sábado, 22 de julho de 2023

Tríade da Epifania


Abismo Existencial 

Incólume ao abismo
Longe de ser um inconveniente
Toda incoerência é uma bênção
Panaceia para toda mazela
Sem cambiar a câimbra
Este chão não é confortável ao nefelibático
Nefasto ao arrasto
Este tricúspide será só seu
Até incautos cílios roçarem seus vocábulos
O escrínio do escrito vai ser aberto
Alguma coisa escapa na oscitação
Ninguém percebeu a oscilação do corpo
A saliva amalgamada com negalho
Não retém o estro
Nego tudo até o ulo
Chulo casulo pérvio
Segredos revelados.

                                                              EPR


***Módulo 5 Ateliê de Criação Literária com Bruna Beber na Biblioteca São Paulo(foto)20/07/2023
Tema proposto:Utilizar 3 palavras que mais gosta para fazer uma poesia:Abismo,Incólume&panaceia.

sábado, 10 de junho de 2023

Continuação alitera hierática

 


Grútero

Cada dia com sua sina, nada
nas crispações do corp::;_o
_::; Mundo mudo em ti , folheando um
Livro de células e estalactites berrantes, qual
Circunlóquio do verso que treme e
cai, por se ver se lendo no abismo do
não nascido, me escolho microenlutada e nu
A entrada é a Cavidade do verbo ansiado
E estás Bem guardado, tu,
filho que vem do instante
União do brilho com o breu e
as cores da lágrima:
Vitrais do céu

                                          Luciana Moraes


Mosaico

 

 Vitrais do céu que quebro

No dilúculo o Sol segrega a borrega

Sossega, vamos resolver isso logo

Talvez o soslaio sem astenopia

Sosquinar o sosso

No ocaso discrimina a pomba

A origem do prélio

A araucária sombreia o antítipo

A origem da antítese

A vida é curta, mas infinitamente longa

Anátema do ímpio

O impidoso que impinge o implícito

Refusar o que vai refustar

Frustear para não frustar

Acabar com todo truste

Reajuste com o enfuste

Foste cruel ao partir

Dilacerando a alma em um labirinto de memórias fragmentadas.


                                                                              EPR

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Ontem à noite

imagem:Radiohead-Paranoid Android
 

Por favor, dá para você parar com este barulho, eu estou tentando descansar
De todas essas vozes de galinhas não nascidas na minha cabeça
O que é que...? (Eu posso até ser paranóico, mas não um andróide)
O que é que...? (Eu posso até ser paranóico, mas não um andróide)

Quando eu for rei, Você será o primeiro a ser colocado contra a parede
Com suas opiniões totalmente inconsequentes

O que é que...? (Eu posso até ser paranóico, mas não um andróide)
O que é que...? (Eu posso até ser paranóico, mas não um andróide)


A ambição te deixa bem feio
Chutando e gritando seu porquinho da gucci
Você não se lembra
Você não se lembra


Por que você não se lembra do meu nome?
Fora com a cabeça dele, cara
Fora com a cabeça dele, cara
Por que você não se lembra do meu nome?
Eu acho que ele se lembra...

Chuva caia, chuva caia
Vamos, chuva, caia em mim
De uma altura bem alta
De uma altura bem alta... alta...
Chuva caia, chuva caia

Vamos, chova em mim
De uma altura bem alta
De uma altura bem alta... alta...
Chuva caia, chuva caia
Vamos, chova em mim!


É isso aí, senhor
Você está partindo
O torresmo fritando
A poeira e os berros
A rede de trabalho dos yuppies
O pânico, o vômito
O pânico, o vômito
Deus ama seus filhos, Deus ama seus filhos, sim!

                                                   Thom Yorke




Permanecer sem alterações


Façam mais zaragata 
Amarra a fanfarra no tímpano 
Como um farracho, abscindi a cóclea 
A algazarra foi tanta que as algas colgam os peixes no aquário 
Chinfrim na chimela 
Consigo dormir no farrafaiado 
A omoplata pacata na noite 
Acrobata nos sonhos 
Embora você seja uma traviata 
Não tem o beneplácito para a deturpação 
Assinto só o tácito 
Eu não tinha percebido que o pesadelo era assindáctilo 
Quando tudo era assíncrono 
Meu assinclitismo notívago não te incomoda 
Ela disse que pareço um farroupo dormindo 
É tudo farruma
Mas a farrusca na pele é indício de fogo 
Aparo as arestas da farsa 
Não precisa derrubar o poste alumiado
Em Minneapolis está fazendo Sol
Você não vai conseguir abaçanar o mundo
 Não pense que vai ter minha assinatura no final 
Manter-se no anonimato 
Jamegão só no jamelão.
 
                                               EPR

sábado, 20 de maio de 2023

Inspiração crucífera

mestre Murilo Mendes tua poesia são
os sapatos de abóboras que eu calço
nestes dias de verão.
negócio de bruxas.
o sol caía na marmita do
adolescente da lavanderia.
você veria isto com
seu olhar silvestre.
um murro bem dado no vitral
que eu mais adoro.

