sábado, 31 de março de 2018

Anagramas Lúridos

  

A leitura do poema
quando dizem “leia,
é um poema”, você respira
mais lentamente entre as orações.
mas não o dizem
e ainda assim

você percebe
não só pelos versos, há poesia
em prosa e sem metro, mas
se dizem, talvez você tente
contar em vão as sílabas

e ainda assim
não há dúvida de que se trata
de um poema, respira-se
o voo contido da divagação
há um estar-se e um alienar-se

de mãos dadas, você
e eu e o verso podemos
ter mãos e dá-las, e ainda
assim não comungarmos
a mesma mensagem, quando

dizem leia, é um poema
sem aspas, esqueça a teoria
é cadência apenas, veja
e um outro ritmo, a respirar
fundo, esse feito feito ar.


                                   Leandro Jardim





A angústia da relevância


Não conseguia,com uma lanterna
No Sol a pino
Extinguir a sombra
Arremedo da minha inércia
Séquito que sequer pediu autorização
Cortejo sem cortéx
Cortesias da solidão que reluz
Reduz a expectativa de vida
Pode ser Esquizofrenia
Ou um ritual gnóstico
Mas já deu assim o diagnóstico
Tanto rútilo é exagero
Quando tudo é efêmero
Mero desespero sincero
O trem que não parou no gare
Gera áger em tempos de armistício
Gera poesia  
Quando era para ser só uma frase de impacto 
Não precisa muito para chamar a atenção
Vísceras expostas.


                                                Ednei P.Rodrigues

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