sábado, 25 de janeiro de 2025

Anagramas urbanos



Sombras no Labirinto da Percepção



Cidade adefágica
Os becos são labirintos sem saída
Onde a dor se curva, mas nunca cede
Cada passo dado reverbera no abismo do ser
Como se o corpo carregasse todos os ecos de um mundo em colapso
Uma adega para o desértico
Deixa tudo adélido
Ademais toda essa adesmia não inspira
Nunca quis me expor em demasia
Toda essa batianestesia não instiga
Erguem-se batibandas em torno da percepção
Não vou negar que sempre fui batíbico
Moldado pelas ondas que sempre busquei enfrentar
Imaginei algo bucólico
Bucolabial contra o silêncio
Estou lendo Bukowski
Sem se importar com a pressa
O tempo se arrasta como uma sombra,
Desaparecendo na neblina do indizível
Onde o corpo se torna prisão e a mente um refúgio.

sábado, 18 de janeiro de 2025

Inspiração antropofágica


Vultos de Outrem: ao morcego no falso Abaporu



Não te reconheço mais, parece que o tempo trouxe mais experiência e algumas curvas a mais. Todos os dias, às 11:48 da noite, a sombra do seu reflexo desliza pelas paredes do meu quarto, se revela como uma avantesma, aparecendo disforme sob a cabeceira da cama. A cada noite, essa presença etérea se torna mais familiar, mas, ao mesmo tempo, mais distante. Ela se movimenta com leveza e parece desafiar as leis da gravidade. Talvez o sentido disso tudo seja simplesmente ser um quadro em minha parede. Tudo bem, providencio uma moldura para te enquadrar. Qual opção agrada mais? Um enquadramento clássico, com acabamentos dourados e detalhes ornamentais, para dar um toque de sofisticação? Ou, talvez, um contorno minimalista, de linhas retas em madeira natural, que destacaria sua essência de forma sutil. Se preferir algo mais moderno, um ornato preto de alumínio seria perfeito, trazendo contraste e contemporaneidade. Por outro lado, uma moldura rústica, feita de madeira envelhecida, daria um ar mais acolhedor e nostálgico.
Talvez o incômodo seja só inveja do Uropaba. Ela faz alguma coisa na lavanderia enquanto espera as roupas terminarem de lavar, mas não sei exatamente o que. Pensando em algo, distraída com seus próprios pensamentos, talvez seja melhor não saber. Agora tenho companhia, e o quiróptero parece estar com ciúmes. Deseja ser único. Com suas asas delicadas e olhar penetrante, observa tudo com uma mistura de curiosidade e possessividade. Ele não aceita dividir o espaço que conquistou; sua presença é um lembrete constante de que a solidão pode ser tanto um abrigo quanto uma prisão. Ele é um guardião, sua vigilância constante não permite distrações. O olhar prescrutador atravessa o intrínseco, desvendando segredos que nem mesmo reconheço em mim. É quase como se ele, com sua presença imponente e inquieta, estivesse marcando um território que nunca lhe pertencerá por completo. Não quer compartilhar a sua refeição com ninguém. Quando eu estiver melhor, talassemia aparente, minha vulnerabilidade, que todos temos, a sua e a luz. Se eu ascender, o exorcismo será feito e você desaparecerá em silêncio, dissolvendo-se na penumbra que insiste em permanecer. Talvez o brilho seja suficiente para revelar o que realmente habita entre nós, desfazendo sombras e ilusões.
O fim de sua existência parece inevitável, como se a claridade tivesse o poder de dissolver os mistérios que tanto teme, escondidos sob a superfície, quase imperceptíveis, mas sempre presentes. Ainda assim, hesito. Há algo na sua presença que desafia o desejo de expulsar. Não é apenas sobre afastar a escuridão; é também sobre entender o que ela sussurra nas entrelinhas do silêncio. Talvez haja algo que precise ser ouvido antes de desaparecer. Mas, se o cistugo aprender a ligar o interruptor, será uma vingança. No entanto, a luz o incomoda e o desorienta. Ele ignora a cístula e não está mais polinizando as flores. Deixou de ser frugívoro e agora presta atenção na fístula lacrimal.
Seria pertinente considerar a inclusão de uma versão da pintura Verão, de Giuseppe Arcimboldo? Serviria de escudo, proporcionando defesa. Ou O Filho do Homem, de René Magritte? Ou talvez eu possa usar um capacete de abóbora e um colar de melancias. Não quero ser confundido com Carmen Miranda. Está calor, não quero usar a guante. E se o morcego for apenas uma criação da minha mente, como dizem? Como explicam o guano encontrado em meu travesseiro? Ou talvez eu seja o morcego, algo com que eu deva me preocupar? Talvez ser um morcego signifique liberdade, ou até um chamado para algo maior que ainda não compreendi: uma parte de mim que desperta à noite, que enxerga no escuro e se alimenta de sombras. O que importa é que estabeleceu-se um vínculo silencioso com a sombra. Há um peso invisível que nos molda, que insiste em permanecer, mesmo quando tentamos esquecê-lo ou ignorá-lo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Inspiração pós-festejos: continuação alitera

