sábado, 26 de fevereiro de 2022

Realismo Superado

 

imagem:Livraria Nobel devastada pós enchente em Petrópolis


Metacismo

Lama instruída
Tirocínio do declínio
Já pode discernir a disceratose
A discinesia dos membros

Faz memento
Metanoia era a meta
Quando a metabiose era iminente
Todo metacismo indagado

Talvez seja metacrose
Zaino a flaino
Quando tudo estava maino
Metafisicar a morte

Metafrasta que arrasta
Todo metal reluzente
Faz a metalocromia
Aprendiz da metaloplastia

A metáfora chafurda
Limo como arrimo
Dante sob a tenda
Augusto adaptou-se

Toda gula fez absorver Gullar
Descarte René
Inspirou-se em Descartes Gadelha
E criou suas cicatrizes submersas

Renée Zellwegger contra o silêncio
Antes do massacre
Quis homenagear a mãe do pintor surrealista René Magritte
Regina cometeu suicídio por afogamento no Rio Sambre.

                                                 EPR

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A involução da metáfora


O Assassinato de Schopenhauer

Eu venci da validade da caixa de leite
que virou creme
na porta da geladeira
Eu venci do pão de forma embolorado esquecido
no fundo do armário cheio de furo
cupim
Eu venci do arroz mofado que precisa
lavar a panela na pia de louça
almoço do dia seguinte
já fede

Eu venci
do pretérito perfeito de
vencer.

Apodreço a cada cuspida azeda
engolida a força pela garganta inflamada
estomatite faz bolha beirar os lábios
rachados de dor

Lepra espiritual derrubou senso de conduta
o físico desencapado para a alma desiludida
guiar
mas estou parada no meio da linha da vida
tentando derrubar um inimigo medieval
com armas de Schopenhauer

Mato Schopenhauer e a sua vontade
de fazer com a gente se mate
para chegar no Nirvana
mato todos os meus eus, mas não a mim
que me deixo vencer
fragmentar

Eu venci de mim mesma
minha gêmea má do conto de fadas
sem cavaleiro e sem resgate
estar vencida e ser vencida do narcisismo que
impus a mastigar igual bala de goma
com cárie nos dentes

Eu venci
e venci na ambiguidade do verbo
a batalha sangrenta sem herói
e deixo que as interpretações resgatem
a vaidade de me escolher
na insignificância do vazio fermentado
de pão caseiro saído do forno
Deixo
a conjugação de lado
nem infinitivo
infinito
ação e estado
sem data de validade
sem vencer
sem estar.

                                             Fabi Marcieli

imagem:mercado municipal Roterdã


Lugares onde nunca estive


Eu perdi para a ignorância
Tanto apedeutismo que atrofia o cérebro
Apedrejamento como pena máxima
Apegar-se a esse princípio

A derrota era iminente
Talvez em Roterdã o reconhecimento
Fuga de cérebros
Mudança de rota

Prostrado diante do Prostômio
O protagonismo exagerado causou desconforto
Sob a proteção do abstrato
Faltou uma proteína para a entropia

A insipidez da insipiência
A insistência pelo óbvio
Insinuar o insípido
Faltou o insight

Tanta inscícia
Fez regredir séculos
O espéculo não encontrou nada
Ainda ouvia-se o éculo

A metáfora passou a data de validade e se transformou em silêncio
Ninguém leu
Não teve críticas  
Cício de um suplício.

                                  EPR

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Descrição de imagem

 


                    

Ulisses

Não lati para a metáfora
Não rosna para o devaneio
Borrelhos não provocam a Borreliose
Carícia do tarso não é chute


Não atacar o atábulo
Inútil ataraú
Quando a ataraxia é eminente
Atardar o iminente


Unha aparada
Não oferece risco
A bromidrose redolente
Hálux aparente


Pés que não aguentam o peso da metáfora
Sesamoidite que não cessa
Preconizar a inércia
Sota não é derrota.


                                                 EPR

Imagem:Ruínas da sinagoga de Chechelnyk, aldeia onde Clarice nasceu.

Anagramas empedernidos


Cortina de fraga

Amegar a aragem

Acarretar a argema

Contra detalhes

Sem porta

Alta periculosidade

Periderme inerme.

