sábado, 14 de agosto de 2021

Ficologia

 



Se não fossem as algas, que saberíamos da alegria?


Faz tempo as algas tinham braços
e refletiam as asas da água em flores marinhas
inebriadas em redor pelo fósforo dos peixes
que direcionavam faróis para as gemas das ilhas,
Faz tempo cruzavam a eternidade
a poesia e a língua dos corais em ritmo e harmonia
e vinham dar à praia na cinza prateada da areia
fundeadas por âncoras e cílios de auroras
Faz tempo os amantes vinham partindo e chegando
em rosas da tarde em dulcíssimos navios na nave do dia
e recolhiam a luz do silêncio imortal entre esta e a outra vida.

Faz tempo os humanos percorriam as pálpebras do céu
entre folhas de sol e abrigos de mel
e eram estrelas
e ampliavam uma nova língua,

Se não fossem as algas, que saberíamos da alegria?

Maria Azenha

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Não tive tempo de limpar a janela



Manchas me atraem
O nó da nódoa
Pulvinar para a metáfora descansar
Pensar em algas
Como alternativa pode pulverizar tudo ao redor
Um frenético pulular de novas ideias parece ameaçar, na raiz, a fé e a moral, colocando em dúvida tudo e todos
Ulvina vinha de uma maneira estranha em minha mente
Padina na padieira
Colidiste com algo que vinha no sentido contrário
Tentei evitar qualquer tipo de acidente
Tentei evitar conversar com as paredes
Tentei dizer-te enquanto estavas a largar-me no mar... mas não sabia da história toda
Porém, ainda falta muita coisa para falar sobre as possibilidades de alcance e funções para que os benefícios sejam compreendidos
Há segredos que é melhor não serem desvendados
Saberá do essencial.

EPR

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Então o paradoxo desaparecerá e manifestar-se-á plenamente a profunda simplicidade do seu significado



Paradoxos

Para com a doxomania 
Quem tudo quer nada tem
Almeje apenas o necessário para um dia
 Ambicione o ambíguo
Alguém que cobice o nosso êxito
Apeteça o apételo
É melhor ires antes que me apeteça alguma coisa
Ou talvez lhe apeteça algo um pouco mais leve para a caixa torácica
Ascenda um incenso
Pancaio sem pancalismo
Será sempre um pancão
Pancárpia para a pancardite
Os valores referem-se às componentes utilizadas pelo critério de parcimônia como covariáveis
Não levará para cova divícias
Nenhum dividendo
Será sua punição divina
Para evitar o sofrimento cultivamos o desapego
Renúncia da pronúncia
Puncionar o silêncio
Isto requer abnegação.

      EPR

quarta-feira, 14 de julho de 2021

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Cômodos




Quando eu faço desse corredor um labirinto

O prefixo que estuga não me inspira

Isso cria um fluxo estagnado

Demoro uma hora para chegar no quarto

Já perdi muito tempo com isso

Melhor desistir de tudo

Abdicar da metáfora

Procrastino tudo, alguém disse

Portas sempre abertas

Arreveso um pouco

Cada arremesso revela um bônus de diferente valor

Fecho-as e escondo as chaves

Esqueço e durmo no sofá

Amanhã alguém abre

Posso e consigo, descer as escadas no escuro

Posso e consigo, ficar sem pensar em você

São reptos que crio

A origem do caos.


                                                      EPR

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Comportamento inadequado

 



Gotas

Utilizaram as pétalas como um trampolim
Diversão até ressequir
A algiba que se formou é irregular
Giba de uma Gibbsita
Incólumes aos espinhos.



Estuante Estante

A estante lê o livro
Antes do ledor
Divulga o final da história para todos
Não respeitaram o aviso bem grande na entrada: Sem spoliers
A poeira provoca a esternutação.




Insônia


Aqui ninguém dorme
Sonhos lúcidos esbodegaram o ambiente
Vamos então para a bodega
Não adianta o hierático na parede
A Parectropia
O jeito é ser boêmio.


                                      EPR

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Transtorno Obsessivo Compulsivo



Oscilador estocástico


Estoca a toça
Involuntária litolatria
E o meu TOC
Alguém bate na porta
Onomatopeia contra o silêncio
A toca foi descoberta
A estrutura oca da metáfora
Troca pelo troçante
Cortante Trocarte
Torcaz na soleira
Tem quem torça contra
Torce para a permanência da solidão
Já coloquei aljorce nela
O alcorce contra o acerbo
Talvez taumatina
Por tamina
Com tamidina
Estavam tentando fazer uma lâmpada contra o escuro
O trauma que fica
A prioridade é estabilizar o trauma na metáfora
A tratriz que se forma
Nunca houve também qualquer tratativa
Nunca houve qualquer motivo razoável
Nunca houve qualquer coisa remotamente parecida
Nunca houve qualquer sensação.


EPR
***Tamidina:substantivo feminino Nitrocelulose reduzida, empregada na fabricação de filamentos de lâmpadas elétricas.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

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Vontade de ser epitáfio


Sucumbiu antes do cumbu
Servir para o câmbio
Deixo-te conculcar
Inculcar uma metáfora
Inculpabilidade de algo ilícito
A incudectomia
Incubar o estribo para originar o silêncio
Não precisava de tudo isso
A conculha é fagulha
Debulha a hulha
Deixe a sarafulha
Arminho da minha amiotrofia
Algo amíntico
Como sua presença
A mim só me interessa a inércia
Não venha a mim procurar referências
Não é a mim que você deve reportar
Não cabe a mim interferir.



                                 Ednei Pereira Rodrigues




***arminho:O que é muito alvo, branco; brancura.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

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Associações impertinentes: A pena ,a inércia e o tábido

Não quero seu trono
Cheio de rontó
Único fardo: o tábido
Não vai conseguir o adejo
Com apenas uma pena
A roda era a incerteza
De qual meio de transporte utilizar para a fuga
A paúra do páramo
A evolução da inércia
E não precisa de tanto fulgor
Para o fúfio
A nalga sempre tão vulgar
A lipodistrofia ginoide não inspira
A glutite constrange
A esteatopigia
Apetece a ulna
Nunca vai sentir o masséter
A volúpia.

                             Ednei Pereira Rodrigues


****poesia escrita após a leitura do livro:O Sol nas feridas de Ronaldo Cagiano
                              



GÊNESE

Busco na palavra sua unção,
labirinto de paradoxos,
onde mergulho
feito escafandrista num garimpo de im
possibilidades.
Território de invenções,
ela me estende a ponte
entre o sagrado
e o profano

Em cada manhã
rompe com sua insistência de rio
e sua pontualidade solar.

Meticuloso engenho do verbo
que se faz silêncio
ou boato

Rumino sua nudez
ou desvelo as suas rugas.

Entre a fuga
e os deslizes
o poema vinga

rosa intimorata perfurando o asfalto

Nutre-me do que é míngua
recicla-me do que é sangue.

                                     Ronaldo Cagiano