 





FIM DO ANO


André Carneiro


0 futuro é um pássaro assustado
na direção da minha testa.
Recuo, às vezes, mas a terra
gira satélites implacáveis.
Calendários são
asas na madrugada
dissolvidas à meia noite.
Enterro o relógio,
misturo a matemática,
não adivinho se é sábado, aniversário
ou desfile da independência ou morte,
Chove, as nuvens surpresas
escorrem no cimento,
a terra seca morre sepultada
com seus olhos de areia.
Algumas espécies desaparecem hoje,
os lemingues engolem as ondas
no suicídio inexplicável.
Perdemos o centro do universo,
abandonados pelos deuses
somos primatas apenas.
Falta o alienígena descer
da nave resplandecente
e partir de novo movendo
frustrados tentáculos.
Nossa escrita
nem golfinhos
compreendem,
mas decifro a língua
da abelha dançarina.
Há muita esperança no amor.
Todos se cumprimentam,
mostram dentes limpos,
presentes com largas
fitas vermelhas.
Escrevo o poema adolescente
esquecido na minha inocente cabeça.

***

A metáfora já está prístina


A sístole só na Sistina

Eliciar elipses

Porque não quer dizer que a inspiração veio pós ida a pistrina

O pâncreas já parou de produzir tripsina

E ninguém se importa com anagramas viscerais

É irrelevante saber que romances foram escritos pós ida ao alcoice

Quando o épico é píceo

Devaneios já estão caquéticos & manquitolas

Quando é tola toda forma de pensar

É tudo tolã

Ela disse Olá quando estava indo embora

Fiquei sem entender

Quando se esvai a razão em mero delírio

Você pode se adaptar a essa maneira de viver

Sem se preocupar com o futuro que agora está insopitável e traz insossego

Todas suas expectativas frustrantes relegadas

O oráculo falhou em responder todas as incertezas

De onde viemos, para onde vamos?

A percepção do presente e do passado se perdeu

Todo esse anacronismo me faz pensar no que ainda não fiz

O tempo desperdiçado com futilidades

Devo considerar as viagens fora dos meus pensamentos?

Devo me preocupar com o que está além da minha percepção?

Ou devo me concentrar no que está diante de mim?

A realidade tangível é tão inexorável que, por mais que nos esforcemos para moldá-la ou negá-la

Ela nos transcende com uma força incontrolável, levando consigo nossas ilusões, nossos desejos e até mesmo nossa essência, deixando-nos frente a frente com a verdade nua e crua de nossa existência finita e imperfeita.              

sábado, 21 de dezembro de 2024

Inspiração urbana: continuação imbrífera


 imagem: escritor Dalton Trevisan voltando para casa



Uma vela para Dario

Dalton Trevisan

Conto publicado no livro 33 Contos Escolhidos, Ed. Record
extraído do site: https://arararevista.com


Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Ma não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.
Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados com vários objetos de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio quando vivo só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.
A última boca repete. Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.

