã
O marasmo domina os instintos
Adiou a viagem
Para Valáquia
Imóvel no Vale
Sem o vapular férreo
Ouvia-se o vagido
Tudo agora é vaporável
Tudo agora é vápido
Antes rápido
A paisagem não muda.

domingo, 16 de agosto de 2009

Descrição de Imagem 4




Vouyerismo

Primeiro a blusa
Depois a calça
A alça do sutiã
Sútil se não fosse o sutache
Nunca acertava o cabide
Derradeira peruca
Após a dentadura
Noite áquea
Sonhos de náufraga
Exíguo Aquerôntico
Regozijo imerjo
Obscuro sorriso de Mona Lisa
O olho de vidro
Agora sei
Porque não pisca para mim
Tirou tudo mesmo
Pleno strip-tease.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Medicina Alternativa



O Paciente

Frases franzinas
No frasco o asco
Declaração na bula
Bulha de sentimentos
Confundo meu mouse óptico com um Ovni
Aturo a fratura
Ruptura na leitura
Rasura do raso
Sem sutura
Sem anestesia
Negar a anemia
Em anexo o sem nexo
Sinto e nem sofro
Soturna soror que não sorria
Preparava a extrema-unção
Enquanto o soro caia
Tênue teoria
Para o boçal não entender
Para a boca não proferir
Ferir o boato
Sua ternura
Para brunir buril
Palavras sãs
A cura.

domingo, 2 de agosto de 2009

Plágio de mim mesmo



Paradoxal

Difícil parar a dor com sal
Ou com parche
O praxe atual é disfarce
Para uma situação paradoxal
Esqualo esquálido
Engoli surfista paranóico na neblina
Que brunia os paralelepípedos com parafina
Sub-rotina que consolido
Pare de tentar me persuadir com sua paramimia
Já tenho parábola formada sobre o parálico
Estou parálio
Onde exacerba minha paralisia
Já me acostumei com seus paráclases
Quando parasito
Na sua paranóia que sinto
Gravito nas preliminares
Quando o paralelo
Se eleva na altura do torso
Remoto remorso
Parável duelo.

sábado, 11 de julho de 2009

Manifesto Surrealista


Neres de neres
Estou de greve
Por causa da Gestapo poética
Tapo Apo
Estou ápode
No apogeu
Sem apoio
Caio a ponto de cair a qualquer hora
Geento
Confundiram-me com geladeira
Gemo como a porta que se abriu
A gema
Não sustenta
Quando eu estava doente
Deram-me gelatina
Rangia os dentes
A porta rangia
Objeto inanimado
Inapto mas cheio de grima
Por inânias
A inácia inalterável.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Manuel Bandeira


Minha Homenagem a Manuel Bandeira
Paraty não e aqui

CONFISSÃO

Se não a vejo e o espírito a afigura,
Cresce este meu desejo de hora em hora...
Cuido dizer-lhe o amor que me tortura,
O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.

Cuido contar-lhe o mal, pedir-lhe a cura...
Abrir-lhe o incerto coração que chora,
Mostrar-lhe o fundo intacto de ternura,
Agora embravecida e mansa agora...

E é num arroubo em que a alma desfalece
De sonhá-la prendada e casta e clara,
Que eu, em minha miséria, absorto a aguardo...

Mas ela chega, e toda me parece
Tão acima de mim...tão linda e rara...
Que hesito, balbucio e me acobardo.

Manuel Bandeira


Isso e nada e a mesma coisa

Derrepente derretido
Derrepente como se fosse um repente
Desapareço sem seu apreço
Em um eco seu
Um já vai tarde
Que você disse com os olhos
Agora na minha ausência
Decifra-me enquanto ainda te fustigo
Resquícios do brilho de ódio do meu olhar
Luz viva e cintilante de um fogo maligno
Rancor profundo e duradouro
De um vulcão vulpino
Em erupção quase estouro
Lava que lava minha alma
Que cai sob a forma de gotas
Mágoa que te acalma
Pálidas lágrimas incandensentes
Feridas escondidas em rimas
Incógnitas incolores te incomodam?
Quando não existe qualquer tipo de reciprocidade
O que eu sinto não te interessa
Por isso minto com seriedade
Como se fosse uma verdade que confessa
Que olvidei você ouvindo Jazz
Escusa neste vazio sensorial
Entre devaneios insanos
Ressurjo das cinzas como uma fênix
E para sua tristeza
Infelizmente ainda estou vivo
Felizmente eu sinto tudo
Amor eu não sinto.

sábado, 27 de junho de 2009

Tragédia antecipada

POESIA NÃO PRECISA DISSO,QUANDO É BOA BRILHA POR SI PRÓPRIA!




Paracusia

Med.Zumbido nos ouvidos. Estado de quem ouve ruídos imaginários ou que só existem no interior do ouvido.


