terça-feira, 1 de novembro de 2011

Inspiração voltou?



Ditadura na biblioteca

É extremamente proibido
Virar as poltronas para as janelas
Elas não são reversíveis?
Não se constroem arquibacandas
Para ver a neblina
O polvo não pode resfestelar-se
A polpa da maçã
Está na maçaneta
Maçante enciclopédia
Na página 69 tinha que ter uma poesia erótica
E um incêndio não é análogo
A um idílio
Quando é incesto
Incisão para controlar a ansiedade
Não consigo embarcar
No reflexo do metrô na janela
Reflorir quando a bílis reflui para o sangue
Parece simples
Mas carrega uma complexidade profunda.

domingo, 7 de agosto de 2011

Claustrofobia



Deve haver vida além da vidraça
Segurança para o segundo
Creio no fim
Para o que nem teve começo
Mesmo fingido
Finca a fístula
Com a vigésima ferida
Aquele vilipêndio
Há de vencer a medida medíocre
Medieval quando o futuro
Fustiga como um fuzil
Estrábico depois do estouro
O alvo e o corvo
Tudo isso é corvéia
Alvíssaras só para minhas vísceras
Sua pele tinha um tom acinzentado
Nada de acinte
Quando o espaço foi reduzido
A virgula no lugar errado
Voa vogal
A estrada parece estrangular distâncias.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Charles Baudelaire


O tonel do Ódio
Charles Baudelaire
O ódio é como o tonel das Danaides perjuras;
Febrilmente, a Vingança, os braços retesados,
Desse vácuo arremessa as solidões escuras,
Baldes cheios do pranto e sangue dos finados…

Nesse antro o Diabo fez secretas aberturas,
Por onde, sem cessar, esforços prolongados
Se escoariam…pudesse a Vingança, em diabruras,
Dar vida aos mortos para ainda serem sangrados!

O ódio é um bêbado vil num canto de taverna!
Sempre sentindo mais a sede da bebina,
A se multiplicar, bem como a hidra de Lerna…

Mas, sabe o ébrio feliz O ódio é como o tonel das Danaides perjuras;
Febrilmente, a Vingança, os braços retesados,
Desse vácuo arremessa as solidões escuras,
Baldes cheios do pranto e sangue dos finados…

Nesse antro o Diabo fez secretas aberturas,
Por onde, sem cessar, esforços prolongados
Se escoariam…pudesse a Vingança, em diabruras,
Dar vida aos mortos para ainda serem sangrados!

O ódio é um bêbado vil num canto de taverna!
Sempre sentindo mais a sede da bebina,
A se multiplicar, bem como a hidra de Lerna…

Mas, sabe o ébrio feliz quem o traz subjugado;
Enquanto o ódio é coagido a esta sorte, na vida,
De não poder, jamais, dormir embebedado!
quem o traz subjugado;

trad.: Álvaro Reis


Essa Depois Dessa

Hora Extra

Espero o desespero
O monumento pede um momento
Este pigmalionismo
Seria normal
Se não fosse a pidalgia
Este azáfama
Seria célebre
Se não fosse célere
Nenhum massagista para a faixa de pedestre
Estas azaléias estariam mais belas
Se fosse Primavera
Se não fosse a poluição
Se não fosse o florífago
As flores de plástico morrem com a chuva ácida
A janela do último pavimento
Sempre suja
Aprende a chorar
Não lembra Suiça
Sequer as moscas
Lembrar-se-ão Moscou
No balde o sangue de Baudelaire
Não recorda França
A fraga seria frágil
E eu franco.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

EU VOLTEI!



Galardão para a dor

Gardênias para gálea que fez perder o galeio
A bengala não é de bengali
O calo
Calóptero
A enxaqueca enxerga a enxerga
Quão enchamboado
Aeróstato
O galerno para a garça pós-ciclone
Se delgado delibera delírios de lírios
Liposo para disfarçar lágrimas
No esgoto como chorume
Chourem esgrouviado
Mesmo assim tento fazer algo que não chame a atenção
Hoje não vai chover no molhado
Pode ficar tranquila
Que não transbordo
E seu açude
Piscina.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Chape Literário

O chapéu no cabide nos remetia ao passado,seria eu muito saudosista?preocupado com o futuro?

Ictiologia

Desfilava cheio de ângulos
O desfiladeiro imaniza chispes
Chistes por causa da laringite
Ontem brami por você
Chispei como peixe fora da água
Mágoa que poceia as magnólias
Agora tudo diflui
Não pise em meus cogumelos!
Ela posou para uma foto
A analógica não peiou a foz
Só o ananaseiro
A digital não mostrou sua dignidade
Dilacerou o distilo
Grãos transgênicos não podiam mais ser exportados
E eu tinha que exibir algo à clientela
Como uma alínea não alivia
Então entalho o entardecer
Alimento para os cupins
Hoje chirrio
E o chitau te substitui.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Melhor continuar na hibernação


Delíquios

Sincopado mas sincero
Prefixo positivo
Tardou a dar o sim
Precoce talvez
Negação já é clichê
Nem a luz nem a sombra
Néon nemoral
Um eflúvio
Sobre o próprio vômito
Submerso
Para tudo ficar subentendido
Volutabro tábido
Esterquilínios entre um estertor
Estéreo do esterno que rompe
Compele a pele
Mais um flebo ilaqueado
Com o raiar do febo
Antes solífugo
Ilhargas igual a ilha
Atol sobre a vértebra atlas
Através do átrio
Frágeis ilécebras
Resistentes a tanta quizila
Não precisa-se de muito para perder a noção do tempo.