***

Imbricado com a cidade, é como ver a memória se dissolver em fumaça. Cada segundo, agora suspenso, parece dilatar o vazio que se alarga ao redor do corpo. O céu, pesado e cinzento, sobrecarrega a atmosfera com sua umidade, enquanto os primeiros ecos do vento arrastam os últimos vestígios de calor. Nem sequer abaixaram suas pálpebras, esperaram que duas folhas caíssem sobre seus olhos, como se o tempo pudesse ser interrompido naquele breve instante de serenidade. O vento, suave e indiferente, sussurrava através das árvores, enquanto o mundo ao redor se desfazia em um emaranhado de sombras e luzes tênues. Tudo isso é medo da morte? Tudo isso é o eco de uma angústia existencial. Acho melhor já ir se acostumando com este seu túmulo ao relento, restos ao Sol sem se preocupar com a insolação. Alguém preocupado diz: “Se permanecer aí, o cheiro vai ficar insuportável”; urubus virão atrás da carniça, atraídos pela essência do que se perdeu, enquanto o vento frio começa a cortar a pele exposta. A cidade, distante e imutável, segue seu curso, ignorando a decadência ali presente. Um caniche famélico já se apoderou de seu fêmur, arrastando-o pelo chão em busca de algo mais, enquanto a noite se aproxima e as sombras engolem tudo ao redor, e a terra parece engolir o que resta, como se ansiando por um abalo sísmico, que seria sua redenção. Como se buscasse o caos, pois pensava que ele traria a liberdade. As luzes da cidade brilham como faróis indiferentes, ignorando o fim que se desenrola nas margens do esquecimento. Um regozijo efêmero paira no ar; seguem o fluxo como se nada tivesse acontecido, crianças que passam perto do cadáver, não sentem mais medo e fazem chacota, alguém afirma: “Deve ser alguma estátua gótica.” No horizonte, a escuridão toma forma, sem pressa de revelar sua face, enquanto os bípedes, em sua rotina diária, parecem presos a uma existência que nada questiona.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Inspiração onírica



Adormecido sob a terra, mas desperto na essência, meu corpo espichado, arreigado à terra. Caniços se alongam em busca da umidade escondida nas profundezas, enquanto o calor do sol, distante mas presente, aquece a superfície acima de mim. Sou parte deste mundo invisível, onde a vida pulsa em silêncio, e cada grão de terra guarda segredos ancestrais. Aguardando o golpe de misericórdia do gigante de Flandres, afinal, eles precisam de vitualhas para continuar a governar esse mundo.
Estou conformado com o meu fim. Melhoramos muito pós-dominação dos lagomorfos; não existem mais ideologias que possam contestar sua ordem agora, nem desigualdades. Eles trouxeram uma nova era, onde o equilíbrio foi restaurado, e a terra, que antes se via coberta de caos, agora repousa tranquila. A hierarquia está bem definida, e quem ocupa o topo garante o que é necessário para todos.
Quando os láparos chegaram, tudo se transformou. Antes, nossa existência era apenas um suspiro no vasto universo, mas agora, somos peças vitais em uma estrutura que funciona com precisão. O ciclo de vida, que se repetia sem rumo, encontrou um propósito. Não há mais escassez nem guerras, pois tudo é coletado e distribuído de forma justa.
Os bípedes ainda desempenham um papel fundamental: eles cuidam das hortas com dedicação, garantindo que as raízes se espalhem, que a terra receba os nutrientes necessários. Eles sabem que seu sustento depende de nós e, por isso, nos tratam com reverência. No entanto, não se engane, ainda somos os humildes fornecedores de alimento, sempre à espera de ser escolhidos.
Desafiar o gigante de Flandres é impensável para todos. Mesmo os dípodes, que antes pareciam tão desordenados e insensíveis, agora seguem o fluxo da nova ordem. Eles aram os campos, cuidam da terra e garantem que a produtividade nunca cesse. Há uma reverência silenciosa em seus movimentos, como se tivessem aceitado seu lugar na hierarquia.
Já não há pretensão de controle absoluto; agora, eles servem a um propósito maior. A terra se tornou um campo de ordenação, e quem ousar desviar-se do caminho será rapidamente relembrado de sua posição. Não há espaço para questionamentos, pois a ordem estabelecida é a única que garante a continuidade do equilíbrio.
Cada ser, desde os mais humildes até os mais elevados, tem seu papel claro, sem espaço para falhas ou desobediência. A punição para os que desafiam é rápida e certeira, e a memória dos antigos erros é cultivada na terra, como advertência para os que ainda alimentam a ilusão de liberdade.
Entendo que minha existência tem um propósito. Não há mais frustração, apenas aceitação. Eu sou, afinal, parte de um ciclo eterno, que nunca cessa e que se reinventa com a precisão de uma engrenagem. A harmonia foi restabelecida, e nada poderá mais abalar a ordem que foi firmemente estabelecida.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Inspiração ressonante



