quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Semântica Variável do que se sente

 

Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Paulo Leminski



PAIN 

Em francês é edível 
O trigo anagramático contra o silêncio 
Grife para a grief 
Louvável o esforço 
Não precisava de tudo isso 
Luxo para um debuxo 
Pompa para o que estrompa 
Rompa com a resistência do óbvio 
Ostenta a ostealgia 
O latejo foi como um sismo 
Não culpe o rebo por causa da rebocrania 
A hemicrania prefixal 
E a metade de suas perdas 
A cefaleia em pupa 
Transformou-se em céfala 
A enxaqueca prefixal queria encher o espaço vazio 
Saturar anagramático para se atrusar no vácuo 
Surtara antes do sol a pino 
Antes da heliose será sombra. 

                            Ednei Pereira Rodrigues

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Anagramas ínfimos

                      



                                 
Tarugo de esbrugo

Agora que sou chão
Pavimento de pavio curto
É como um rastilho de pólvora
O estopim do estonteio
Alusão a bituca que você descarta na sarjeta
Não faz muita diferença se você espezinhar
Estonar o percurso
Sem estrona no anestro
Acabou com tudo que entrosa
Não gosta de tacos
Tudo o que eu tasco
Tarugo de esbrugo
Não faz muita diferença o albugo
Sem clichês
Aliche só se alguém cuspir
Na hora da xepa, uma mistura de sabores
Encólpio para o Licopeno
E o chicle que rumino
Você rouba na sola
Meu único Sol
Não faz muita diferença a iluminação.


                             Ednei Pereira Rodrigues

sábado, 22 de agosto de 2020

Insultos poéticos



Ausência

Ela cuinca 
Cinca imperceptível 
Cinco anos ou meses? 
Perdi a noção do tempo 
Evos de uma evulsão 
Análoga ao meu latejo 
Como um látego 
Azorrague de uma blague 
Beluga no oceano 
Aditar Adiposidade 
O latente também gane 
Perfeita cinantropia
Ganirra serve para Ganizes 
Sem ganja 
Latifundiária do que eu penso 
Seu latilabro compensa o escabro 
Volúpia no Volutabro 
Abro o caminho com incoerências 
Poderia ser mais evolvente 
Envolvente como um Envólucro. 

              Ednei Pereira Rodrigues

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Descrição de Imagem

 

Paul Cézanne _ still life with skull

Baixa Imunidade

Pachorra tem um pouco de pacho 
Cansou de esperar 
Os benefícios do desgoverno 
O venéfico com estricnina 
A venectomia 
O lobo parietal ainda uiva 
A calvície precoce 
Agora é só um crânio crancho que venera o frugal 
Tenta morder a maçã 
Vencido pelo tábido 
Inapetência Inapercebida 
Agora que é irracional 
A ira pelo lirismo 
Não penso mais em você 
Neurônios incautos fazem sinapses com o sórdido 
Conloio com engoio 
Ainda tem ego 
Patego na falta de apego 
Todo esse insossego do insosso 
Mais um osso que se quebra.

             Ednei Pereira Rodrigues

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Toda agenesia de áger

Imagem: ovo cósmico de Salvador Dali

Edível 

O estratagema foi ovacionado 
O sufixo e o prefixo são alimentos para a metáfora
Arapuca tem um pouco de ar 
Como se fosse algo lícito 
Como se fosse algo tácito 
Agem de uma maneira estranha quando eu estou aqui 
A gema e a parte amarela do poema 
A origem de algo 
Agerônia ainda na pupa 
Um Sol para iluminar 
Mega falmega 
Toda agenesia de áger 
Agermanar com a Ageustia 
Tudo isso porque eu precisava mais de cálcio 
Tanto caliço que vejo 
Que o nérveo foi esquecido 
Com o esforço, o tendão do ombro se rompeu 
Tanto empenho para nada 
Tanto afinco para o vácuo 
A metáfora tenta preencher essa lacuna 
Cânula de Traqueostomia 
Preciso respirar. 

                                 Ednei Pereira Rodrigues


sábado, 25 de julho de 2020

Toda sandice contra a mesmice


Sufixo Neológico criogênico 

Ainda não era o ápice 
Atice profundezas 
Talvez faltou hélice 
Para o adejo do albatroz 
Cobice o óbice 
O abismo não tem medo da foice 
Talvez coice 
A equidade do equilíbrio 
Prefixo relincha 
Toda sandice contra a mesmice 
Cúmplice do vórtice 
Mesmo que ilice 
Será artífice do índice 
Como apêndice 
Aprende a esquecer 
Talvez encontre lirismo no alcoice 
Onde o pódice é valorizado 
O pódio ainda não era o vértice 
Chances de triunfo eram mínimas 
Trunfo do defunto 
Que venha o Ufo 
Antes que a saudade com seu pouco sal
Derreta tudo.

                          Ednei Pereira Rodrigues

sábado, 11 de julho de 2020

Insulto contido pela metáfora




Megera


Me gera, ela disse
Imposição de condições
Prepotente oculta a ponte
Faça por merecer
Não vale o esforço
Sem valerobromina
Retribuição da Retrete
Vou retravar
Se não tiver um encômio
Mesmo entômico
Um emoticon para anagramas
Apenas seu retrato retrátil
Não é o bastante
Tem que retransir no corpo
A retranca é inevitável
E o bucho túrgido
E apenas vontade de ser Lua
O corpo eclipsado vesti a noite
No Perigeu fica prenha
Uma embolia amniótica originou o caos.

                                Ednei Pereira Rodrigues