  

                                                 EPR

sábado, 29 de janeiro de 2022

Descrição de imagem

 




Anagramas Cócleos


Caleço não monda
Nem faz calema
Se cale
E só pocema

Seu epacmo preterido
Algum dia será pretexto
E todo preto do meu quarto
Terá o cerúleo de seus olhos

Embora esta análise seja aplicável a qualquer norma certificável, geralmente é realizada para novos esquemas de certificação
Certeza do pouso da Cértia
Cerrucho do bucho não transborda
Limite para os navios

Exíguo Mar
Exigir a Exilária
As algas reproduzem-se rapidamente
Compensação pelo exício

Queria ser caracol
Faltou a valva
Válvula para controlar o fluxo do sangue
Valorizar o ínfimo.


                                                                EPR


Cloro


ainda me lembr_o
esse lugar para onde⠀⠀⠀⠀⠀fugi⠀⠀⠀⠀⠀ou quis fugir;

⠀⠀⠀⠀⠀o azul da piscina abandonada
⠀⠀⠀⠀⠀desbotando sob meus olhos

junto⠀⠀⠀⠀⠀solitário

esse lugar tão vazio⠀⠀⠀⠀⠀e em paz
tão vazio⠀⠀⠀⠀⠀quanto eu sempre quis

/o som das cigarras de fundo/

⠀⠀⠀⠀⠀o azul da piscina tão fundo
⠀⠀⠀⠀⠀quanto um⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀[espelho]
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀eu que conheço bem
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀a sensação de⠀⠀⠀⠀⠀me afogar

fui correndo para o cheiro⠀⠀⠀⠀⠀do teu cabelo
quando farejei ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀este perigo

⠀⠀⠀⠀⠀sinto falta
⠀⠀⠀⠀⠀de você reconhecer bem
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀[o medo]

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀pois sei ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀você ainda⠀⠀o ⠀⠀r e c o n h e c e
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀quando encontra⠀⠀⠀⠀o meu [corpo]
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀flutuando⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀por aí

                                                                              Laura Redfern Navarro

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Inspiração musical

 


Apneia


Engoli para ter algo lígneo

Lenha para a ignição

Engasgo iminente

Roço o caroço

Que agora faz parte do corpo

Não façam a manobra de Heimlich

Estou sentindo algo por dentro

Deixe o caroço substituir o coração

Será o prelúdio de algo

Algo floresce por dentro

Mais difícil para o dendrófobo esboroar

Esboiçar arredores

O local precisava de mais sombra

Sem esbórnias com a ambulatriz

Ambuí no Ambulatório

Fincar raízes

Sem ambulação.


                                                                                                                                                              EPR

sábado, 11 de dezembro de 2021

Associações impertinentes: A parede, a metáfora e a janela


Anagramas entômicos

Melhora com o melga

Emolhar até emolir o irascível

Albificar o Ficalbia

Ninguém fica estático durante a ressonância

Limagem do Limatus

Fósseis Entômicos

Entonar o entornado

Difícil respirar pela frincha

Fresta de aresta

Escoa da moldura uma listra bege

Invídia do inviável

Invicção pelo ínvio

Vida que segue

Acolitar jaças

O jaçanã pela janela

A metáfora como rebo

Quebra o vítreo.


                                                        EPR






MANCHAS NA PAREDE

Antes que caia a noite total
havemos de estudar as manchas na parede:
umas parecem plantas
outras assemelham-se a animais mitológicos.

Hipogrifos,
dragões,
salamandras.

Mas as mais misteriosas de todas
são as que parecem explosões atómicas.

No cinema da parede
a alma vê o que o corpo não vê:
homens ajoelhados
mães com criaturas nos braços
monumentos equestres
sacerdotes erguendo a hóstia:

órgãos genitais que se ajuntam.

Mas as mais extraordinárias de todas
são
sem dúvida alguma
as que parecem explosões atómicas.

Nicanor Parra

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Descrição de imagem


 

A equidade dos equídeos


Seu probóscide sorve a lágrima

Impõe um regozijo inexistente

Poderia causar seu exício

Fechando a pálpebra

Cílio como utensílio

Arrostar o ínfimo

Cuidado com a nictação

A equidade dos equídeos

Introduz o catrapus na inércia do dia

O nitro contra o silêncio

Mostra que a metáfora continua indomável

Insurgente Insumo

Ao coicear coincidências

Exigir o lídimo

Sinequia de uma sinergia imponente

Aderência da íris com a metáfora.


                                                           EPR