imagem : StockTrek Images

Ecos da Alma


Qualquer pessoa, ressoa e sua

Isso se não for um androide

Títere sem alma

Revertere ad locum humanum puto

Minhas incertezas persistem

Só consegui sentir o dulçor na ressoca

A ressocialização foi fundamental

Se for preciso, soca

Não pretendia fazer o uso da violência

O sobscrito sobre o osso, tatuagem

Ninguém vai reparar no ressol

E se você grunhir um pouco

Normal querer se chafurdar na lama

A nódoa desfaz os nós

Ânodo e cátodo utilizados na estimulação transcraniana

Não vão conseguir extrair nada de mim.

sábado, 9 de novembro de 2024

Descrição de imagem

Monólogo de uma retroescavadeira


Acho que errei a terceira nota; não me lembro se era um si bemol ou um lá sustenido. Ninguém vai perceber o erro, vão pensar que é uma reinterpretação criativa. Talvez até possa inspirar outras pessoas a experimentarem suas próprias interpretações. No fim das contas, a música é sobre expressão e sentir, não é? Vou me concentrar na emoção da performance e deixar a técnica um pouco de lado por agora. Quem sabe essa “improvisação” não se torna um destaque inesperado? Talvez devesse tocar uma música mais fácil, o público sempre gosta das populares, aquelas que tocam direto na memória afetiva, que todos sabem cantar junto. Mas será que essa escolha não seria uma forma de fugir daquilo que realmente importa? Qualquer coisa é melhor do que esse silêncio que paira no ar. Existe beleza nas imperfeições. Este escafoide pesado não contribui em nada. Talvez devesse escaiolar antes, para criar algo escalafobético sintético. Desista, não vou cavar sua cova. Talvez uma horta. A morte não me inspira. Com algumas adaptações, posso prever terremotos, vontade de ser sismógrafo, salvar vidas. Já cansei de destruir formigueiros. Posso estabelecer um contato com os intraterrenos, quem sabe? É claro que tudo isso soa como uma ideia improvável, mas já estive em situações onde o impossível parecia tão ao alcance. Quem disse que o abismo não pode ser compreendido? Se há seres que habitam as profundezas, talvez eles saibam algo sobre o que está oculto para os olhos comuns. Pode ser que eles tenham um modo de se comunicar, algo além das palavras, algo que se transmite através de vibrações e ressonâncias, como se as ondas do som e da terra fossem uma linguagem própria. Sua obsessão por abismos me preocupa. Talvez queira criar tembés em terrenos nivelados para compensar o seu vazio interior, um labirinto de angústias dentro de você, um lugar onde, por mais que tente, nunca consegue escapar de você mesmo. Talvez a busca por voragens seja apenas uma forma de se confrontar com o próprio abismo interior, esse vazio imenso que insiste em não ser preenchido, não importa o quanto se tente. "Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você." Espero que você consiga superar tudo isso. Certamente há outra forma de lidar com isso, procure ajuda. Talvez seja difícil enxergar isso agora, mas continuar cavando abismos só vai te afundar ainda mais nas sombras que você já conhece tão bem. O vazio que você busca preencher, essa sensação de estar preso dentro de si mesmo, não será apagado com mais escavações ou labirintos criados para esconder o que você não quer encarar. O problema não é o abismo em si, mas o modo como você tenta lutar contra ele, como se estivesse sempre buscando uma saída que só te leva mais fundo.