domingo, 5 de abril de 2009

Aniversário Anisotrópico



Dores Acerbas

Talvez já esteja morto
Acepipe para larvas e outros insetos
A gripe que se dissipe entre meus restos
Como consolo
O tempo dissipa as mágoas ávidas
Antecipa a antese de uma tulipa
Raticida como comida
Sem despedidas
Da ferida não brota mais pus
Meu sangue estanca rios
E os vazios
Comi-os na meia-luz
Helminto passeia na minha orelha
Térmites saem do meu nariz
Osga sem diretriz
Pitosga de esguelha
Um panapaná como panacéia
Reside em meu estômago
Abside em meu âmago
Escolopendra participa da ceia
Colmeia cresta no colmo
Cresta a plantação depois da geada
Antes que eu adube minha última morada
Não ouço mais o arrolo
Consternado mais constelado
Consta nas evidências
Que o réu e culpado nas elegias
Idílio idiota ignorado
Sem comoção
Como se fosse condensar os confins
Condenar um confuso colibri
Obrigado pela falta de consideração.

Ontem fiz aniversário.

Ansioso, convidei a mim mesmo.
Pensei que não aceitaria, mas aceitei. Pensei que não viria, mas vim. À porta, me vi trajado a rigor, me visto bem, exercito Armanis. Me cumprimentei, teci alguns comentários sobre Rimbaud, o 3- reich e, pasmem, fiquei-me... como me gosto!
Só eu e eu na festa de mim.
Impetuoso, tomei-me logo pelos braços e me levei ao quarto, na vitrola Frank Zappa, mas gostamos mesmo é de Jethro Tull, eu e eu. No quarto, entreguei-me por completo a mim, beijando onde podia e cabia e delineando a entrega do que me tinha, me possuí com completude e vigor.
Me despedi quando já amanhecia e prometi me ligar assim que pudesse. Fui.

Hoje estou sábado.
E me espero ansiosamente.

Muryel de Zoppa

Depois de ler Zoppa vou ouvir Zappa.

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