Estou parálio
Onde ecoam ornejos paranóicos
Retrocesso paralítico
O estigma de um paradigma doentio
Açoite de rio como prasmo
A paramimia do parasita
Paralisa o raciocínio utopista
Paragem no marasmo
Paracletear é necessário
Quando o jerico é pravo
Sua paráclase eu agravo
Neste paralelo arredio
Prândio interrompido
Paralelepípedo no pára-quedas
Parem de paradear com regras
Pratiquem o desmedido
Meu paradoxo
É um paragoge
Neste páramo que sofre
Parafrenia que esboço
Que um parasselênio
Ilumine este paraíso
Parajá que purifique o improviso
Para ti deixo arsênio.

domingo, 21 de junho de 2009

Visão poética

Nistagmo



movimentos rápidos e involuntários do olho


Não tenho muita opção
Para a esquerda o esquife
Para a direita o dilúvio do recife
O eflúvio opaco
Está de permeio
No ártico a escara
Deve haver algum meio de escapar
Do austral com anseio
No oriente
Um orifício de origem do cais
Estreito até demais
Contraio a lente
Sinto as cores do arco-íris que não vejo
Oclusão intestinal
No ocidente incorporal
Pupilas se contraem no relampejo
Seguiu-se ao temporal
Uma queda de temperatura
Baqueio na abertura
Preito báquico sazonal
As falhas seguiram-se da falta de atenção
Atento ao hiperbóreo absorvido
Coso o ouvido
Na porta que se fecha com atença
Ouço sua voz
Sem descoser
Sua pose
A fímbria do seu vestido em nós
Descortino você ao longe sentido
As curvas do teu corpo
A uva no copo
Sua luva de cetim
A aurora boreal não e a mesma
Este labirinto causa labirintite
Antes da artrite
Antes da quaresma
Exibo uma alegria artificial
A tristeza seguiu a decepção
Quase decepo
O coração glacial
O efeito segue a causa
Sigo o cortejo
O córtex e cortesia do desejo
Que faz uma pausa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Música Inspiradora 2


Beatles I Am the Walrus
Eu Sou A Morsa

Eu sou ele como você é ele como você sou eu e nós estamos todos juntos
Veja como eles correm como porcos de uma arma, veja como eles voam
Eu estou chorando.

Sentado num floco de cereal, esperando a van chegar
Camiseta de corporação, maldita estúpida Terça-feira.
Cara, você é um menino pervertido, você deixa seu rosto aumentar.

Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais
Eu sou a morsa, bom bom bom trabalho.

O Sr. Policial da cidade está sentado
Belos guardinhas em fila.
Veja como eles voam como Lucy no céu veja como eles correm,
Estou chorando, Estou chorando.
Estou chorando, Estou chorando.

Creme de matéria amarelada, pingando dos olhos de um cachorro morto.
Esposa do caçador de caranguejo, sacerdotisas pornográficas
Menino, você tem sido uma garota pervertida
Você abaixa sua calcinha

Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais
Eu sou a morsa, bom bom bom trabalho.

Sentado num jardim Inglês esperando o sol.
Se o sol não vier, você fica bronzeado
De ficar debaixo duma chuva inglesa.

Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais
Eu sou a morsa,bom bom bom trabalho.

Escritores especialistas, fumantes sufocando,
Você não acha que o bobo da corte sorri para você?
Veja como eles sorriem como porcos num chiqueiro,
Veja como eles debocham.
Estou chorando.

Sardinha de semolina, escalando a Torre Eiffel.
Um pinguim elementar, cantando Hari Krishna
Cara, você devia ter visto eles chutando Edgar Allan Poe

Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais
Eu sou a morsa, bom bom bom trabalho.

Balípodo

Difícil ser sério
Quando onze intelectuais
Chutam a cabeça de Edgar Allan Poe
Põe o alanhado com as gardênias
Muitas cabeças
Muitas idéias divergentes
Difícil ser sério
Diante o sereno
Ser serelepe
Seriemas confundiram-me com um esquilo
Meesmo de esqui
O equivoco prevalece
A neve não vai ser meu esquife
Um esquimó me ajuda
Seu iglu é ignorado
Não sou ignípede
Apenas ignívomo
Quando ingiro bromo
Bromar é preciso
Quando omar e para as morsas
O pomar para os roedores
A ferrugem roeu os metais
E a morsa fixada à bancada
Não comprime
Mais os comprimidos
A dor rói a alma
Sou triste quando em ti penso.

domingo, 7 de junho de 2009

MITOLOGIA GREGA



Épico

Iam pelos Andes errantes à sondagem
Iam içar Ícaro
Avidez aviltante
Avios de fogo
Como uma aviculária
Expert em avicultura
Avocou-o à vida
Avoca a si poderes que não tem
Avulsão da alma
A alma é volátil
Chega antes
Belisca o obelisco
Conquista a consciência
Sem consciência das própias limitações
Depois é óbice
Que alma é essa,ao qual até os ventos obedecem?
Nada obedecia à lei da gravidade
Não se deve obedecer aos impulsos cegos do coração.

sábado, 6 de junho de 2009

Inverno antecipado


Cenologia

Cefeu não rutila mais
Oponente do poente
Antes que despenque
Mordi o pó sem ais
Pode me dizer onde é Geena?
Geia sem cessar
Em meu quarto à beça
Com o beiço faço cena
Pois já estou sem cabeça
Decapitado por um decano
Décadas de decadência de fulano
Sem fulcro a revessa
Ainda pulcro
Meu sepulcro singelo
Não suporta o cerebelo
Devaneios que inculco
Pululam com o pulso fraco
Minha tafofobia concretiza-se
Minha teníase ia-se
Com o opaco
De uma frase
Ergueram um cenotáfio
Epitáfio empáfio
Quase êxtase.


