sábado, 29 de janeiro de 2022

Descrição de imagem

 




Anagramas Cócleos


Caleço não monda
Nem faz calema
Se cale
E só pocema

Seu epacmo preterido
Algum dia será pretexto
E todo preto do meu quarto
Terá o cerúleo de seus olhos

Embora esta análise seja aplicável a qualquer norma certificável, geralmente é realizada para novos esquemas de certificação
Certeza do pouso da Cértia
Cerrucho do bucho não transborda
Limite para os navios

Exíguo Mar
Exigir a Exilária
As algas reproduzem-se rapidamente
Compensação pelo exício

Queria ser caracol
Faltou a valva
Válvula para controlar o fluxo do sangue
Valorizar o ínfimo.


                                                                EPR


Cloro


ainda me lembr_o
esse lugar para onde⠀⠀⠀⠀⠀fugi⠀⠀⠀⠀⠀ou quis fugir;

⠀⠀⠀⠀⠀o azul da piscina abandonada
⠀⠀⠀⠀⠀desbotando sob meus olhos

junto⠀⠀⠀⠀⠀solitário

esse lugar tão vazio⠀⠀⠀⠀⠀e em paz
tão vazio⠀⠀⠀⠀⠀quanto eu sempre quis

/o som das cigarras de fundo/

⠀⠀⠀⠀⠀o azul da piscina tão fundo
⠀⠀⠀⠀⠀quanto um⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀[espelho]
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀eu que conheço bem
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀a sensação de⠀⠀⠀⠀⠀me afogar

fui correndo para o cheiro⠀⠀⠀⠀⠀do teu cabelo
quando farejei ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀este perigo

⠀⠀⠀⠀⠀sinto falta
⠀⠀⠀⠀⠀de você reconhecer bem
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀[o medo]

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀pois sei ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀você ainda⠀⠀o ⠀⠀r e c o n h e c e
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀quando encontra⠀⠀⠀⠀o meu [corpo]
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀flutuando⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀por aí

                                                                              Laura Redfern Navarro

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Inspiração musical

 


Apneia


Engoli para ter algo lígneo

Lenha para a ignição

Engasgo iminente

Roço o caroço

Que agora faz parte do corpo

Não façam a manobra de Heimlich

Estou sentindo algo por dentro

Deixe o caroço substituir o coração

Será o prelúdio de algo

Algo floresce por dentro

Mais difícil para o dendrófobo esboroar

Esboiçar arredores

O local precisava de mais sombra

Sem esbórnias com a ambulatriz

Ambuí no Ambulatório

Fincar raízes

Sem ambulação.


                                                                                                                                                              EPR

sábado, 11 de dezembro de 2021

Associações impertinentes: A parede, a metáfora e a janela


Anagramas entômicos

Melhora com o melga

Emolhar até emolir o irascível

Albificar o Ficalbia

Ninguém fica estático durante a ressonância

Limagem do Limatus

Fósseis Entômicos

Entonar o entornado

Difícil respirar pela frincha

Fresta de aresta

Escoa da moldura uma listra bege

Invídia do inviável

Invicção pelo ínvio

Vida que segue

Acolitar jaças

O jaçanã pela janela

A metáfora como rebo

Quebra o vítreo.


                                                        EPR






MANCHAS NA PAREDE

Antes que caia a noite total
havemos de estudar as manchas na parede:
umas parecem plantas
outras assemelham-se a animais mitológicos.

Hipogrifos,
dragões,
salamandras.

Mas as mais misteriosas de todas
são as que parecem explosões atómicas.

No cinema da parede
a alma vê o que o corpo não vê:
homens ajoelhados
mães com criaturas nos braços
monumentos equestres
sacerdotes erguendo a hóstia:

órgãos genitais que se ajuntam.

Mas as mais extraordinárias de todas
são
sem dúvida alguma
as que parecem explosões atómicas.

