sábado, 24 de abril de 2021

Anagramas florífagos


Fipronil

Sem polinização
Faltou peônia no péon
Open mind to chaos
 Talvez sobreviva com a anemofilia 
 Açular Açucenas
 Sem bacarija para a alantíase
 Sem o taráxaco para a curuara
 Sem crinômiro para a cura
 Lírios ressequidos no jardim
 Antúrio espúrio
 Anterior à crise
 Guirlanda sem Gerbera
Estema sem Tulipa
Prímula na rímula
O sufixo rebusna
Simula estar tudo bem
Holograma de grama
Ilusão de sua presença.

                        Ednei Pereira Rodrigues

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Penúltimos anagramas



A sutura

Cerzir a erzipela
Pela metade ninguém quer
Pelando a Pelanga
Zipra como Zila
Izar a palavra
Um pouco de humanidade
E o que todas querem
Metáfora exigente
Não vou redarguir
A redação cheia de redabes
Não respeitaram meu silêncio
Não tinha percebido o motim
Não vou rejeitar
O mesmo destino dos rejeitos
Não vou renuir
Reunir todas as minhas virtudes
Será meu espólio
Está no seu direito
Não querer a diorite
Preferir um ditério
Reivindicar a tiroide
Vai precisar de muito tirocínio
Os benefícios da instrução.

                  Ednei Pereira Rodrigues



sexta-feira, 9 de abril de 2021

Anagramas derradeiros

 
Fremente

Cacoépia prefixal neológica
Mente livre de preceitos
Surgiram revesses
Por isso o reverso
A revessa ótica
Vessa ás vessas
Toda essa ignorância
Talvez algum dia eu entenda
Daí podemos esquecer
O que mais me incomoda e esse existencialismo
A exitância do exitélio
Are you sure you want to Exit?
Pretendo ficar mais um pouco
Ainda vai demorar para o êxito
Mas não se incomode com minha presença
Sou imperceptível na contundência imperativa de suas ideias
Ainda há um império para conquistar
Jamais terá meu ptério
Perito em insânias
Preito aceito.

                    Ednei Pereira Rodrigues  

sábado, 3 de abril de 2021

Anagramas fragorosos


 
"Na vida, nada se resolve, tudo continua. Permanecemos na incerteza; e chegaremos ao fim sem sabermos com o que podemos contar".

André Gide


Incertezas que me afligem

Ragtime contra o silêncio
Feita a triagem, acalmaram-se
O corolário virá depois
Sem cor
Ragura de um dia
Isto ou Istmo
Isso ocorre porque, na releitura do que foi escrito, vamos identificando outras formas de passar a mesma informação
A inércia não deixou
Era pra ser iço
Daí a preferência de agir por escrito a fazer uma declaração pública
Ainda cabe recurso da decisão
Isso demonstra total falta de equilíbrio
A metáfora precisa de um supedâneo
A queda
Poderá rastejar pelo chão
Vontade de ser réptil
Poderá definir as suas preferências
Depois do fim, na próxima
Outro assunto.

                    Ednei Pereira Rodrigues


"A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre".
 Oscar Wilde

sábado, 27 de março de 2021

Arável Arvela

                                    

Efemeridades

Hoje plantei melancias
Melancolia era adubo
Melanêmese da noite que ingeri
Foi penetrando através dos poros
Não tinha reparado o melântemo ao redor
Cumarina para Acuminar
E a melanúria não servia para rorejar
O prefixo era dúlcido
Mas o conteúdo acerbo
Espero que a colheita seja profícua
A metáfora está famélica
Talvez seja falta de cálcio
O intestino não absorveu o zinco
Capacidade cognitiva pusilânime
Aprovado por decisão unânime
O silêncio.


Ednei Pereira Rodrigues


***A cumarina presente na camomila(melântemo )potencializa o efeito de medicamentos anticoagulantes, como a varfarina, aumentando o risco de hemorragias internas e levando a graves complicações. Além disso, o pólen encontrado em certos preparados de camomila podem desencadear reações alérgicas em alguns indivíduos.

sábado, 20 de março de 2021

Anagramas do ínfimo


O VERME E A ESTRELA

Agora sabes que sou verme.
Agora, sei da tua luz.
Se não notei minha epiderme...
É, nunca estrela eu te supus
Mas, se cantar pudesse um verme,
Eu cantaria a tua luz!

E eras assim... Por que não deste
Um raio, brando, ao teu viver?
Não te lembrava. Azul-celeste
O céu, talvez, não pôde ser...
Mas, ora! enfim, por que não deste
Somente um raio ao teu viver?

Olho, examino-me a epiderme,
Olho e não vejo a tua luz!
Vamos que sou, talvez, um verme...
Estrela nunca eu te supus!
Olho, examino-me a epiderme...
Ceguei! ceguei da tua luz?

PEDRO KILKERRY




Nobilitar o labirinto

Tens um pouco de verme
Todos nós temos
Depois com toda empáfia
Nobilitar o labirinto

Ascoitar o asco
E o ascoma no remo
Permitiu uma viagem mais longa
O Mar não permitiu a libido

Tens um pouco de Priapulida
Pelo que não foi polido
Vernizar toda Vernizeira
A polidez do polídimo

Já pode ser político
Déspota de um leixão
Foi a leixa da metáfora
Proselitismo não aceito

Objeto de admiração e ojeriza
Ela é um poderoso argumento de marketing
E, ao mesmo tempo, uma fonte de desconfiança e repressão preventiva
Tens o logro

Já que é servo do verso
Lacaio do lacanhal
Sabujo do arujo
Vassalo do vasto

Não podia se esperar muito
De uma estrela prestes a explodir
Não sou exigente
Só queria um vislumbre.

                            EPR


O DEUS-VERME

Fator universal do transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na miséria,
Verme - é o seu nome obscuro de batismo.

Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.

Almoça a podridão das drupas agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...

Ah! Para ele é que a carne podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção!

AUGUSTO DOS ANJOS

quinta-feira, 11 de março de 2021

Reptilário Reptante

 


Répteis

Se houver tempo
devolve a poesia aos répteis,
deixa que ela se estenda ao sol
e infle os pulmões sobre as costelas
rústica, algo quebradiça
mas a bem da verdade,
inocentada desses e de outros adjetivos.
Se houver tempo
devolve os répteis aos répteis
as matas à sua filigrana
o pântano às suas poças
os mares à sua luz.
Devolve o humano ao seu
um tanto quanto ave, réptil, anfíbio
parentes há quatrocentos milhões de anos
capaz de se espraiar pelo tempo de vida
que ainda houver.
E saber que ela também se passa
de graça e à toa
enquanto estranhos fantasmas
degolam-se uns aos outros
nos subsolos dos distritos financeiros
e sempre chegam tarde para o jantar

Adriana Lisboa



Agalmatofilia


Vou doar meu prêmio jabuti para uma tartaruga solitária
Não fui na solenidade de condecoração
A ovalização por causa da ovação
Quero aplausos do silêncio
Devagar se vai ao longe
Culpo a clidarga pelo clichê
O clima subtropical
A reira pelo cágado
O cajado ajuda o rengo
Mas não o rego
Sem regras
Para aquele que rege uma metáfora
Quando tudo desanda
Troco minha cadeira por um dacito
Para exortar o desmoronamento
Degressivo que degringola
Abdico de minha lucidez
Preciso da amência
Para terminar essa poesia.

Ednei Pereira Rodrigues