Algo Álgido
Para me aquecer por dentro
Quando sua ausência incomoda
Este vão que me escondi
Me acomoda
Sem o aconchego meigo
De seu sorriso indeciso
Indiferente como um vôo-de-morcego
Displicente apego que preciso
Entre quatro paredes
Muro murcho
Que vede
O verde de seu verbo
Por aqui
Não contém nada
Só ar para você arar
Cessou de chover lá fora
Afogou o fogo que rogo
Volte e me solte
Sou refém da solidão.

domingo, 31 de maio de 2009

Big Ben 150 anos



Intencional

Ouvia quase tudo
Não estou em Londres
Mas ouço um Big Ben descortês
Paracusia com conteúdo
Anuncia um outro Big Bang
Depois do bangue-bangue
Aumenta o serviço do bangüê
Que conduz miçangas
Um bangalafumenga
Banguela com banga
Fazia tudo à bangu
Como seu capanga capenga
Via quase tudo
Via vias
Via veias
O sangue mudo
Um piano
Incidi do último pavimento do edifício
Incidi o vazio
Ao se incindir do minuano
A transmissão da via-láctea
Por via Embratel
Embarga o tropel
A via-sacra na gleba
Chove
Pombas e outros pássaros
Nos fios elétricos
Sem choque
Guarda-chuvas abrem-se contra os ventos
E os alados
Erram os vertebrados
Com seus excrementos
Preparados para o imprevisto da cidade
O lado humano da dúvida
As qualidades intrínsecas da avenida
Circunstâncias alheias à minha vontade.

sábado, 30 de maio de 2009

Victor Hugo



O Sepulcro e a Rosa

O sepulcro diz à rosa
Que fazes tu flor mimosa
Do orvalho da alva manhã?
Diz a rosa à sepultura:
Que fazes feia negrura
de tanta forma louça?
Negra tumba, segue a rosa
Eu, dessa água preciosa
Faço aroma que é só meu.
Diz-lhe a tumba com afago
De cada corpo que trago
Ressurge um anjo no céu.

Victor Hugo

Tulipáceo

A morte procura analogia
Entre uma tulipa
Que floresce entre um túmulo
Não encontra
Apenas faz tundas
Com sua túnica negra
Encobria suas pétalas
Depois com sua foice
A ceifa
A tulipa reagiu contra
Com suas folhas lanceoladas
Baldo respaldo
Apétala combina
Para a morte só interessava
O convulso
Seu bulbo
Com alcalóides termoestáveis
E cristais de oxalato de cálcio
Manipulados liberam um pó
Que pode provocar
Conjuntivite coniviente
Rinite que rima com o rijo
Fantasmas com asma.

sábado, 16 de maio de 2009

Van Gogh




Monobafia

Vápida glosa crisálida
Durante o breu
Perdeu cefeu
Até palêmon pálida
Agonizante algólida
Luzida para lúcifer
Obliterada para o recife
Fúlgida para o lupanar da avenida
Fugida para o fulvo
O jalne que entra pela janela
Deixa-me xantóptero até a canela
Flavípede sem andar no febo avulso
Icterocéfalo
Não conseguia pensar em mais nada
Além da alvorada
Aquém ao crisalho
Absorto no campo de heliantos
Podia ver-se nas amarelas
Heliose e outras balelas
O valor do vão dos cantos
Luctíssonos de uma elegia
Mais caros que ouro
Pechisbeque fosco
Provocam a ototomia
No betesga
Pura xantopsia ao plácido
Sem meu beneplácito
Belida bege.

"Após a experiência dos ataques repetidos, convém-me a humildade. Assim pois: paciência. Sofrer sem se queixar é a única lição que se deve aprender nesta vida."

Vincent van Gogh

terça-feira, 5 de maio de 2009

Música Inspiradora


Chão de Giz
Zé Ramalho

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentada
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...

No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...

Pleonasmos de palavras inúteis

Para que humilhar-se por nada
Embaixo esse embaraço
Embebido em seu suor
Não evito o envolvente
Quando há no solo
Um coeficiente variável de folhas caídas
É sua fonética que humifica o solo
Aritmética não são só números
Nesta aridez sou arigó contra distâncias
Onde a gramática nasce da grama
Vi com estes olhos
Um pleorama que se desfaz
Desço para baixo
Apenas pleonasmos
Talvez venham a ser
Algo mais que verbos
Algo mais que vírgulas em sua virilha
Não se usa pausa
Entre o sujeito e o desejo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Espaço Esparso





