quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Blecaute particular


No escuro estulto
Depois de um crepúsculo fulvo
Ele ou ela surpreende mesmo sem estímulo
Andrógino com androfobia que insulto
Andróide que eu escuto
Andorinha reclusa que eu açulo
Presa em uma andrômeda que eu engulo
Vulto vultuoso
Vulto que sepulto
Vulto de luto
Pela morte de meu regozijo nulo
Mesmo sem pulso
Vive dentro de mim quando coagulo
Nasceu de uma neblina que mergulho
Quando eu sentia um remorso insulso
Refletido e escuso no espelho como reduto
Ocluso no brilho tênue que consulto
De meu olhar ingênuo que desembrulho
Quando quebro seu casulo
Separando em partes o vínculo
Que nós uniu em um crepúsculo.

sábado, 7 de novembro de 2009

Espaço Esparso2


O murídeo livre
Não controla mais a posição do cursor na tela
Se o autor não controla os próprios impulsos
Abusa da liberdade
Licensioso silêncio
O meu fungar rapé
Que a NASA detecta
Não é diferente
De um foguete em ignição
Primeiro roedor em Rhos
Planeta plangente
Utópico tópico
Seria clichê
Se não fosse a aliteração
Ali na alínea aliforme
Sou alistridente
Circuntâncias em que alguém se acha.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia de Finados



Terminal

Sinto que meu fim está próximo
Logo o epílogo
Epiódia que arrogo
Insto com rogos que comprimo
O epíploon afunda
Se junta a epiderme do corpo
Antigo epidêmico anticorpo
Não se confunda
Epícrise do achaque sem cura
A epífora dilata o dilúvio do artista
O epipigma não epista
A luxação depois da epilepsia insegura
Fratura a fragura epitética
Epistaxe tinge o alvo
O fardo erra o epicrânio
Sai espontâneo
Pela culatra que apalpo
O nó débil da corda
Não estrangulou o pescoço
Ainda ouço o oco
O epizêuxis do calhorda.