Nicanor Parra

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Descrição de imagem


 

A equidade dos equídeos


Seu probóscide sorve a lágrima

Impõe um regozijo inexistente

Poderia causar seu exício

Fechando a pálpebra

Cílio como utensílio

Arrostar o ínfimo

Cuidado com a nictação

A equidade dos equídeos

Introduz o catrapus na inércia do dia

O nitro contra o silêncio

Mostra que a metáfora continua indomável

Insurgente Insumo

Ao coicear coincidências

Exigir o lídimo

Sinequia de uma sinergia imponente

Aderência da íris com a metáfora.


                                                           EPR

sábado, 2 de outubro de 2021

A epífise da metáfora


IMPOSSÍVEL SENTAR-SE DIANTE DE TANTAS CADEIRAS


que aguardam o momento

em que serão úteis

as costas espalmadas são pacientes

podem ficar para sempre na espera

os pés das cadeiras quando tombam

apontam para cima

são insetos de casca redonda

que não desviram sozinhos.


                                          Alice SantAnna




Sem escólio para a escoliose

Não quero nenhum análise de minha nalga
Pode sentir o estiramento da coxa
A anquilose do quadril
A cesura do sartório
A diástase do ílio
A epífise da metáfora
Condicente côndilo
Antes acelifo
Sem glifo do cifo
Lapidar da giba a gibbsita
Sem ostentação da osteíte púbica
Roçar o ísquio no tábido
Pode escarafunchar a escara
Escrutinar a escrófula
Sem escólio para a escoliose
Prumar a inércia
Não esmorecer ante as vicissitudes.

                                                         EPR

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Anagramas hipocondríacos

 



Amostra grátis


o que acabaria
com a dor
com a ferida
com o dia

espelhinhos por tesouros
iluminações nas entrelinhas
varandas para o nada


acabaria o dia assim
do nada
mais um dia assassinado


feito e finado
a sina não tem nada de limpa
o olhar nas ondas e a espuma branca no copo de cerveja


a ferida fincou
no chakra raiz
da hérnia dessa lida


no que me acabaria
na luz matutina, nos olhos no oceano
na virada do sonho à vigília


lá fora uma brisa boa
aqui dentro o calor do dia
o presente se faz enfeite


regalo de D’us
plataforma do sonho
abrigo do infinito


acabaria sem saber
onde porque e como
a  janta servida



abrigo de mim
acabaria
cantando pra ti



Rodrigo uriartt



Descarte inapropriado de refugos


Não sei se quero a cura
Convalescença com convalamarina
A curadoria é da solidão
O curanchim de japim que se formou
Semeia-se em um jardim onde rapidamente produz a autodisseminação
Está metáfora está imbuída em curare
E não se podia recuar
Diante da cruera
Cruelmente cruentar arredores
Safenar um coração que já parou
Deixando tudo sáfeo
O fluxo sanguíneo foi restabelecido
A posição vertical da curva está diretamente relacionada com a concentração de pigmento
Pigmeus estão por perto
Eles sabem como rastrear uma metáfora
Pigro sigro
Para se esquecer.

                                                    EPR



Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Paulo Leminski

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Menear a Menencoria

                           

imagem:mão da poetisa Noi Soul


Cinestesia



Simples aceno
Espero o cumprimento
Muito depende do comprimento da extensão
Seu corpo é comprimido lateralmente no contorno circular
Contorce o Contínuo
Braço lasso
Um higroma no cotovelo
Arpoar com o carpo
Mão láparo
Ás vezes pássaro
Pato apto ao patível
Cairina febrífugo
Podemos interagir por gestos
Menear a Menencoria
Corria se não fosse a inércia
Corria-se risco de introduzir elementos de desordem
Seguir estritamente a coreografia
Quando a metáfora é dedilhável
A unha faz cócegas
Queratinização da querela.

EPR





Manibus

Crio a vida
Manibus
Rogo a Deus
Manibus
Ergo a face
Manibus
Sonhos meus

As linhas que brincam
Nas manus
O sangue que (es)corre
Nas manus
As dores que deitam
Nas manus
O tempo que morre
Nas manus

Ela conduz o meu corpo
Dança o que a alma sente
Ela que esconde o meu rosto
Sorve o mundo inclemente

Manibus
Crio a face
Manibus
Rogo à vida
Manibus
Ergo a Deus
Manibus
Sonhos meus 

Noi Soul