Quase uma miragem no Espaço

Suas últimas palavras ecoam no silêncio da madrugada
E as estrelas não recitam mais poesias em aramaico
Desde a semana passada
Quando impudico
Na ausência completa de ruídos
Tento ouvir mais você
Para traduzir os hieróglifos
Que as estrelas deixaram entre as nuvens agridoce
E não vai ser mais impossível
Atravessar os obstáculos dessa meada de difícil desenredo
Desse seu dédalo ultra-sensível
Que você me deixou com ciúmes e medo
Da solidão invisível
Que me arremata por bagatelas
Em uma hasta
Me permuta por estrelas
Depois me arrasta
Para fora de sua cela
Me deixa mais perdido ainda
E com dor de canela
Quando brinda por estar na berlinda
Talvez seguindo sem seus ósculos
As sombras dos espíritos aflitos que você amou
Eu encontre você em algum lugar sem ululos
Quando sou
Dias sem crepúsculos
Noites sem estrelas
Separados por essa apatia de abafar por dentro
Os próprios sentimentos e devaneios
Quando me concentro em paralelas
Para ficarmos presos a órbita da Lua com enleios
Quando esquenta por dentro em aquarelas
Acalma com chá de coentro
Antes de tentar comê-las
No alarido de um epicentro
Desprotegidas estrelas
Seriamos então astronautas
Perdidos no Espaço Sideral
Sem metas ou pautas
Sem noção alguma de como voltar para casa habitual
Antes das estrelas e planetas hipotéticos
Invadirem nossa casa pelo telhado crivado
Por cupins impudicos
Assumir indevidamente pelas portas e janelas que por descuidado
Nós esquecemos de fechar
E espalharem nossas poesias abstratas quando aclarado
Não vamos mais estar
Insensivelmente afastados com enfado.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Persistência da Memória - Salvador Dali




Ampulheta

As horas se esvaem
Até o vestido tem rugas
Desbotado o bordado de tartarugas
Estuga a viagem
E ao mesmo tempo
Que sentia um certo receio pelo futuro
Sentia falta do segundo anterior que apuro
Inseguro comtemplo
Os detalhes da paisagem
Tudo nunca seria o mesmo
Amanhã tudo alternado à esmo
Alterno momentos de estiagem
Com instantes de entusiasmo
É hipocondria
Ao trazer à memória
Quase todo o passado em um espasmo
Eu não era o mesmo que ontem
O ano não era igual
Algumas coisas sumiram no quintal
Sem mais nem menos este desdém
Outras desapareceram por algum motivo
Nem tudo fica guardado na lembrança
E o culpado e o tempo que avança
Não descansa no infinitivo
Lúcia ainda lúcida
Não lembra mais do seu nome
Escolheu um codinome
Para sua alma perdida
É quando eu faço alusão aos relógios
Sempre calculando
Sempre multiplicando
Sem elogios
Um segundo atrás do outro
Não se confundem
Nessa lassitude
Que usufruto
Não se enganam com os zeros
Nem quando ficamos dizendo
Ao seu lado adendo
Diferentes números
Tudo passa
Algumas coisas passam rápido demais
O paquete não para mais no cais
Tudo assa
Outras ficam por fazer
Poesias pela metade
Empresta está sua complexidade?
Resta vir a ser
As árvores demoram para crescer
Algumas nem chegam a dar frutos em nossa época
Não importa a boca
Alguém os comerá com prazer
Alguém irá lembrar de mim
Sempre haverá histórias
Alegrias vazias
Sempre restará um pouco de gim
De bebida nas garrafas
De cinzas no meu esquife
Nos cinzeiros e nos recifes
Escolho esse escolho que me abafa
Quando não está mais na moda
Sentir está dor que acomoda
E safa.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Descrição de Imagem 3



Súbita Subida
Mera meralgia
Mesmo dolicópode
Degringolei do último degrau
Chispas dos chispes
Derradeiro mas derrogador
A degola da derme
O nada me atrai
Seu descaso é outro caso
Há derrisão do nocivo
Normal na próxima curva
Ao norte
Um nódulo górdio
Enrolam-se os fatos
Esféricas miúdas
Como as de Van Gogh
Dobro como um dom
Domável ao dolorífico
Domínio de uma variável
Pararam de jogar dominó
As peças de marfim
Começaram a soltar barritos
Pode ser um dólmen
O âmbito do ambívio
Deixa tudo ambíguo.

domingo, 5 de abril de 2009

Aniversário Anisotrópico



Dores Acerbas

Talvez já esteja morto
Acepipe para larvas e outros insetos
A gripe que se dissipe entre meus restos
Como consolo
O tempo dissipa as mágoas ávidas
Antecipa a antese de uma tulipa
Raticida como comida
Sem despedidas
Da ferida não brota mais pus
Meu sangue estanca rios
E os vazios
Comi-os na meia-luz
Helminto passeia na minha orelha
Térmites saem do meu nariz
Osga sem diretriz
Pitosga de esguelha
Um panapaná como panacéia
Reside em meu estômago
Abside em meu âmago
Escolopendra participa da ceia
Colmeia cresta no colmo
Cresta a plantação depois da geada
Antes que eu adube minha última morada
Não ouço mais o arrolo
Consternado mais constelado
Consta nas evidências
Que o réu e culpado nas elegias
Idílio idiota ignorado
Sem comoção
Como se fosse condensar os confins
Condenar um confuso colibri
Obrigado pela falta de consideração.

Ontem fiz aniversário.

Ansioso, convidei a mim mesmo.
Pensei que não aceitaria, mas aceitei. Pensei que não viria, mas vim. À porta, me vi trajado a rigor, me visto bem, exercito Armanis. Me cumprimentei, teci alguns comentários sobre Rimbaud, o 3- reich e, pasmem, fiquei-me... como me gosto!
Só eu e eu na festa de mim.
Impetuoso, tomei-me logo pelos braços e me levei ao quarto, na vitrola Frank Zappa, mas gostamos mesmo é de Jethro Tull, eu e eu. No quarto, entreguei-me por completo a mim, beijando onde podia e cabia e delineando a entrega do que me tinha, me possuí com completude e vigor.
Me despedi quando já amanhecia e prometi me ligar assim que pudesse. Fui.

