sábado, 18 de novembro de 2017

Imbrífero


                                                         
AGONIAS DA MEMÓRIA
André Carneiro 


Emoção é dor por dentro, 
a palavra é bisturi 
que relembra. 
Filme, foto, 
nem fita grava 
são a lágrima 
do momento. 
A emoção renasce 
o poema finge o agora, 
a ficção imita o sentimento, 
é brilho da estrela caindo. 
Narro um presente fictício, 
busco o silêncio da noite seca, 
lembrança enterrada no calendário. 
Esse momento é estranho, 
a caneta derrapa, 
descrevo o ontem 
com letras dedicadas 
aos olhos alheios. 
Estátuas perfeitas têm sangue de mármore, 
o pênis rígido atrás da folha imóvel, 
não importa a coxa morna 
da adolescente em êxtase. 
Vivo do antes para agora,
fatos, anseios, tiro de trás para fora. 
Não descrevo segundos do relógio, 
E se morro de surpresa 
não conto as agonias 
da memória.



Compilação

Ninguém se importa
Se uma gota de chuva
Com vontade de ser lágrima 
Vai destruir um polén na janela
Que deixa tudo cróceo
Como se o alor tivesse valor
Como polé
Castigo para o cistugo que evoca a noite
Ninguém vai protegê-lo
Abrindo um guarda-chuva
Pode ser um cogumelo
A alergia é regalia para o inodoro
A alegria não faz parte desse contexto
Um aparte seria falar de você
Fiz esta poesia só com sobras
Sombras de outrora
Desconheço aquele que segue
Anti-Antlia
Detalhes são importantes.

                                    Ednei P.Rodrigues

Glossário:

Polé-Roldana.
Mecanismo para infligir a estrapada.
[Figurado] Qualquer coisa que aflige ou atormenta.
Dar tratos de polé, afligir, atormentar.
cistugo-espécie de morcego
Segue 1 é uma pequena galáxia satélite em órbita da Via Láctea.


Plano


Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos, que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Nuno Júdice, “Poesia Reunida”

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Girafas em meu sonho lílas


PATRIMÔNIO
Adalgisa Nery

Pesam nos meus ossos
Os meus pensamentos,
Choram nos meus olhos
As visões neles crescidas,
Soluçam no torpor das minhas carnes
Ancestrais desalentos.

Sangram os meus pés
Na inútil andança
Da imaginação liberta,
Pulveriza o meu espírito
A solidão do suicida ignorado
E cresce assustadoramente dentro de mim
A calmaria que precede o fim.


Fardo

Carrego do êxtase
Bejel não é bege
Talvez o lirismo,Lilás
Em busca do monocromático
Deparei-me com o lúrido
A disfunção erétil de tudo
Outrora era mastro
Lânguida Langonha
Quase lagoa
O Lácar é acral 
Singrar o copo sem pretensão
Copose de escopo
Zingrar o Rangipo
Vidro Viril
Viêgas de Tálassa
Grau de parentesco com a grua
Para içar a inércia
Inépcia do movimento retilíneo
Igualar ao aígue
A desídia sucumbi o verso
Mandria para dimanar.

                           Ednei P.Rodrigues


Glossário:
Lácar: É um lago de origem glacial na província de Neuquén, Argentina. Fica na cordilheira dos Andes, a 630 m de altitude.
acral:Que é relativo ou pertencente às extremidades ou as afeta.
Tálassa:na mitologia grega, a deusa do mar, filha de Éter e Hemera. Ela era a personificação feminina.

ABUNDÂNCIA

Há tanto fel provado
Na palavra escondida,
Tanto abismo no âmago do nada
Gritando o repetido estancado.
Há tanta perspectiva consumida
Em ventos e distâncias
Marcando lúcidos apelos
À gravidez da madrugada,
Há tanto ódio no hálito dos gestos,
Tanto desafio no silêncio ignorado
Nutrido em fétidos restos,
Há tanto sonho novo em quem morre
No compacto de sombras diluídas,
Tanta surpresa em luz e cor
Flutuando no futuro que se descobre,
Há tanto mistério puro no pecado,
Tanta mágoa na canção alegre.
Há tanta contextura
No fundo das águas cristalinas,
Tanta podridão
Alimentando a raiz da carne pura,
Tantas contemplações nos olhos cegos!

 ADALGISA NERY
 Erosão, 1973 



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Desejos Vãos




Paisagem


Desejei-te pinheiro à beira-mar 
para fixar o teu perfil exato. 
Desejei-te encerrada num retrato 
para poder-te contemplar. 
Desejei que tu fosses sombra e folhas 
no limite sereno dessa praia. 
E desejei: «Que nada me distraia 
dos horizontes que tu olhas!» 
Mas frágil e humano grão de areia 
não me detive à tua sombra esguia. 
(Insatisfeito, um corpo rodopia 
na solidão que te rodeia.) 


