sábado, 16 de abril de 2016

Surrealismo erótico


Soneto Inascido
 Artur da Távola

O poema subjaz.
Insiste sem existir
escapa durante a captura
vive do seu morrer.
O poema lateja.
É limbo, é limo,
imperfeição enfrentada,
pecado original.
O poema viceja no oculto
engendra-se em diluição
desfaz-se ao apetecer.
O poema poreja flor e adaga
e assassina o íncubo sentido.
Existe para não ser.


Alambique
Ednei Pereira Rodrigues

Máxima vindima íntima
A farsa da safra para a canzana
A uva na vulva
Preciosa Precisão da cariopse
Uma sinapse em tempos de sanha
Almeja o túrnepo priapo
Napalm napáceo na palma da mão
Distinto arinto no labirinto
Obstina o absinto alucinógeno
Sintro na introrsão 
Função do Funcho e o êxtase
Incumbe do cumbe e a cura
Maniva e a manivela da Tiquira
A saliva ávida como dádiva
Destila antes que dilates
Não sei como lidaste com isso
Indiferente à tudo 
Coobo o lobo réprobo do seu lóbulo
Exsudo o afobo dos relógios
Nessa pressa confessa o pecado
Agudo estudo sobre o veludo.


Glossário:
cariopse-Fruto seco
túrnepo&napáceo-nabo
sintro-absinto
funcho-erva-doce usada na fabricação do absinto
Tiquira-aguardente de mandioca
maniva-mandioca




Filtro

Carlos de Oliveira "Micropaisagem"

O poema
filtra
cada imagem
já destilada
pela distância,
deixa-a
mais límpida
embora
inadequada
às coisas
que tenta
captar
no passado
indiferente.

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