Hoje estou sábado.
E me espero ansiosamente.

Muryel de Zoppa

Depois de ler Zoppa vou ouvir Zappa.

domingo, 29 de março de 2009

Estação Escrita




Lugar estratégico

Um abside abriga a solidão sicária
Nada consta no apside agressivo
Ambiente depressivo
Ameaça de guerra diária
Ameaça de ataque cardíaco
Ameaço demiti-lo
Ameaço feri-lo
Quando fraco
Ameaça de uma ameba
Disenteria por causa do fast food
Fastidioso fato fatídico
Pequena pereba
O passo é lasso
Desfaço o laço no desvio
Nó corredio
Laxo neste mormaço
O roto da rota
O asfalto é rijo
Ausência de regozijo
Onde o fino arrota
Com um rostro no seu rosto
A modelo com epilepsia
Miopia mira quem espia
Seu desgosto exposto
Em um layout
Desfila nas marquises
Mostra suas varizes
Depois do nocaute
Depois do rocio
O rossio fica puro
Muro obscuro
Deixa seu rócio
Consistente costume
Consistente estrume que sinto
Ainda sinto seu perfume extinto
Incólume neste negrume
Que outrora outorga o incerto
Um Outono em um outdoor
Outono no mês de de Outubro
Um Outono que mais parece Inverno
Quando tudo parece supérfluo
Preciso de seu beneplácito
Cito o citadino pós-escrito
Que analiza o meu recuo
Opala opaco
Quase me atropela
Quase quebra-costela
Destaco o buraco
A rua agora ladrilhada
Oculta seu rastro
Abstrato emplastro
Seu indício índico na encruzilhada.

domingo, 22 de março de 2009

Pensamento em cores




Bluely

A montante nubivago
Levanto a grimpa
Relativo à pipa
Sem perceber nubicogo
Cianóptero de aspecto plumuliforme
Tomar a nuvem por Juno
Cianocéfalo só pensa em netuno
Neutro porém plumicolo
Ao ciar involuntário
A jusante nubífugo
Estou parálio, não enferrujo
Depois do chape literário
Imerso célere
À tona como isca
Ciar saudosista
Vis á vis do célebre
Ainda nubífero
Em terreno baldio
Indícios do Índico
Cianípede do imerso.

Aquecimento Global




Agonia de um azul denso

Amanhece chovendo
Olhar de soslaio
Ensaio um raio
Atraio papagaios tremendo
Noite glacial
Inércia constante
Silêncio unânime
Estertor visceral
Anil de um vulto
Açoite de rio
A onda desemboca no macio
Meio-dia oculto
O halo no ralo
É mais aprazível
Neste desnível
Abalo sísmico sem estalo
O Sol conservado em formol
Para futura biopsia
Cobaia de experiência
Aquenta sem arrebol
Aquece quando anoitece
Confunde um rouxinol
Desabrocha um girassol
A solidão prevalece
Quando tudo é propenso
Os fantasmas fazem reunião na neblina
O relento me ensina
Palavras ocas contra o senso
Desvendo detalhes do cais
Funerais transcendentais
Convenço o suspenso
Quando todos os defuntos
Parecem sorrir de algo
Apalpo o escalpo
Escapo dos insultos
Testemunha na maca
Morto por uma maça
Antes subtraia maçãs
Inócua não ataca
Agora se sente hostil
Culpada pela morte de alguém
Ninguém intervém
Fóssil sutil
Seu cérebro em putrefação evoluída
Expressa o espesso
Atmosfera densa sem apreço
Primavera suicida
Baixos e altos-relevos
Moldados em gesso
Tundra com tunda no processo
Seu sangue no mangue em sobejos
Ainda posso te ouvir
Seu esqueleto escaleto chora
Cora na aurora
Que consegue te despir

sábado, 21 de março de 2009

NIILISMO



visite o site:http://niilismo.net/

Anonadar

Anoiteço anômalo
Por sua ausência
Indiferença como sentença
Doença no intervalo
Antes da meia-noite
Abscindo um membro
Nem lembro
Do açoite
Acomodatício no fronte
Mutilo os itens supérfluos
Improfícuo flúor
Agora anodonte
Muitos anos taciturno
Sem manifestar o riso
Na trissecção que diviso
Ainda sussurro
Anóleno no vazio
Sem cingir seu corpo
Curvilíneo no dorso
Anorteia eu anfíscio
Fenfém no início da fronteira
O trívio é anfracto
Anódino cacto
Clunâmbulo no fim da beira
O Sol raiou em seguida
Nictêmero pensando em você
Necrose precoce
A solidão é animicida.


Indiferente à tudo

Deixo de existir
Precoce esclerose
Faltou a heutognose
O externo sem reagir
Posso parecer profuso
Quando o prolapso
Mostra um coração lasso
Polirrítmo confuso
Quebrou-se o esterno
Pernas curtas
Asas longas
Os olhos mostram o hesterno
Dizem o que o coração não sente
Depois de mais de uma hebdômada sem ti ver
Hecatombe para corroer
Tudo indiferente
Quando pertencemos a mundos diferentes
Minha órbita sem apodo
Seu orbitelo cômodo
Ocasiona o êxodo dos ausentes
Hesito agir conforme
A hediondez dessa desvirtude
Através da hebetude
Encontro-a disforme
Conforto sem confronto
Talvez você não seja tão insensível
Quando traz a procela do ártico invisível
Para transbordar o probático desse desencontro
Tento defendê-la do invisível
Neste postrídio
Continuo no vácuo inatingido
Seus polícomos me cobrem do excídio.