David Mourão-Ferreira, "A Secreta Viagem"




Anne Leek 


Vontade de ser poldra
Ulna análogo Ulmo
Ancôneo como âncora
Vontade de ser pirâmide 
Amplexo com o fêmur
Abráquia que abrange o abrasante
Amparo para o Ampato
Sipe do Siple
Acepipe do urente
Sundo de Sundoro
Semeou o Semeru Seminu
Meralgia com o afago à Merapi
Socompa à socapa para o sicoma
Tudo isso,não evita a erupção 
Tíbia para enganar a solidão
Simular afeto na simptose
Fíbula burla a inércia
Usar a sura para estugar o estupor.


                                 Ednei P.Rodrigues


Glossário:
Poldra-polvo ainda pequeno
Ulna- osso medial do antebraço
Ulmo-aparência comum de algumas árvores 
ancôneo-osso triangular pertencente ao cotovelo
abraquia-Ausência congênita dos braços
Ampato- é um vulcão que se localiza no sul do Peru
sipe-grupo de parentesco baseado na linha materna ou paterna
Siple-é um vulcão  potencialmente ativo na Antártida.
Sundoro- vulcão
Semeru- vulcão na ilha de Java na província de Java Oriental
Merapi- Vulcão localizado na ilha indonésia de Java. 
Socompa- Vulcão situado na fronteira noroeste da Argentina .
simptose-debilidade ou enfraquecimento do corpo, de uma das suas partes ou de um órgão.
sura-panturrilha


    no obscuro desejo,
no incerto silêncio,
nos vagares repetidos,
na súbita canção

que nasce como a sombra
do dia agonizante,
quando empalidece
o exterior das coisas,

e quando não se sabe
se por dentro adormecem
ou vacilam, e quando
se prefere não chegar

a sabê-lo, a não ser,
pressentindo-as, ainda
um momento, na aresta
indizível do lusco-fusco.

Vasco Graça Moura, "Antologia dos Sessenta Anos"

sábado, 23 de setembro de 2017

Mais do Mesmo


A tarada num carro


Eu não minto
Eu invento
E se tomo vinho tinto
Logo me esquento!
Quando sinto,
Eu tento.
Percorro o labirinto,
Busco o vento.
Arranco o teu cinto,
Deixo-te sedento
Aí vejo o teu pinto
E sento!

                                                         Ana C. Pozza



Continuação


Encontra conforto no erétil
Análogo ao Manaslu
Idêntico ao ctenídio
A evolução foi ser híbrido
Faz a erepsina
Diástase de dia
Diástole de noite
Verter à Vertência
Nem tudo sai pelo vertedouro
Vértebras&lágrimas versus o vertical
Seu parentesco com colima
Deixa que se colida
Não se importa com a cólica
Era colendo até certo ponto
A coleorrexia foi cortesia
Demonstra que tudo foi intenso
Veeme do veemente
Assumo a culpa
Mesmo consensual tem excesso.

                           Ednei P.Rodrigues                           

Glossário:

Manaslu:(também conhecido como Kutang) é a oitava montanha mais alta do mundo. Está localizada na cordilheira do Himalaia. Seu nome deriva da palavra Manasa, que em sânscrito significa a montanha do espírito.
ctenídio:
Órgão branquial primitivo de um molusco, que se assemelha a um pente ou pena; tem uma haste principal com lamelas laterais e se desenvolveu do lado interno
erepsina:
Diástase do intestino delgado
Diástase:
Enzima encontrada em sementes em germinação e em certas secreções e tecidos animais.
Diástole:
Movimento de dilatação do coração e das artérias.
Vertência:
Decurso do tempo.
Colima:
O vulcão de Colima é o mais ativo dos vulcões mexicanos, com mais de 40 erupções registadas desde 1576 Situa-se no complexo vulcânico de Colima do qual faz também parte o Nevado de Colima. O seu ponto mais elevado encontra-se a 3850 metros de altitude.
colendo: 
Venerável, respeitável.
coleorrexia:
Rotura da vagina.
Veeme:
Espécie de tribunal secreto que existia na Alemanha, na Idade Média.



