domingo, 11 de janeiro de 2009

Cemitérios me inspiram




Necrofilia

Luar lúgubre
Denota jactância
Descalço oscilo na vagância
Sobre sua cova rasa insalubre
Terra macia sem pregas
Por causa de meu pranto
Sinto sua ossada em um canto
Seu cóccix faz cócegas
Exumo com a úngula
Logo me acostumo
Dedos delgados sem rumo
Perdidos em sua medula
Incautos orgasmos
Seu ventre venusto
Veste Vênus vetusto
Com espasmos
Excitantes exéquias
Sua enzima me subestima
Cópula com suas rimas
Sem blandícias
Víbora pecadora
Devolva-me o viço
Ganhou na víspora o criso
Minha alma outrora
Outorga o sorriso
Distraída com o ciclo
Às escondidas na adutora
Vibrissas não me deixam sentir seu engodo
Seu aroma
Meu coma
Fiel ao lodo.

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