sábado, 10 de dezembro de 2022

Ideogramas cáusticos


我不需要它

Escusado escudo cedido para gladiador
Quando tudo está dilargado
Vultuoso vulto
Ultor do revérbero

Rever o bero
Tudo o que foi ultracomprimido
Metáfora bigorna
Brigona por onde passa

Não vou idealizar Brígida
Tão rígida na seriedade da serifa
Vai esfiar o esfígmico
Todos precisam de férias

Principalmente aqueles sem coluna vertebral
Inverter o invertebrado
Até o brado se transformar em silêncio
Injungir o encerramento do processo de combustão espontânea da metáfora

Deixar o que derrete arder a pele
A parafina depois pode ser útil
Reciclar devaneios
Utilizar como utilitário para UTI.

                                           EPR

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Descrição de imagem

                      imagem da poetisa Marianna Perna

 Membranáceo


Nem tudo serve para ser membrana
A folha translada com a aragem
Daí vem a ideia do arame
A sutura

Cílios podem ser substituídos por algo hirsuto
Ambira na testa deixa tudo cálido
Teve queimaduras de 2º grau
Antes de virar borboleta

Concessão para a concha
Usar o olho como pérola
Apropinquar o mar longínquo
Aprontar-se para o dilúvio


Paroxítona veio à tona
Apesar de sua tonalidade ser adequada para o jazz
Respeita a jacente
Já sente o efeito da anestesia

Vislumbrara eflúvios
A incidência da sinestesia
A pétala odorífica
Contra o que tresanda

Confortável metáfora que afaga a nuca
Age como melatonina
Minuta contra o minuto
Não impede a mioclonia

Blandícias da blague
Blackout no âmago
Blastema entre o tema
A blástide do orto

Apoiar-se na aporia
Poria os fatos com pormenores
Piora a lassidão
A frase fica sem sentido

Reduzir a redundância
Até o estro voltar
A estrofe é acolhedora
Espera na alínea.

                        EPR


Quando me deito com a poesia.
E não há mais nome para o abismo que engole luz e sombra. Em um corpo único, arrastada além da dor e da carne. Existe e é real. Um leito de flores e palavras. Um caminho por entre o escuro do tempo, aberto com os dentes, com a força da mandíbula da vida.

                    Marianna Perna


Ela está de pé nas minhas pálpebras
com os dedos nos meus entrelaçados.
Ela cabe toda em minhas mãos,
ela tem a cor dos meus olhos
e desaparece na minha sombra
como uma pedra sobre o céu.
Tem sempre os olhos abertos
e não me deixa dormir.
Os sonhos dela à luz do dia
fazem os sóis evaporar-se,
fazem-me rir, chorar e rir,
falar sem ter nada a dizer.

                       Paul éluard

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Mais do mesmo

https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/10/23/ativistas-jogam-pure-de-batata-em-quadro-de-monet-10-dias-apos-van-gogh.htm


Nutrição

Xauarma para o escorço de Dali
Crocose para o cromado
Sem se preocupar com a glicose
É um período acerbo para todos

Sidra para o esquisso de Magritte
Sequioso ofereceu hambúguer a hamada
Sem se preocupar com a hamartrite
Só pode manducar depois da hambalita

Mandubi para o dúbio
Deglutir pressuroso
Sem engasgar
Faringe a se formar

O ambíguo pressurizado
Forja a gorja
Gorgaz contra o ineficaz
Sentir o sassafrás

Pixídio para o delineamento de Picabia
A papoula ajuda no relaxante
Sem se preocupar com a dependência
Há cabimento nas picardias
 
Ágar para debuxar Eileen
Íleo a se formar
Mesmo se for agargalado
Acolhe o agareno.

                                                        EPR  

sábado, 15 de outubro de 2022

Descrição de imagem


 https://www.uol.com.br/splash/noticias/afp/2022/10/14/ativistas-ambientais-jogam-sopa-em-girassois-de-van-gogh-em-protesto.htm


Xantofobia

Minazes girassóis
Moldura oculta petardo
Pevide com cicuta
Ajerus extintos

A égide de vidro preservou
O vítreo não absorveu o licopeno
Possível cancêr de próstata
Um corpo a se formar

Escorre como secreção
Vômito do ástomo
Faltou um átomo
Asto para o basto

Oigar o oídio
A estultice emergente
Sedição do sediço
Postiço motim

Não fui a exposição
Atarefado com ataqueiras
O ataque foi desnecessário
Amanhã a catarse.
 