Niilismo

Expressão exacerbada do materialismo e do positivismo, o niilismo negou toda autoridade ao estado, à igreja e à família.
Niilismo (do latim nihil, "nada") é uma doutrina filosófica e política baseada na negação seja da ordem social estabelecida, seja de todas as formas de esteticismo, assim como na defesa do utilitarismo e do racionalismo científico. Influenciado pelas idéias de Feuerbach, Darwin, Nietzsche, Henry Buckle e Herbert Spencer, o niilismo surgiu na Rússia czarista do século XIX. Segundo Martin Heidegger, o termo foi empregado pela primeira vez em 1799, pelo filósofo alemão Friedrich Heinrich Jacobi. Mais tarde, o romancista russo Ivan Turgueniev o empregou para designar a concepção que, afirmando a existência apenas do que é perceptível pelos sentidos, negava tudo o que se fundamenta na tradição e na autoridade.
O niilismo russo, pregado por Dmitri I. Pisarev, Nikolai A. Dobroliubov, Nikolai G. Tchernitchevski e outros, negava Deus, o espírito, a alma, as idéias, as normas e valores supremos e, quanto a suas origens, deve ser visto como fenômeno religioso. É a negação dogmática do mundo mergulhado no mal e de tudo o que é luxo, arte, metafísica e religião. Tudo deveria concentrar-se na libertação da classe trabalhadora, na luta contra as superstições e preconceitos, idéias e convenções que oprimem o homem e o impedem de ser feliz. O niilismo também foi por muito tempo, no Ocidente, a designação de vários movimentos revolucionários na Rússia, mas estes não foram realmente niilistas -- nem mesmo o anarquismo de Bakunin -- porque sempre acreditaram em soluções futuras para os problemas da humanidade.
Niilismo nietzscheano. Tal como Nietzsche o entendeu, o niilismo tem significação muito mais ampla e profunda. O filósofo não se refere ao niilismo russo ou alemão, mas ao niilismo europeu, ou seja, ocidental. É um movimento ou processo histórico que, de raízes mergulhadas nos séculos anteriores, deverá determinar os séculos futuros. Sua essência consiste na morte de Deus e nas conseqüências dessa morte. O Deus morto é o Deus cristão que, para Nietzsche, representa não só a figura histórica do Cristo, mas o mundo supra-sensível em geral, e os ideais, as normas, os princípios, os fins, os valores que, colocados acima do mundo terreno, lhe davam orientação e sentido.
A negação do mundo supra-sensível e dos valores que o constituem acarreta o esvaziamento do mundo sensível, que se vê privado de consistência e de razão de ser. O niilismo não é, para Nietzsche, a interpretação deste ou daquele espírito, nem um acontecimento histórico semelhante ou comparável a qualquer outro, mas o advento da consciência de que todos os fins e todos os valores que até então davam sentido à vida humana se tornaram caducos.
A libertação, no que diz respeito aos valores até então vigentes, não somente torna possível mas exige o que Nietzsche chama de "transmutação de todos os valores", que não consiste apenas em sua modificação, mas no desaparecimento do "lugar" em que se situavam, quer dizer, do mundo supra-sensível. Concebendo o ser como valor, a metafísica, em Nietzsche, passa a ser uma axiologia, isto é, uma teoria dos valores. Não só os valores tradicionais decaem, como sua necessidade se desloca do mundo supra-sensível para o sensível, princípio a partir do qual se deve definir a nova tábua ou hierarquia de valores.
O niilismo, portanto, tal como Nietzsche o concebe, não consiste apenas na desvalorização dos valores supremos aceitos, pois a ruína desses valores torna urgente a criação de novos valores que os substituam. O niilismo seria a característica desse estádio intermediário, entre o crepúsculo dos deuses antigos e o anúncio do mundo novo, feito à imagem e semelhança do homem.

Enciclopédia de Filosofia

sábado, 14 de março de 2009

Dia de Folga

Descansar, sim, parar, jamais!


Paciência
Lenine
Composição: Lenine e Dudu Falcão

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...

