terça-feira, 24 de setembro de 2013

Escuro Cintilante



Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...

— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.
Arthur Rimbaud



Sol da meia-noite

The sun sundo  
Cálida Calipígia
Equinócio equilibrador
A Insolação Insolente
Ofusca a lente
Sol solapado
O recôndito dito nas entrelinhas
Solaz para o técnico
Sem motivos para a Aurora
Prélio no Periélio
Afeto só no afélio
Febo como ebonite
Não se precipite para o precipício
A metáfora que se ancora para o Náufrago
Frago da Noite
Dilúculo ridículo
Embora o Sol esteja a pino
Inópia vontade
Com o advento da vaidade
Anagramas para aparar a poesia
Espião do abstrato
Malsim do não sentimento
Negação do rutilo
Asfixiar o néctico
Para se tornar íntimo do Mar.

Ednei Pereira Rodrigues


Glossário Insólito:

sundo:assento(nádegas)

Calipígia:Sinônimo para sundo.
Equinócio:s.m.Época do ano em que o Sol, em seu movimento próprio aparente na eclíptica, corta o equador celeste, e que corresponde à igualdade de duração dos dias e das noites.
solapado:oculto.
recôndito:esconderijo.
Solaz:distração.
Prélio:guerra,luta.
Periélio:Astronomia. Momento, instante, em que um astro se encontra, em sua órbita, mais próximo do Sol.
afélio:O contr. de periélio.
Febo:Sol
Febonite:Borracha vulcanizada, usada na indústria elétrica por suas propriedades isolantes.
Frago:vestígios.
Dilúculo:Alvorecer.
Inópia:Escassez.
Malsim:Sinônimo para espião.
Rutilo:brilhante
Néctico:pode flutuar.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ecopoema


Dispersão - Mário de Sá-Carneiro 

Perdi-me dentro de mim 
Porque eu era labirinto 
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

O pobre moço das ânsias... 
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas ânsias.

Como se chora um amante, 
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante 
Que se traiu a si mesmo.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.



 Rumor sem Rumo

Eu dedilhava o dédalo
Tanger a Tangerina
Profundo afeto ao abjeto
Todo ímpeto de adejar é quieto
Aflige a rêmige
O hirto secreto
O vertical
Dentro da vertente arquitetônica
A lógica botânica
Temo o crisântemo
Eu eucalipto
Calisto espero o serrote
Uma fotossíntese artificial
A  cifra  da crisálida
É lida pela pupila
Se não decifra a pupa
Ela punge
Interpretável intestino
Aquele que recogita
A Ostra
Para polear a pérola
Aquele que cogita o breu.

Ednei Pereira Rodrigues


Glossário Hermético

Dédalo:labirinto
Abjeto:Característica ou que é baixo; ignóbil. s.m. Pessoa que possui essa característica; sujeito desprezível.
Rêmige:Cada uma das penas maiores das asas de uma ave.
Hirto:Duro,ereto.
Calisto:má sorte.
Cifra:código
Crisálida:Terceiro estado do ciclo de vida da borboleta. Quando a lagarta atinge o seu desenvolvimento completo, solta a pele e produz a dura casca protetora da crisálida.
Pupa:sinônimo para crisálida.
Punge:Pungir(verbo)ferir.
Polear:Dar tratos de polé a...Fig. Qualquer coisa que aflige ou atormenta.






sábado, 31 de agosto de 2013

Notícia Poética


Medicina Cubana

Colostomia Colorida
Quando o fardo é pardo
Drenar o pranto
Aguardar o parto
Sorver o colostro
Descarto a volúpia
O volume do lume
A escassa escatologia
Uma ilha dentro de uma vasilha
Uma estepe oculta na estepe
Abismo cura este Lirismo dartoso
Estetoscópio para ouvir o estéreo

Quando tudo é etéreo
O átrio no adro
Ainda tinha pulso
Autêntica Autopsia
Vísceras enroladas em charutos
Distribuo Distúrbios.



Glossário dos termos Fósmeos:

Colostomia:Formação cirúrgica de um ânus artificial no cólon, através da parede abdominal.
Colostro:Líquido amarelado e opaco segregado pela glândula mamária durante o período final da gravidez e os primeiros dias depois do parto.
Estepe:Extensão semidesértica com vegetação xerófila, das regiões tropicais e das de clima continental semi-áridas.
Estepe 2:pneu reserva
Dartroso:referente ao darto(herpes)
Etéreo:adj. Da natureza do éter: substância etérea.Que tem o cheiro de éter.
Fig. Que tem algo de delicado, de aéreo, de muito puro: criatura etérea.