Vertentes


As palavras esperam o sono
e a música do sangue sobre as pedras corre
a primeira treva surge
o primeiro não a primeira quebra

A terra em teus braços é grande
o teu centro desenvolve-se como um ouvido
a noite cresce uma estrela vive
uma respiração na sombra o calor das árvores

Há um olhar que entra pelas paredes da terra
sem lâmpadas cresce esta luz de sombra
começo a entender o silêncio sem tempo
a torre extática que se alarga

A plenitude animal é o interior de uma boca
um grande orvalho puro como um olhar

Deslizo no teu dorso sou a mão do teu seio
sou o teu lábio e a coxa da tua coxa
sou nos teus dedos toda a redondez do meu corpo
sou a sombra que conhece a luz que a submerge

A luz que sobe entre
as gargantas agrestes
deste cair na treva
abre as vertentes onde
a água cai sem tempo

António Ramos Rosa 

sábado, 2 de setembro de 2017

Surrealismo erótico


Panteísmo



Tarde de brasa a arder, sol de verão 
Cingindo, voluptuoso, o horizonte... 
Sinto-me luz e cor, ritmo e clarão 
Dum verso triunfal de Anacreonte! 



Vejo-me asa no ar, erva no chão, 
Oiço-me gota de água a rir, na fonte, 
E a curva altiva e dura do Marão 
É o meu corpo transformado em monte! 



E de bruços na terra penso e cismo 
Que, neste meu ardente panteísmo 
Nos meus sentidos postos e absortos 



Nas coisas luminosas deste mundo, 
A minha alma é o túmulo profundo 
Onde dormem, sorrindo, os deuses mortos! 


Florbela Espanca, "Charneca em Flor"

 Flor Raflésia

Libração da Libido em equilíbrio instável

P/Luciana do Valle

Cartografia do Êxtase

Do ranine ao cérvix
Ampola sem Pálamo
Vontade de ser Fênix
A utopia cabe no tálamo
Enlevo coevo
Há coexistência com o cofator
A ptialina de Arion
Devagar,não quero atalhos
Muitos são os percalços até o peritônio
A varapa da patela 
Musala de Musa
Saliva delineava delírios
Uma dialogia diagonal para o cálamo
Rafe da Raflésia
Loxodromia no Lomedro
Quando o itinerário é ité
Trajeto que trajo como Tilma
Vontade de ser cacto
Para sua acufagia.

                             Ednei P.Rodrigues

Glossário:
Ranine-As veias linguais começam no dorso, lados e superfície inferior da língua, e, passando por trás junto do trajeto da artéria lingual, termina na veia jugular interna.
A veia comitante do nervo hipoglosso (veia 'ranine'), um ramo de tamanho considerável, começa abaixo da ponta da língua, e pode se unir à veia lingual; geralmente, entretanto, ela passa por trás do hioglosso, e se une à comum da face.
cérvix-(cérvice ou colo do útero) é a porção inferior e estreita do útero, quando ele se une com a porção final superior da vagina.
Ampola-Partindo do ovário para o útero, a tuba uterina é subdividida em quatro partes: infundíbulo, ampola, istmo e porção uterina (na parede do útero).
Pálamo-Membrana existente entre os dedos de algumas aves, répteis e mamíferos.
Tálamo-leito conjugal
ptialina-A Amilase Salivar (ou ptialina) é uma enzima da saliva que, em pH neutro ou ligeiramente alcalino, digere parcialmente o amido e converte-o em maltose. É na boca, com a ptialina da saliva, que começa a digestão química dos polissacarídeos ingeridos.
Arion- é um género de gastrópode da família Arionidae(lesma).
peritônio:Membrana serosa que reveste a cavidade do abdômen (peritônio parietal) e os órgãos que nele se encontram (peritônio visceral).
Mussala-é a mais alta montanha da Bulgária e de toda a península Balcânica, atingindo no topo os 2925 m (9.596 ft). Faz parte da cordilheira Rila.
varapa-o mesmo que escalada.
Rafe-Linha ou crista de junção de duas partes homólogas.
Loxodromia-Linha de navegação, que corta todos os meridianos, sob o mesmo ângulo, e que, nas cartas marítimas, é representada por uma linha reta.
Curva, traçada na superfície de uma esfera, cortando todos os meridianos, sob o mesmo ângulo.
Lomedro-A parte da coxa, que fica por cima do joelho.
ité-Que não tem sabor; insípido. 2 Adstringente (fruta).
tilma-é um tecido tradicionalmente indígena dos povos pré-colombianos de pouca qualidade feito a partir do cacto agave maguey.


    Todos os caminhos me servem.
Em todos serei o ébrio
cabeceando nas esquinas.
Uma rua deserta e o hálito
das pessoas que se escondem,
uma rua deserta e um rafeiro
por companheiro.

Ó mar que me sacode os cabelos
que mulher alguma beijou,
lágrimas que os meus olhos vertem
no suor dos lagares,
que uma onda vos misture
e vos leve a morrer
numa praia ignorada.