              EPR

terça-feira, 4 de outubro de 2022

A inciclotropia para contemplar o incicatrizável

 

              Imagem do poeta surrealista Lawrence Ferlinghetti

Num ano surrealista
de homens-sanduíche e banhistas ao sol
girassóis mortos e telefones vivos
políticos amestrados repartidos em partidos
realizavam seu número de costume
no picadeiro de seus circos de serragem
onde acrobatas e homens-bala
enchiam o ar como um lamento
quando algum palhaço premiu
por pilhéria o botão de um cogumelo incomestível
e uma inaudível bomba de domingo
explodiu
surpreendendo o presidente em suas orações
no décimo nono buraco do campo de golfe
Oh era uma primavera
de folhas de peles selvagens e flores de cobalto
enquanto cadillacs caíam como chuva entre as árvores
encharcando com demência os relvados
e de cada nuvem de imitação
escorriam multidões múltiplas
de sobreviventes de nagasaki desasados
E ao longe perdidas
flutuavam xícaras
repletas com nossas cinzas.

Lawrence Ferlinghetti
trad. Eduardo Bueno

Continuação

Um lugar apropriado
A porcelana resolveu se rebelar contra a gravidade
Não terei sota na solta litofania
Talvez numa bilha
O bilênio de uma existência
Resquícios de bile
Tênue incineração
O vento espalha o boralho
A inciclotropia para contemplar o incicatrizável
Não quero me misturar com a fuligem
Até ser aspirado por algum pulmão
Aspirante do aspérrimo
A aspermia dos dias
Ou ser argueiro
Substituir sua pálpebra
Ressecar sua última lágrima
Tapulhe.

EPR


sábado, 17 de setembro de 2022

Anagramas edíveis

 Descrição de imagem

       Imagem do poeta surrealista francês René Char extraído do                         site http://www.poesianaalma.com.br



Branding

Nem tudo precisa de rótulo
O tórulo
Guardo a metáfora nesse tupperware
Até ela ficar edível
Sem sabor de papel
O capítulo será seu ergástulo
O plástico é confortável
O adejo virá do polímero
A potestade do estireno
Toda estirpe premeditada
A pecha foi extirpada
Aperfeiçoar como um aperiente
Ecfrático da ecfrenia
Ecforia ferócia de uma ecdise
Impecabilidade do impene
Impenetrado no impenitente
O impensado era algo plausível.

                             EPR

Imagem:Pombos em um canteiro de obras em Sussex usaram pedaços de plástico em seus ninhos : Matthew Irish

PRESENÇA COMUM


você tem pressa de escrever
como se estivesse em atraso com a vida
se for assim corteje suas fontes
corra
corra para contar
sua parcela de maravilhoso de rebelião de generosidade
de fato você está em atraso com a vida
a vida inexprimível
a única à qual você aceita se unir enfim
que lhe é recusada a cada dia pelos seres e pelas coisas
da qual custosamente obtém alguns fragmentos extenuados
ao cabo de combates impiedosos
fora dela tudo não é mais que agonia submissa fim áspero
se encontrar a morte durante seu labor
receba-a como a nuca suada se alegra com o lenço árido
inclinando-se
se quiser sorrir
ofereça sua submissão
jamais suas armas
você foi criado para momentos pouco comuns
modifique-se desapareça sem pesar
sob o desejo do rigor suave
rua após rua a aniquilação do mundo continua
sem interrupção
sem desvario

disperse a poeira
ninguém desvendará sua união.

                             René Char

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Sufixo determinante

Fuampa

Amparado com baixa amperagem
O amplexifloro sem amplitude era mais seguro
A ampola com benzatina
A cura

Agora que tens luz própria
Constela minha costela
A constrição
A bioplastia na panturrilha para saltar mais alto

Astrígera hetaira
Era heteranto
Entretanto poderia discutir outras alternativas
A heteronomia

Iatrina medica o Satúrnio
Anéis na sânie
Busca sanificar a sanisca
Na sanita a tisana

A sanja que busca para lágrima
Entupida com a franja
Sanofórmio ao foraminoso
Força o foranto.

                                                    EPR


As queixas de um Ícaro
  
Os amantes das prostitutas
São felizes, dispostos, fartos;
Quanto a mim, fraturei os braços
Por haver abraçado nuvens.
É graças a astros sem igual,
Que nos confins do céu flamejam,
Que meus olhos depauperados
Só veem recordações de sóis.
Inutilmente eu quis do espaço
Localizar o fim e o meio;
Sob não sei que olho de fogo
Sinto minha asa que se parte;
E a queimar por amor ao belo,
Não terei a honra sublime
De dar o meu nome ao abismo
Que me servirá de jazigo.

           Charles Baudelaire



Bocejo

Não abre a bocarra no meio da rua
Algum gamela pode querer construir um túnel
Agora sei que o brilho no olhar é pechisbeque
Farol de algum veículo

Não mostre todos os dentes
Vão marfinizar arredores
Masterização do masseter
O arnês da arnela

Do erétil engendraram um obelisco
Monumento em homenagem ao fecundo
Veneram a veneta
O venéreo de tuas extremidades.

                                                         EPR