Átrio:aurícula do coração
Adro:pátio

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Analogias Suspeitas





A Lesma

Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a

lesma deixa risquinhos líquidos...

A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as

palavras

Neste coito com letras!

Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se

Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma

escorre. . .

Ela fode a pedra.

Ela precisa desse deserto para viver.


Manoel de Barros



Extrema-Unção

Uma lesma a esmo
Para esmorecer a bulha
O estouro da bolha
Olha o futuro bolor
O visco voltou ao aprisco
Como licor
Como uma língua limácidea
Ungido mais nítido
Persignar o respingar
Anagramas aparando a grama
Como vacas na vacância
Ordenhar o ordinal
Fim das algas no seu lago
Algarismos quando o raciocínio é ilógico
A álgebra que quebra a vértebra
Franquias para Franz Kafka
Relativo às aftas
Redução ao vácuo
Auxílio mútuo
Mas a mutapa, o zéfiro não conseguiu levar
Um mútico espera o árido.
  
glossário dos termos estrambóticos:

Aprisco:fig.família,casa.
Bulha:barulho
limacidea: Relativo as lemas
Persignar:benzer
Mutapa:ilha que a correnteza arrasta
Mútico:Liso
Zéfiro:Vento




sábado, 3 de agosto de 2013

Monocromático



ICEBERG (Paulo Leminski)

Uma poesia ártica,
claro, é isso que desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não. Nenhuma,
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?).
Sim, inverno, estamos vivos.



Nivelar o níveo


Tudo é lepra

Qualquer matiz lépida

Contém caligem

E o verniz que escorre do nariz

Para brunir a bruma

Flocos de neve para florir mogorim(rosa branca)

Todo remorso no dorso

Avalanche para avaliar o grau da chaga

Isopor para iceberg falso

Alude para ludibriar o lúgubre

Eclipsar a cretina retina

Encanecer é necessário

Extrair o látex que corre por minhas veias

Borracha que não extingue achaques

Madeira para o ádito dentígero que range

Hipotermia como hipótese

Para convalescer da cirurgia total de prótese.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Natureza Morta



Primeiro tudo que me inspira:

Solitário

Como um fantasma que se refugia

Na solidão da natureza morta,

Por trás dos ermos túmulos, um dia,

Eu fui refugiar-me à tua porta!


Fazia frio, e o frio que fazia

Não era esse que a carne nos conforta...

Cortava assim como em carniçaria

O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!

E eu saí, como quem tudo repele,

- Velho caixão a carregar destroços -




Levando apenas na tumbal carcaça

O pergaminho singular da pele

E o chocalho fatídico dos ossos!
Augusto dos Anjos





Inscrição para uma Lareira


“A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida…”

Mario Quintana





A solidão mostra o original,a beleza ousada e surpreendente,a poesia.Mas a solidão também mostra o avesso,o desproporcionado,o absurdo o ilícito.
Thomas Mann


Agora de minha autoria:




Verde Escuro

Acesso o avesso espesso
Regresso ao espiral
O Conserto da concha
Simples silêncio
Isolamento acústico
Quando tudo é cáustico
Não foi a fênix
Escorre látex no lençol freático
O fragor da franja
Tudo que freia
A síndrome da sirene
Ninguém buzina para os búzios
Por esta freima
Cautela no caule
Pois os troncos estão retorcidos
Para um ângulo oblíquo.






sábado, 22 de junho de 2013

Para Dilma Roussef


Dilma seja diligente
Saia desse dilema
Estandarte prestes a se dilacerar
Sua pupila vai se dilatar
O lema da lesma
Paulatino progresso
Meu protesto contra esta profusão
Propenso a propelir um burgau à burguesia
Oprimo o opimo
Vândalo com ideias de vanguarda
Contra seu vaníloquo
Insurreição  para insuflar um vento insurgente
Inspiração que vem desse instinto de mudança
Não seja mundana
Tenho munição para essa metamorfose
Um método menálio
Eficaz ao seu mendaz meneio
A metade do meteoro.