quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Mais do Mesmo

O silêncio 


O silêncio é lacônico 
Lacra espaço de convivência 
Acral ao que se pensa 
O crawl afoga a metáfora 

O silêncio é conciso 
Sem siso 
Toda agelia da rânula 
Anular qualquer tipo de regozijo 

O silêncio do rególito é constrangedor 
Consta o constante nos autos 
A palestra teve que ser cancelada 
Por causa do lóquio 

Colóquio sem coloquialismo 
Sem colofão 
O prefixo grudento 
É resina de uma floresta devastada 

A metáfora não se aderiu a poesia 
Adermia de adrede 
Um corpo tentando se formar 
O silêncio é ensurdecedor.

                  Ednei Pereira Rodrigues

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Anagramas silentes



Nenhum comentário

Actinômetro seria mais útil
O Sol já está tisnando
Proferido a profecia 
Não possuía proficiência sobre o assunto 
Laconismo Lacoso
Incentivo para o autor parar 
E se dedicar ao dedilhável
Talvez bricolagem
Pantomima para pantear
Ensinar um outro idioma ao silêncio
Aramaico ao Aramo 
A dedução se aplica a esse percentual em espécie 
O entendedor era um entenal que voou longe
Élitro para o leitor
Troile migrando
Afiguração do aficionado
Nenhum cílio provocando riso na metáfora
Sequer um insulto
Vacuidade que transcende.

                            Ednei Pereira Rodrigues

sábado, 17 de outubro de 2020

Anagramas Mitológicos



Centauro 

O prefixo estava cansado 
Acabou cedendo ao sedentário 
Folga para a folerite 
Sota para o sotaque 
E com a ajuda do silêncio 
Ninguém vai perceber a dislalia 
Era a inércia atuando 
Atundo para atundir 
Não podia fazer nada 
Sentar e esperar 
Apraz Apraxia 
Rapaz você está estranho hoje 
Ela disse, e foi embora 
Era a solidão operando 
Diálogo Dialúrico 
Colóquio sem coloquialismo 
Era o silêncio agindo.


                          Ednei Pereira Rodrigues

sábado, 10 de outubro de 2020

Descrição de imagem

imagem:homem à deriva ao olhar para si — Susano correia

Acometido pelo óbvio

A ideia era que ninguém seja obrigado a pensar 
Bisar um adjetivo 
O bisão nem vai perceber 
A disciplina do discernimento 
Não perder o tino 
Atinado com a tinoada 
Vou relatar o relapso 
Sem relar a metáfora 
Narrar o naru 
Réplica ao pilecra 
Ofereço a escassa doçura do irracional 
Seu prefixo apídeo contra o amargo 
Irá a algum lugar 
Simplório pilorismo 
Por isso a explanada 
Ainda dava para ver a esplanada 
Pós-esplancnectopia 
Esplandecer o Esplenoma 
Miragem que vem de dentro. 


                           Ednei Pereira Rodrigues

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Anagramas marroazes



Perdas

O mar que é um só não é um
E tu és tu mesmo no metal refulgente
De minhas primeiras versões
Antes de resvalar em minha placenta arrependida
E cair de boca sobre o chão
E dali perder o pâncreas procurando o relógio
E escutar rodar meus olhos pelas escadas
E tu és um só através de órbitas vazias
Brilhas ao escuro como a palavra destino.


                           Gisella Aramburu



Corpo da solidão em formação

Acrobacia

Era acro a pelve
Talvez alcatruz
Traduz o que eu penso
Intérprete do Interposto 
Por intermédio do nédio
Contra o escuro 
O assédio da acrocianese 
Espero sua intromissão com sinatroísmo
Seu acrocordal era acordo com o tordo para o adejo
E o vagido vem do acrocório
Sem cório fica difícil o rócio
O pancismo por causa da agenesia pancreática 
A pancárpia sob a pancardite 
Era lânguido o languenho 
Sem rim mas com rima 
O rímel começou a escorrer por seu rosto 
A rimose do mísero 
Iremos aonde com tudo isso?
Somewhere else.

                                Ednei Pereira Rodrigues

Banho de bacia

No meio do quarto a piscina móvel
tem o tamanho do corpo sentado.
Água tá pelando! mas quem ouve o grito
deste menino condenado ao banho?
Grite à vontade.

Se não toma banho não vai passear.
E quem toma banho em calda de inferno?
Mentira dele, água tá morninha,
só meia chaleira, o resto é de bica.

Arrisco um pé, outro pé depois.
Vapor vaporeja no quarto fechado
ou no meu protesto.
A água se abre à faca do corpo
e pula, se entorna em ondas domésticas.

Em posição de Buda me ensaboo,
Resignado me contemplo.
O mundo é estreito. Uma prisão de água
envolve o ser, uma prisão redonda.
Então me faço prisioneiro livre.
Livre de estar preso. Que ninguém me solte
deste círculo de água, na distância
de tudo mais. O quarto. O banho. O só.
O morno. O ensaboado. O toda-vida.

Podem reclamar,
podem arrombar
a porta. Não me entrego
ao dia e seu dever.

                 
                Carlos Drummond de Andrade            

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Realismo superado

Eu não coleciono mais nada, meu apartamento é pequeno…

O colecionador

Doei minha coleção de vinis ao silêncio 
A coleção de bicicletas para a inércia 
A areia da ampulheta para o deserto
A pirexia para Antofalla 
A cefaleia para o acéfalo 
A coleção de carrinhos em miniatura para as formigas 
A coleção de selos para a distância 
1kg de sal para a saudade construir um Mar e tentar afogar a metáfora 
2 litros de lágrimas para o cirro 
Acúmulo desilusões 
Coleada solidão 
O prefixo era pra grudar mesmo 
Adesivo ao esvaído 
Resina resistente a resiliência 
Dano com o ládano 
Benjoim é quase um ósculo 
Afeto inventado. 


                                  Ednei Pereira Rodrigues

***Antofalla:é um vulcão ativo na Província de Catamarca, na Argentina. Encontra-se a oeste do Salar de Antofalla. Ruínas incas podem ser encontrados na cume do vulcão,[1] conformando o que os arqueólogos chamam de "Apachetas" que são uma espécie de altar de adoração Inca. Tal Apacheta oferece a prova definitiva de inúmeros escaladas pré-colombiana. Possui 6.437 metros e três picos. Antofalla é uma palavra composta da língua Cunza e significa: o lugar onde o sol morre.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Semântica Variável do que se sente

 

Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Paulo Leminski



PAIN 

Em francês é edível 
O trigo anagramático contra o silêncio 
Grife para a grief 
Louvável o esforço 
Não precisava de tudo isso 
Luxo para um debuxo 
Pompa para o que estrompa 
Rompa com a resistência do óbvio 
Ostenta a ostealgia 
O latejo foi como um sismo 
Não culpe o rebo por causa da rebocrania 
A hemicrania prefixal 
E a metade de suas perdas 
A cefaleia em pupa 
Transformou-se em céfala 
A enxaqueca prefixal queria encher o espaço vazio 
Saturar anagramático para se atrusar no vácuo 
Surtara antes do sol a pino 
Antes da heliose será sombra. 

                            Ednei Pereira Rodrigues