sábado, 21 de março de 2009

NIILISMO



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Anonadar

Anoiteço anômalo
Por sua ausência
Indiferença como sentença
Doença no intervalo
Antes da meia-noite
Abscindo um membro
Nem lembro
Do açoite
Acomodatício no fronte
Mutilo os itens supérfluos
Improfícuo flúor
Agora anodonte
Muitos anos taciturno
Sem manifestar o riso
Na trissecção que diviso
Ainda sussurro
Anóleno no vazio
Sem cingir seu corpo
Curvilíneo no dorso
Anorteia eu anfíscio
Fenfém no início da fronteira
O trívio é anfracto
Anódino cacto
Clunâmbulo no fim da beira
O Sol raiou em seguida
Nictêmero pensando em você
Necrose precoce
A solidão é animicida.


Indiferente à tudo

Deixo de existir
Precoce esclerose
Faltou a heutognose
O externo sem reagir
Posso parecer profuso
Quando o prolapso
Mostra um coração lasso
Polirrítmo confuso
Quebrou-se o esterno
Pernas curtas
Asas longas
Os olhos mostram o hesterno
Dizem o que o coração não sente
Depois de mais de uma hebdômada sem ti ver
Hecatombe para corroer
Tudo indiferente
Quando pertencemos a mundos diferentes
Minha órbita sem apodo
Seu orbitelo cômodo
Ocasiona o êxodo dos ausentes
Hesito agir conforme
A hediondez dessa desvirtude
Através da hebetude
Encontro-a disforme
Conforto sem confronto
Talvez você não seja tão insensível
Quando traz a procela do ártico invisível
Para transbordar o probático desse desencontro
Tento defendê-la do invisível
Neste postrídio
Continuo no vácuo inatingido
Seus polícomos me cobrem do excídio.


Niilismo

Expressão exacerbada do materialismo e do positivismo, o niilismo negou toda autoridade ao estado, à igreja e à família.
Niilismo (do latim nihil, "nada") é uma doutrina filosófica e política baseada na negação seja da ordem social estabelecida, seja de todas as formas de esteticismo, assim como na defesa do utilitarismo e do racionalismo científico. Influenciado pelas idéias de Feuerbach, Darwin, Nietzsche, Henry Buckle e Herbert Spencer, o niilismo surgiu na Rússia czarista do século XIX. Segundo Martin Heidegger, o termo foi empregado pela primeira vez em 1799, pelo filósofo alemão Friedrich Heinrich Jacobi. Mais tarde, o romancista russo Ivan Turgueniev o empregou para designar a concepção que, afirmando a existência apenas do que é perceptível pelos sentidos, negava tudo o que se fundamenta na tradição e na autoridade.
O niilismo russo, pregado por Dmitri I. Pisarev, Nikolai A. Dobroliubov, Nikolai G. Tchernitchevski e outros, negava Deus, o espírito, a alma, as idéias, as normas e valores supremos e, quanto a suas origens, deve ser visto como fenômeno religioso. É a negação dogmática do mundo mergulhado no mal e de tudo o que é luxo, arte, metafísica e religião. Tudo deveria concentrar-se na libertação da classe trabalhadora, na luta contra as superstições e preconceitos, idéias e convenções que oprimem o homem e o impedem de ser feliz. O niilismo também foi por muito tempo, no Ocidente, a designação de vários movimentos revolucionários na Rússia, mas estes não foram realmente niilistas -- nem mesmo o anarquismo de Bakunin -- porque sempre acreditaram em soluções futuras para os problemas da humanidade.
Niilismo nietzscheano. Tal como Nietzsche o entendeu, o niilismo tem significação muito mais ampla e profunda. O filósofo não se refere ao niilismo russo ou alemão, mas ao niilismo europeu, ou seja, ocidental. É um movimento ou processo histórico que, de raízes mergulhadas nos séculos anteriores, deverá determinar os séculos futuros. Sua essência consiste na morte de Deus e nas conseqüências dessa morte. O Deus morto é o Deus cristão que, para Nietzsche, representa não só a figura histórica do Cristo, mas o mundo supra-sensível em geral, e os ideais, as normas, os princípios, os fins, os valores que, colocados acima do mundo terreno, lhe davam orientação e sentido.
A negação do mundo supra-sensível e dos valores que o constituem acarreta o esvaziamento do mundo sensível, que se vê privado de consistência e de razão de ser. O niilismo não é, para Nietzsche, a interpretação deste ou daquele espírito, nem um acontecimento histórico semelhante ou comparável a qualquer outro, mas o advento da consciência de que todos os fins e todos os valores que até então davam sentido à vida humana se tornaram caducos.
A libertação, no que diz respeito aos valores até então vigentes, não somente torna possível mas exige o que Nietzsche chama de "transmutação de todos os valores", que não consiste apenas em sua modificação, mas no desaparecimento do "lugar" em que se situavam, quer dizer, do mundo supra-sensível. Concebendo o ser como valor, a metafísica, em Nietzsche, passa a ser uma axiologia, isto é, uma teoria dos valores. Não só os valores tradicionais decaem, como sua necessidade se desloca do mundo supra-sensível para o sensível, princípio a partir do qual se deve definir a nova tábua ou hierarquia de valores.
O niilismo, portanto, tal como Nietzsche o concebe, não consiste apenas na desvalorização dos valores supremos aceitos, pois a ruína desses valores torna urgente a criação de novos valores que os substituam. O niilismo seria a característica desse estádio intermediário, entre o crepúsculo dos deuses antigos e o anúncio do mundo novo, feito à imagem e semelhança do homem.

Enciclopédia de Filosofia

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