"A arte do descanso é uma parte da arte de trabalhar"
John Steinbeck




Simples assim

Quando o reide terminar
Um pouco de ócio para os ossos
Dê-me um pouco de regozijo
Regras para o regozijo de hoje
Olvidar-te é relativo à sinergia
Fazer das tripas coração
Circunstâncias alheias à minha vontade
Alheio às suas dores
Feriu-se a si próprio
Fibras sintéticas
O sentido místico do armistício
Um trecho trêfego
Para o trépano
Que trinca o devaneio
Devagar agarra-se a uma idéia
O trismo
Turismo no turvo
Incentiva o incerto pestanejar
Tremeluzir
Falando das estrelas.

domingo, 8 de março de 2009

8 de março dia Internacional da Mulher



Mulher seu múnus
É munir
O estro murcho
Como musgo
O músculo tépido
Revigora com o mútuo
Muxoxo musical
Antes o mussitar
Agora mujo
Com um murro
Quebro o muro
O mundo
O município
A mutapa
Que nós separa do múltiplo
Munição para que?
Tenho muque
E o ataúde cheio de musgo
Até no estuque mutável
Sua presença multiforme.

sábado, 7 de março de 2009

Escatológicos

Depois do CAD, Próxima exposição na Casa das Rosas



Ameaça Fecal


Convidaram-no a deixar o recinto
Um clunâmbulo não vira-casaca
Só queria ver o close da cloaca
À exceção dessa claque que invisto
A curadora
Doou o lucro ao indigente
Indigno da elite indecente
Fora do índice que piora
Regresso ao cortiço
Mais apedeuta
A pedido do terapeuta
Impostor exige imposto do enguiço
Estaciono na calçada que estica
Semáforo lânguido sem ego
Deixe-me atravessar o tráfego
Veículos ignoram minha veia artística
Nada tem isto com aquilo
Não dou nada por esse escrito
Escroto parasito
Seu estilo intranqüilo
Despreza a exposição de latrina
O sentinela da sentina nababesca
Ignora a antese pitoresca
Da flor de platina.


Ácopo

O fétido fertiliza o feérico
Fende o féretro
Fenestrado teto
Febo periférico
Ilumina eu acampto
Ilutar ilude
Não sana a ferida da quietude
Quiçá pirilampo
Fragmentos da ampulheta
Faz-me afundar mais na ampula
Amplo Vênus sem vênula
Ampolas na pele de asceta
Férula de angustímano
No fêmur se mantém
Deixa-me fenfém
Em seu férculo desumano
A lêndea sempre fora da lenda
Ferruncho do fetiche
Do seu fel flexível sem crendice
Sua fleuma como oferenda.

domingo, 1 de março de 2009

Recomendo 2

O homem elefante de David Lynch




O homem camelo de Ednei



Cameliforme

De dia, abu
De noite, sonípede
Qualificado quadrúpede
Conduzo o ambé
Leigo em rumo
Acordo nigrípede
Limítrofe a Lua adrede
Cingido de humo
Camenas causam camoeca
Sonambulismo lunar contra ansiedade
Soçobro no Mar da Tranqüilidade
Só sobrou a fubeca
Nado em pranto
De dorso circulo minha própria cova
Formaram-se duas corcovas
Oligoposia por enquanto
Dilação do que dilacera
Dileta dilogia
Quando diluo
Tu és dilobulada quimera.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Descrição de Imagem 2




Fell Fiel

Fala Falange
O tatalar é digital
Digiro gírias
Dia crítico aquele
One and the same
One and only
Abstenho um sinal diacrítico
Por ergofobia
Novo acordo ortográfico
Não acordo e perco o orto
Ressuscito o trema
O trem oxidado
Quando o oxigênio é oxítono
He didn´t lay a finger on her
Fingers que fingem
O pólice policiado
She bite one´s nails
Esmalte dentifrício
Da opilação do tabaco
Opilo sua opinião
Sou o opocéfalo que te óscula.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Crítica Surrealista 2



Entrudo Lúdrico

Carnaval é sinônimo de lixo
Gosto não se discute
Meu desgosto repercurte
Efeméride que eu crucifixo
Essa pândega incomoda meu estro
Meu pâncreas reclama até Julho
Não agüento mais esse barulho
Indigesto para o maestro
Aquele ritmo cansa
Quanta falta de criatividade
Tanta estupidez me espanta
O Carnaval é pífio
Infortúnio sem qualidade
Elogio o silêncio esguio


Batologia

Era uma áspera batologia
Mais mágoas que magnólias na horta,
Mais horta que hortaliças, refiro-me aorta
Sem alfaces
When in all face
I see your face
Logro o átrio
Adro atro de idéias
Mais falecidos que falésias
Refiro-me à falena que abrevio
Breve solilóquio
Quando o Sol é líquido
Heliose que consolido
Liquido um circunlóquio
Que dor e essa que não finda?
Não quaro
Mais dores que quarentena no quarto
Quão quartzo, refiro-me à Quarta-feira de cinzas.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Açoites da Noite



Noite Insípida

Nesta noite insípida
Apeteço por seu corpo etéreo
Apetite aéreo
Apesar do seu descaso que consolida
Aperto no apex
Apétalo por causa do apego
Aperitivo para meu ego
Aperolo sua nudez
O ápice é ápiro no poro
Era apiforme
Sua apícula disforme
Apieda o meteoro
Não machuca o apívoro
É apisto
Para a apirexia que invisto
Aprimoro este descoro
Ainda apióide
Aprisiono seu estímulo
Aproximo seu lóbulo
Aprofundo sem revide
Após o apólogo
Um apóstrofe é aproche
O agridoce é precoce
Sou demagogo
Mesmo áptero
Salto deste aptério
Aptidão sem critério
Quando o crível é sincero.

