sexta-feira, 13 de março de 2020

A incoação do incoercível

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Cavalo dado não se olha os dentes

Desconfio da inscrição acima
Depois vai querer algo em troca
Algo que eu não tenho
Permuta minha racionalidade
Beleno veneno
Escambo pelo Escambro
Percebi o ditirambo
Quando tudo está bambo
Barganha por minha entranha
Não vale nem uma bargani
Não tenho muito para oferecer
Fique com minha incoerência
Como incõe para o inço
A incoação do incoercível
Oblatar o oblíquo
Pode nem ser uma virtude
Toda essa hebetude
Mas antes do ataúde
Pretendo atingir o êxtase. 

                                Ednei Pereira Rodrigues

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Deambulações contra a inércia

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Itinerário


Sim, ela passou por aqui
Deambulações contra a inércia
Sucar o Sucaro
Andareco encarado
Sem terebrar minha pupila com seu cuissarde
Ainda posso sentir seu eflúvio
O cadarço desamarrado faz cócegas
Prognose da queda
A sola do seu sapato
Esmagando o meu crânio
Neurônios na sarjeta
Sinapses com a cidade
Capacho de Cachopa
Um pouco de podolatria
Trampling que excita
Seu hálux com onicocriptose
Seu eritema pérnio
Não impede de ser musa.

                                              Ednei Pereira Rodrigues

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

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Foto do poeta Frederico Barbosa


Atrás do poeta

Algo dendriforme
Bosquejar um bosque
Porque iluminar uma árvore?
Incomodara o sono dos pássaros
Como retaliação
Amanhã, ainda no sembrol
Vai chilrear um sabiá
Todo tordo merece respeito
Vestígio de uropígio
Ponga que prolonga à noite
Toda sanha do sanhaço
Minha metáfora quebra holofotes
Ninguém precisa de tanta exposição
Ainda que no breu total
Perca alguns detalhes
Realço o percalço
Sou parceiro do precário
Aquele que peca
Pecha anexa no verso. 


           Ednei Pereira Rodrigues

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Tudo o que foi expelido


Minha Medida

Meu espaço é o dia
de braços abertos
tocando a fímbria de uma e outra noite
o dia
que gira
colado ao planeta
e que sustenta numa das mãos a aurora
e na outra
um crepúsculo de Buenos Aires
Meu espaço, cara,
é o dia terrestre
quer o conduzam os pássaros do mar
ou os comboios da Estrada de Ferro Central do Brasil
o dia
medido mais pelo meu pulso
do que
pelo meu relógio de pulso
Meu espaço — desmedido —
é o pessoal aí, é nossa
gente,
de braços abertos tocando a fímbria
de uma e outra fome,
o povo, cara,
que numa das mãos sustenta a festa
e na outra
uma bomba de tempo
                                         Ferreira Gullar

relógio que aparece no filme Morangos Silvestres
Frugal

Fragaria abranda a frágua
Ressequir a bágua
Ressentir sua ausência
Cada vez mais fragmentado
Tanto sincronismo pra quê ?
Se no meio do caminho aparece um óbice
Expectorando expectativas
Expedição ao centro da terra
Tudo o que foi expelido
Tende a entreter
Encontrarão alguma utilidade para os ponteiros
Hastes são adaptáveis
Vontade de ser neologismo para sanha: HATE
Flecha complexa para os Maoris
De armas nas mãos em tempos de armistício
Maior erro foi subestimar o tempo
Já penso em outra fruta: Maiorca
Tudo é alimento para a metáfora

Que incrassa o verso. 

                            Ednei Pereira Rodrigues

***poesia escrita após assistir ao filme Morangos Silvestres


sábado, 25 de janeiro de 2020

São Paulo 466 anos



Inclemente inclinação


Talvez seja excesso de tadalafila
A cidade é cruel com o oblíquo
Magoei o magote
Enaltecendo o deserto
Confesso que ficou algo em mim
Impregnado os aldeídos
A inhaca do rio poluído
Que deságua no ralo do banheiro
Pós-ablução a asseidade
Catarse do cartaz
Preconício do exício
Assegurar que tudo está bem
Janelas e portas fechadas
Já tive o assédio da urbe
Para toda fumaça que inalei
Ambroxol ou algo expectorante
Talvez acabe com as expectativas
Não está na bula
A cura para todos os males.


                                   Ednei P.Rodrigues

sábado, 11 de janeiro de 2020

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O dorso do rei


Postigo para outra dimensão
Abrigo para o impetigo
Postimária de tudo
Menos da postura
Aguenta o fardo
O manto de cetim impõe respeito
Acetinar a metáfora
Reverência ao que reverdece
Seu trono de alfombra
Acomoda o troncho
O corpo não é mais o mesmo
O vitiligo camaleônico
Leucopatia ao léu
Paradoxo do mocho
Mociço cediço mostra o viço
Submisso ao postiço
Prostração do prótalo
Sem protamina
Condição para se desenvolver uma trombose
Sem proteção da inércia
Vulneráveis as vicissitudes
A prótea tem permissão para florescer.


                                    Ednei P.Rodrigues

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Ficou por isso mesmo

  

Arte do chá    


   ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo

ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo

                        Paulo Leminski 

 Medidas concretas para suavizar as chagas

Colher: mero adorno
Não vou te afogar na bancha
Unirreme pra fugir do naufrágio
Xícara com vontade de ser chalana
Difícil tomar chá na chafeira
Chabouco que serve para a proliferação de insetos
Foi tudo um chabu
Chabuco que dilacera o corpo
Queriam o chagrém de tanta inépcia
Cháçara que chafurda uma reputação inteira
Era o chamariz para o enredo
Chanquear a metáfora
Teve sua chance de impressionar
Apelou para a chantagem emocional
O chanto foi comovente
Vertente para esparzir o espasmo
Charamelar tribulações numa tribuna
Buna para apagar os erros

Começar da estaca zero.

                                          Ednei P. Rodrigues