Fernando Namora, "Mar de Sargaços"  

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Cerejeiras em flor

    hoje à noite avistei sobre a folha de papel 
o dragão em celuloide da infância 
escuro como o interior polposo das cerejas 
antigo como a insónia dos meus trinta e cinco anos... 


dantes eu conseguia esconder-me nas paisagens 
podia beber a umidade aérea do musgo 
derramar sangue nos dedos magoados 
foi há muito tempo 
quando corria pelas ruas sem saber ler nem escrever 
o mundo reduzia-se a um berlinde 
e as mãos eram pequenas 
desvendavam os noturnos segredos dos pinhais 



não quero mais perceber as palavras nem os corpos 
deixou de me pertencer o choro longínquo das pedras 
prossigo caminho com estes ossos cor de malva 
som a som o vegetal silêncio sílaba a sílaba o abandono 
desta obra que fica por construir... o receio 
de abrir os olhos e as rosas não estarem onde as sonhei 
e teu rosto ter desaparecido no fundo do mar 



ficou-me esta mão com sua sombra de terra 
sobre o papel branco... como é louca esta mão 
tentando aparar a tristeza antiga das lágrimas 


Al Berto,"'O Medo'"   


Prelúdio Monocromático

Rêmiges ao invéns de pétalas
Vontade de ser flamingo
Learn to fly
Talante do Tálamo
Um pouco de amatol para a ignição
Agnição do vazio 
Agonia está ocorrendo dentro do planejado
Tudo para manter as aparências
Exigência tácita do exício
Premeditado para premir
Premissas de algo
Premunir-se do fracasso
Premura que empurra para o abismo
Lugar sem Lufar
O caos é contra a energia eólica
Se fosse cráton
Iria ter um motivo 
Pretexto para o texto.

                   Ednei P. Rodrigues

Glossário:
amatol- Explosivo composto de nitrato de amônio e trinitrotolueno.
Agnição-conhecer
exício-perdição,ruína,morte.
cráton-São unidades geológicas bastante antigas, tendo se mantido relativamente estáveis por no mínimo 500 milhões de anos. Por estabilidade entende-se que estes se mantiveram preservados e foram pouco afetados por processos tectônicos de separação e amalgamação de continentes ao longo da história geológica do planeta.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%A1ton 


    O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.

É o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.

Os acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las
na já longínqua noção
de descrevê-las.

E essa própria noção é só
uma saudade que se desvanece
na poesia. Pura intenção
de cantar o que não conhece.

Natália Correia

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A outra face



    Cantarei versos de pedras.

Não quero palavras débeis
para falar do combate.
Só peço palavras duras,
uma linguagem que queime.

Pretendo a verdade pura:
a faca que dilacere,
o tiro que nos perfure,
o raio que nos arrase.

Prefiro o punhal ou foice
às palavras arredias.
Não darei a outra face.

Lara de Lemos, 'Inventário do Medo'



Pareidolia

Septo Aldrin respira o ládano
O estéril aspira o almíscar
Insisto na mesma ideia 
Algo ínsito no vazio
Tenho uma vaga ideia disso
Como se fosse uma continuação
A extensão do achaque 
Quando era para terminar na primeira estrofe
Faltou o astronauta para fincar o lábaro 
Quebrar o etmóide
Esternutação involuntária
Capítulo como capídulo
Poesia sem fim
O vade-mécum não passa pelo cécum 
Pupin na pupila
Pupa com aposirma
Vontade de ser mariposa
Estar em Cidônia
Pujar a Dalaca Tapuja.

                                 Ednei P.Rodrigues

Glossário:

Aldrin&Pupin crateras da Lua.
almíscar-é o nome dado originalmente a um perfume obtido a partir de uma substância do forte odor secretada por uma glândula do cervo-almiscarado de outros animais e também de algumas plantas de odor similar.
etmóide-osso do nariz.
aposirma-Ulceração superficial da pele.
Cidônia-é uma região em Marte. Localiza-se no hemisfério norte do planeta numa zona de transição entre a região sul densamente povoada de crateras e as planícies relativamente homogêneas ao norte.
Dalaca Tapuja: é uma espécie de mariposa da família das Hepialidae. Espécie típica da Colômbia.
Capídulo-Espécie de vestuário, com que os Romanos cobriam a cabeça.
cécum-Forma alatinada de ceco(A primeira parte e a mais grossa do intestino grosso, na qual se abre o intestino delgado).


Tecido

O texto tem sua face 
de avesso na superfície: 
é dia e noite, sintaxe 
do que se pensa, ou se disse. 


Tudo no texto é disfarce, 
ritual de voz e artifício, 
como se tudo falasse 
por si mesmo, na planície. 



Seja por dentro ou por fora, 
seja de lado ou durante, 
o texto é sempre demora: 



o descompasso da escrita 
e da leitura no grande 
intervalo dos sentidos. 


Gilberto Mendonça