Roberto Piva


Murmúrios do ímpeto



Mungir a munganga na munha ressequida

Não é confortável esse sapato

Sinto a pressão e o atrito constante, como se não fosse feito sob medida para mim

A cada instante, minha mente anseia por alívio

Deixar tudo amarfanhado

Engelhar o engembrado

Vontade de ser panchlora

Municiar a metáfora

Minuciar arredores

Todos precisam saber da murixaba que murmura

A origem do obsceno

Depois de tanto tempo

Esse embate me pareceu um tanto anacrônico

Algo tinha que acontecer

Suceder a conjuntura com conjecturas

Na conjugação de esforços os verbos se impõem

A celeuma na fleuma do estro

Só vai ser fértil se fletir

Como se fosse algo importante

Considerável desencovilar o ímpeto.



                          EPR




**** poesia escrita após a leitura do livro 20 poemas com Brócoli-Roberto Piva

sábado, 13 de maio de 2023

Continuação alitera lírica


Com pressa


que horas são?

je ne sais pas mi amor

salto da cama com pressa

fugindo da pressão

do apego aflitivo

ando evitando não me enrugar

nos lençóis embrulhados

e na pele que vicia,

oxitocina, como te amo!


                  Saru Vidal



Pamoato de Pirantel

A oxitocina propeli a oxítona
Não sopita oxiúros
Esbórnia no intestino
Pamoato de Pirantel
Incita oximoros
Aproxime-se só depois da oximetria
Quando a metáfora faz conluio com a maresia
Ondas se formam no texto
Espiralar o espiráculo
Preciso de mais oxigênio
Retomar a oxidação de arredores
Esboroar aquela estrutura
Precisamos de mais ruínas
Voltar ao que era antes
Quando tudo estava bem.


                        EPR

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Descrição de imagem

     imagem:túmulo do poeta Georges Rodenbach-Cemitério Père-Lachaise-França
 
 
 
Ad aeternum


O braço britadeira sem distensão
Vence a libitina
O ancôneo idôneo
Copto do deserto de dentro
Dilatar a pirâmide intrínseca
Voltaremos ao pó
A imortalidade da metáfora
Perene as vicissitudes
Resistente ao resignável
Resiliência residual
Perpétuo perpianho
Precipício vitalício
Não precisa mais de vitamina
Inativam arredores
Inibir a prática.

                                                      EPR



Epílogo


Aqui está reclusa toda uma vida invisível: só deixou ver dela e de uma muda tormenta aquilo que permite ver a água adormecida na qual a lua pousa com melancolia.A água fantasia, brilha e pareceria um céu, tanto se adorna de silenciosas estrelas.
 Oh, isca desse espelho artificial! Aparência! Enganosa tranquilidade!
Sob a branca superfície imóvel, esta água sofre; antigas dores a congelam e obscurecem. Imaginem, sob a grama, uma velha sepultura cuja lembrança a morte, pouco morta, guarda.Oh memória, pela qual até os instantes claros são dolorosos e como enegrecidos por um lodo. A água se doura com o céu, o coro de juncos cochicha; mas a falta de felicidade durou tempo demais.E esta água que é minha alma, em vão pacificada, treme de uma dor que se diria um segredo, voz suprema de uma raça que desaparece, e lamento, no fundo da água, de sino afogado.


                 GEORGES RODENBACH

terça-feira, 25 de abril de 2023

Anagramas do ínfimo



Louvre


Sempre me considerei um poeta medíocre

Afinal, tenho levado uma vida tão torta que as tábuas de madeira do piso do meu quarto já estão há muito desencaixadas

Procurei inspiração no fundo de tantas e tantas garrafas, e no fim era só um punhado de palavras aglutinadas num papel qualquer

Bateram palmas, óbvio!
Mas alguém ouviu?

Há outros corredores no Louvre, e nem todos terminam num quadro famoso

Há bons e maus,
e terríveis e incríveis,
e tantas outras dualidades torpes e imbecis

Medíocre é questão de sorte
Genialidade, uma vaga mentira

Amor é uma constante,
que pode ser encontrada no final de qualquer corredor ou poema.

                                                                                                                                                                                     Guilherme Giesta

Zona de conforto


Limitado ao óbvio ramerraneiro

Toda ramescência para o enleio 

Não produz frutos

Enliçado pelo necídalo 

Invejo-o pela metamorfose

A dolência costumaz 

Não é um empecilho 

Cadilho para o rastilho
 
Contumélias redundantes não me afetam
 
Intragáveis apupos do intragrupo
 
Regurgito encômios 

Todo escárnio no escrínio
 
Faço do escólio meu sólio 

Meu valor é intrínseco
 
Vomito o caos para entreter a elite

Deixo escorrer dos poros a confusão que habita em mim, revelando ao mundo um turbilhão de sentimentos que me consomem

Não busco a compreensão do ledor

Mas sim a libertação da minha própria alma, pois é no caos que encontro a minha verdadeira essência

E se por acaso a minha arte conseguir tocar alguém

Que seja para mostrar que o caos também pode ser belo

E o que é considerado imperfeito pode ser a perfeição em sua mais pura forma.


                                                                                                                                                 EPR