domingo, 23 de janeiro de 2011

Chape Literário


Ictiologia

Desfilava cheio de ângulos
O desfiladeiro imaniza chispes
Chistes por causa da laringite
Ontem brami por você
Chispei como peixe fora da água
Mágoa que poceia as magnólias
Agora tudo diflui
Não pise em meus cogumelos!
Ela posou para uma foto
A analógica não peiou a foz
Só o ananaseiro
A digital não mostrou sua dignidade
Dilacerou o distilo
Grãos transgênicos não podiam mais ser exportados
E eu tinha que exibir algo à clientela
Como uma alínea não alivia
Então entalho o entardecer
Alimento para os cupins
Hoje chirrio
E o chitau te substitui.

Ednei Pereira Rodrigues

domingo, 16 de janeiro de 2011

Melhor continuar na hibernação


Delíquios

Sincopado mas sincero
Prefixo positivo
Tardou a dar o sim
Precoce talvez
Negação já é clichê
Nem a luz nem a sombra
Néon nemoral
Um eflúvio
Sobre o próprio vômito
Submerso
Para tudo ficar subentendido
Volutabro tábido
Esterquilínios entre um estertor
Estéreo do esterno que rompe
Compele a pele
Mais um flebo ilaqueado
Com o raiar do febo
Antes solífugo
Ilhargas igual a ilha
Atol sobre a vértebra atlas
Através do átrio
Frágeis ilécebras
Resistentes a tanta quizila
Não precisa-se de muito para perder a noção do tempo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM PÓS-HIBERNAÇÃO



Hemiedria

Objeto Abjeto
Não luzo
Abjuro o abajur
O cancro do candelabro
Inumo
Inúmeros helmintos
O hematoma
A hérnia
Herpes na película
O filme era ruim mesmo
O limo na língua
O estilo barroco
A argúcia da argila
Arguíram-no de assassino
Simples símio
Assaz de liberdade
A sursis.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ausência


O cátulo ladra para a latência
Fique longe
Lapônia no láparo
Até a distância
Lapidar à laringe
Distorcer o sentido da palavra
Lá se foi minha última esperança
Algum distúrbio
Que seja túrgido
Para compensar a displicência
De um dia lasso
Dispensado mais um desamor
Diáfano no diafragma
Fragmentos do frágil
Hábil até o hall
Onde o hálux tem alergia ao háfnio
Alegria com a habanera
Era harto
Agora a habena é habitual
Há pouco o que dizer sobre tudo
Haplologia como ideologia.

sábado, 25 de setembro de 2010

Augusto dos Anjos



Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!



Adoxografia

elogio de pessoas ou coisas que não o merecem


Estrábico não vês que é estranho
O estanho como substância adstringente
Admirável adipocera
Adjacente ao adro
Sua adipose
Só tem pose
Posses possíveis
Estrebucha o bucho no estreito
Mais um quimera em meu quintal
Mera coincidência
Mira coníferas
Análagos cones
Sem adrego
Isto está em persistir em desânimo
Fiz apartes para o apático
Fiz aquilo adrede
Premeditação como prêmio
Para o prelúdio da preguiça
E o prélio?
Armistício para o místico
Seu truísmo
Minhas petas em pétalas
Mais um petardo que estruge.

sábado, 11 de setembro de 2010

Doação de Órgãos



Resquícios de mim

À noite não havia mais resquícios do óbito
Tinha o sangue meticulosamente sido diluído em água
E no ambiente pairava aquele silêncio que recua
De quem não queria falar no delito
Ou suicídio?
Tudo corria normalmente
Do ferimento escorria o sangue afluente
Agora arredio
O suor inútil do cabelo rente
Como se nada tivesse acontecido adjacente
Como o que aconteceu no meio-fio
Fosse pura casualidade
Encontrá-lo aqui
Quando meu cadáver obstrui
A passagem da padaria de um homem de meia-idade
Para um lupanar
De uma linda gazela
Que olha para mim com cautela
E começa a rezar
Pronto para a autópsia sem demora
Meu fígado vai para aquela velha gorda que sempre vestia vermelho
Não teria ela um espelho?
Ela parece ser a cúmplice de todos os assassinatos quando cora
Onde está meu rim?
Naquele bêbado que não consegue nem chegar em casa
Pensa que e fênix sem asa
Quando dorme fumando seu cigarro
Sempre acordava com a camisa pegando fogo
O que meu estõmago faz neste manequim escaleto com bulimia?
Adiposa vai ser despedida do seu emprego de anorexia
Quando demagogo rogo
Desculpas aos meus intestinos
Por estarem em uma meretriz com hemorróidas
Que às escondidas
Tenta disfarçar seus defeitos
Ditoso remate para meu coração
Lateja no peito do meu ardor
Poetisa sem noção
Agora ela vai aprender a estimar
Meus sentimentos e alentos
Sem ressentimentos.

sábado, 28 de agosto de 2010

Amnésia



Sem alamirés

Nenhum alvitre
Sequer eflúvio
Nada mais para alavercar
Vetusto minuto
Secular segundo
Uma hebdômada obsoleta
O centenário do centauro
Nascido hoje
Suicidar-se por estrangulação
Pelo cordão umbilical
A centopéia dentro da centrífuga
Arcaico desejo
Esculpido em penedo
Hieróglifos sem hífen
Brita depois peneira
Encontrado o pechisbeque
Arqueologia de subsistência
No arquivo o quilômetro
Sua alameda no Alasca
Distância que alivia.