Algo indefinido

Em oposição à noite absoluta
Abléfaro não durmo
Arregalo os olhos para ver Saturno
Uma reação abrupta
Penumbro na penúria
A penúltima penugem
Faz criar ferrugem
Obra espúria
Corpo neutro
Umbroso através dos poros
Quando choro
Falta um nêutron
Faço germinar um trevo nas trevas
Todas as luzes convergiam para lá
Cintila o cinza na ante-sala
Subcinerício que se eleva
Parece ter alguém no sótão
Ou solto no souto
Talvez outro
Quando há solidão na canalização
Envolto na constelação
Do cassino
Não dá para ver Cassiopéia que defino
Com precisão.

Crítica Surrealista 1




Mudanças Fúteis

A moda molda o mocureiro
Mostra sua indiferença por mim
Sobe a mostarda ao nariz
Mostra-se esnobe o bueiro
Difícil moldar-se às circunstâncias
Mudaram quase tudo
Até o conteúdo
Dilata sua arrogância
Saudades do mofo
Do mosaico modesto
Contesto o indigesto
Insto com rogos
Até o alvanel foi alvacento
Exijo alveitar esse alvará
Antes profiro imprecações contra a apara
Alvaraz no seu assento
Lavara a larvra que altera a palavra?
Procure um alveitar parvo
Para curar o asco
Das poesias da sua lavra
Seu escritório
Deveria ser ao lado do banheiro
Suas personalidades combinam no cheiro
No sentido irrisório.

Para D.C.

DECORAÇÃO NUNCA SERÁ ARTE!

ARQUITETURA É ISSO!


Arquitetura

No mínimo é dendrófobo
Arquitetura no arquipélago
Armíssono agro
Testamento do globo
Falta ar no quintal
Arraigou-se um novo arrabalde
Arranha-céu interrompe o vale
Cessa o arranque ocasional
Da arraia na arraia confusa
A fusa da fusão de dois metais
Abstrai sais
Sacra eclusa
A arraia ignora o arraial
Écbase para a écfora
Quando o ébano na adutora
Eclodi superficial
Seu edema eu trato
Ecbólico ecoante
Como o ecoxupé distante
Do platô
Do Éden ebúrneo
De sua edícula
Sem medula
Seu ecúleo
O edredom não esconde sua edéia
A idéia da ecdise
Não funciona na marquise
Sua efélide na estréia
Edição de bolso
Oculta desoras
Aspas tortas
A éctase que ouço
O hectare édulo
Confundo uma ectlipse
Com um eclipse
Reembolso o crepúsculo.

Arrastão Poético na Paulista hoje!!!!



Frenesi

Presa da pressa
Por pressão das circunstâncias
Indispensável constância
Tropeça à beça
Pressa irrefletida
Lobrigo o lôbrego
Sem sossego
Despedida fétida
Ofego
Não distingue
O íngreme
Do rego
São termos distintos
A ceráunia
O ceráunio
Não devem ser confundidos
Célere cérebro
Crebro cessa
Ainda contesta
O revérbero
Mãos ligeiras
Apalpava alguma coisa a esmo
Em si mesmo
Várias maneiras.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sobras de Sombras



"A modéstia é para o mérito o que as sombras são para um quadro. Dão-lhe forma e relevo"
Autor: Jean de La Bruyère

"Nós que vivemos aqui não somos mais do que fantasmas ou ligeiras sombras"
Autor: Sófocles

"A escrita tem as suas próprias leis de perspectiva, de luz e de sombras, como a pintura e a música. Se nasces com elas, perfeito. Se não, aprende-as. Em seguida, reorganiza as regras à tua maneira"
Autor:Truman Capote

"

Espectro no Espelho

Noites com Sol
Cegueira imitou a luz
Estorvo com arrebol
Que incomoda o sono sonoro que compus
Sinfonia sem sintonia para o Pôr-do-Sol
Acordo com um acordeom que me conduz
Sequaz entre o seu timbre tímido sem bemol
Sustenido de um sussurro de seu pus
Dias com Lua
Seminua me seduz
Calidez calada que recua
Medo do orvalho sem capuz
Sem agasalho quase crua
Comestível como um queijo
Quedo quase vulnerável
Quase quebrou meu queixo
Sensação desagradável
Visão cansada mas sagaz
Sonâmbulo crepúsculo
Observador audaz
De binóculo quando coágulo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Plágio de amigo(a)s1



Sombra

Atrás da casa recordo da árvore,
verdejante chapéu.
No tapete de folhas deitava,
brisa suave, veludo na alma,
sonolento olhar.

Frondoso abrigo
cantos coloridos
refresco amigo
pureza n'alma.

Atrás da casa recordo da árvore.
No chão, deito agora.
Vento forte. Tempo quente.
Fatigante olhar.

Adeus amiga!

Cantos antigos
refresco saudoso
tristeza n'alma.

(Giseli Gobbo, in Risco)

Além

Atrás do casulo
Nada é casual
Uma borboleta
Treina o primeiro adejo
Empresto-lhe minha álula
Para não ires além
Da edícula detrás da mansão
Atrás do ourolo
Divergi da divícia
A dívida
Antes turrígero
E queria te empilchar
Se dúvida
Biguar em meu túmulo
Atrás do tugúrio
Onde desabrocha uma tulipa
Túrgida de túlio
Turrífraga se não for cultivada
Na fraga
O frago
Detrás do circo interditado
Sobras de tromba
À noite ouvia-se barritos
O tugue exonerado
Ainda não es adulta
Pode ires para lá
Se o tufão lhe pegar.