domingo, 7 de fevereiro de 2010

Depois do Sólido


Líquido Lírico

Componho o insensível
Triste azul invariável
Sua presença instável
É inaudível
O som estava muito alto
De propósito
No infinito que gravito
Ouvindo este contralto
Será que consigo?
Haurir mais um copo
Para um tropo
Esquecer é preciso
Absinto para esse abismo
Que sinto
Quando distraído
Cismo com esse lirismo
Sorvo este café amargo
Depois da carraspana
Falta cana
Os panos sorviam os líquidos derramados.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

SÓLIDA SOLIDÃO:TRAVA-LÍNGUAS




Percalços

Tráfego de traços que trago
Dentro de mim tranco um traspasso
Para traduzir sem transluzir
Seus sentimentos que trajo
Sem trato
Sou um tranquilo transeunte em transe
Deixo você transparente na transversal
Fico rente ao tráfico de tráqueias
Culpa deste tracoma tramposo
Treino a solidão que treme
Dou trela para a solidão trelente
Que tresler um trenodia de minha autoria
Dou trégua para minha angústia de treso
Vejo um trenó em um tremó antigo
Sendo puxado por um trem feito de trema
Sem trelho nem trebelho
Sem trilho nem trilo
Atropela grilos gringros
Como se fosse um triunfo trivial
Atropela a ordem dos fatos
Em um trívio sem triscar
Corta a plantação de trigo de uma tribo
Por um triz não atropela meus devaneios.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Murilo Mendes




Corte transversal do poema
Murilo Mendes

A música do espaço pára, a noite se divide em dois pedaços.
Uma menina grande, morena, que andava na minha cabeça,
fica com um braço de fora.
Alguém anda a construir uma escada pros meus sonhos.
Um anjo cinzento bate as asas
em torno da lâmpada.
Meu pensamento desloca uma perna,
o ouvido esquerdo do céu não ouve a queixa dos namorados.
Eu sou o olho dum marinheiro morto na Índia,
um olho andando, com duas pernas.
O sexo da vizinha espera a noite se dilatar, a força do homem.
A outra metade da noite foge do mundo, empinando os seios.
Só tenho o outro lado da energia,
me dissolvem no tempo que virá, não me lembro mais quem sou.


Dissecação
Ednei Pereira Rodrigues

A corte disse que o corte no córtex foi cortês
Mas o cruor crual foi cruzado
Inútil correr
A corrente é curta
A correnteza surta
Preso ao fundo pela âncora
Para não salpicar a cortina
Netuno apareceu em seu submarino conversível
Fez cortesia com o escafandro
E comprou o neurônio
Que pensava em você
Um corsário
Furtou minhas corricas
Rejuvenesci uns 20 anos
Bilhar com meus olhos
Vertigem bilateral
Ao bilontra sobrou apenas minha bílis
A sífilis para a biltra
Seu corrimento não era suficiente
O bímano queria minha mão
Depois não conseguiu segurar o corrimão
Façam bom proveito
Não preciso mais de nada disso
Evolui.

sábado, 23 de janeiro de 2010

São Paulo 456 anos


Cidade Oculta

Volto para casa
Envolto com a solidão
Aperto o passo desdita
Tento dispresa-la
Não paro nos resvalos
Não sento naquele banco da praça
Onde está o casal que se abraça
Não quero contagia-los
Com minha solidão fugaz
Sequita dos eremitas
Grita quando levita
Sobre mim estás
Ela sempre chega antes
Antes da antese
Cria uma antítese
Espera-me com assoantes
A beira da poeria
Dos livros da estante
A poluição constante
Na dianteira
Dentro de minha morada
Convivo com a sujeira
Resquícios da feira
Invadem depois de uma lufada
Que falta faz um lustre
Uma cachoeira
Em cada esquina açoiteira
Desço está ladeira lacustre
Quando nada preenche está lacuna
Procuro você na Luna
Quando começa este toró
Preciso de uma escuna
Que flutue na escuma
Dessa onda sem cloro
Leito em meu leito
Onde a onda
Desemboca na poltrona
Deixa-me liquefeito.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Niilismo 2



Oportunismo

Nada mudou desde ontem
E o que se aproveita
É inútil ao sentido
O óbvio adquiri forma
Devaneios cambiantes
Sob o pretexto do inevitável
O óbvio vem a calhar
Tomou coragem e disse o que queria
Sem metáforas
A rotina do devaneio
Quais são as suas pretensões?
Pensou durante uns minutos e respondeu
Esperar por um rótulo
Talvez um encômio que encomprida
Que se encontra em um encólpio
Ou em uma enciclopédia
Que explique o que está acontecendo
Aconselhável à opinião
Ao ópio
Acomodável ao óptico
Exijo discrição
Descrição quando você inefável
Encomendado ao encosto.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Viagem Poética 2: ESTOCOLMO



Estou calmo em Estocolmo
Antes estóico
Agora estólido
Nada estonteia
Depois do estouro
O silêncio
Terá algo em segredo?
Terá uma palavra de estímulo?
Que abranja to das as coisas
Abrevio tudo
Antes abrasivo
Agora brando
Ando por Gamla Stan
Deixo Stortorget me levar
Antes eruptivo
Agora inativo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Enumeração caótica 2




Primeira de 2010!!!

Spitzers

Confundo alhos com bugalhos
O que concerne
Tira a liberdade
Como Leo Spitzer
Anti-hitlerismo hiulco
Fujo do Nazismo axiomático das palavras
Mas não da Naza
Nem do telescopio Spitzer
Se observou Cefeu,Centauro
A superfície de Plutão
Observará metáforas,devaneios
Exíguos fragmentos literários
Justiça para Júpiter
Para o Judas
Até para Eliot Spitzer
Também para o judeu
Para todos
Faltou um apóstrofe
Criado por mim
Talvez um Spittle
Seria escatológico fugir da lógica?


Glosas:apenas nessa,não sou de fazer isso,não se acostumem!!!!

apóstrofes usados nesta poesia:

A enumeração caótica foi criada por Leo Spitzer
Nascido em Viena, em 1887, lecionou em universidades alemãs de 1920 a 1933, quando, fugindo do nazismo, migrou para a Turquia e, em 1936, para os Estados Unidos, onde passou os 24 anos seguintes como professor daUniversidade Johns Hopkins. Municiado da vasta erudição que sua formação em filologia românica lhe proporcionou, e sob a influência marcante da psicanálise freudiana, Spitzer devotou-se desde o início da carreira a superar o divórcio entre linguística e literatura levado a efeito pela filologia positivista. Faleceu em 1960.
Consiste no acúmulo de palavras que designam objetos, seres, sensações, vinculados a uma idéia ou várias idéias básicas, sem ligação evidente entre si.(por isso o nome da poesia e SPTIZERS)
Eliot Laurence Spitzer (Bronx, Nova Iorque, 10 de junho de 1959) é um advogado e político do Partido Democrata dos Estados Unidos da América.
Lyman Spitzer (Toledo, 26 de junho de 1914 — Princeton, 31 de março de 1997). Considerado um dos maiores cientistas do século XX, fez grandes contribuições no campo da dinâmica estelar, da fusão termonuclear, do plasma e de toda astronomia em geral.
Entre todos os astrônomos, Spitzer foi o primeiro a sugerir a colocação de telescópios espaciais em órbita da Terra, com o objetivo de obter imagens mais nítidas de outras galáxias e astros do universo. fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki