sábado, 9 de outubro de 2010

Ausência


O cátulo ladra para a latência
Fique longe
Lapônia no láparo
Até a distância
Lapidar à laringe
Distorcer o sentido da palavra
Lá se foi minha última esperança
Algum distúrbio
Que seja túrgido
Para compensar a displicência
De um dia lasso
Dispensado mais um desamor
Diáfano no diafragma
Fragmentos do frágil
Hábil até o hall
Onde o hálux tem alergia ao háfnio
Alegria com a habanera
Era harto
Agora a habena é habitual
Há pouco o que dizer sobre tudo
Haplologia como ideologia.

sábado, 25 de setembro de 2010

Augusto dos Anjos



Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!



Adoxografia

elogio de pessoas ou coisas que não o merecem


Estrábico não vês que é estranho
O estanho como substância adstringente
Admirável adipocera
Adjacente ao adro
Sua adipose
Só tem pose
Posses possíveis
Estrebucha o bucho no estreito
Mais um quimera em meu quintal
Mera coincidência
Mira coníferas
Análagos cones
Sem adrego
Isto está em persistir em desânimo
Fiz apartes para o apático
Fiz aquilo adrede
Premeditação como prêmio
Para o prelúdio da preguiça
E o prélio?
Armistício para o místico
Seu truísmo
Minhas petas em pétalas
Mais um petardo que estruge.

sábado, 11 de setembro de 2010

Doação de Órgãos



Resquícios de mim

À noite não havia mais resquícios do óbito
Tinha o sangue meticulosamente sido diluído em água
E no ambiente pairava aquele silêncio que recua
De quem não queria falar no delito
Ou suicídio?
Tudo corria normalmente
Do ferimento escorria o sangue afluente
Agora arredio
O suor inútil do cabelo rente
Como se nada tivesse acontecido adjacente
Como o que aconteceu no meio-fio
Fosse pura casualidade
Encontrá-lo aqui
Quando meu cadáver obstrui
A passagem da padaria de um homem de meia-idade
Para um lupanar
De uma linda gazela
Que olha para mim com cautela
E começa a rezar
Pronto para a autópsia sem demora
Meu fígado vai para aquela velha gorda que sempre vestia vermelho
Não teria ela um espelho?
Ela parece ser a cúmplice de todos os assassinatos quando cora
Onde está meu rim?
Naquele bêbado que não consegue nem chegar em casa
Pensa que e fênix sem asa
Quando dorme fumando seu cigarro
Sempre acordava com a camisa pegando fogo
O que meu estõmago faz neste manequim escaleto com bulimia?
Adiposa vai ser despedida do seu emprego de anorexia
Quando demagogo rogo
Desculpas aos meus intestinos
Por estarem em uma meretriz com hemorróidas
Que às escondidas
Tenta disfarçar seus defeitos
Ditoso remate para meu coração
Lateja no peito do meu ardor
Poetisa sem noção
Agora ela vai aprender a estimar
Meus sentimentos e alentos
Sem ressentimentos.

sábado, 28 de agosto de 2010

Amnésia



Sem alamirés

Nenhum alvitre
Sequer eflúvio
Nada mais para alavercar
Vetusto minuto
Secular segundo
Uma hebdômada obsoleta
O centenário do centauro
Nascido hoje
Suicidar-se por estrangulação
Pelo cordão umbilical
A centopéia dentro da centrífuga
Arcaico desejo
Esculpido em penedo
Hieróglifos sem hífen
Brita depois peneira
Encontrado o pechisbeque
Arqueologia de subsistência
No arquivo o quilômetro
Sua alameda no Alasca
Distância que alivia.

sábado, 14 de agosto de 2010

Plágio de mim mesmo

Litólatra

 Restou apenas o título
 Para não ir para o limbo
 Epíteto como epítafio
 Titubeante tiziu
 Como um títere 
A restauração
Concerto de metáforas
A conclusão que sou lastro 
Ela epiginia
Incompatíveis
Só as pedras do rim entendem o meu âmago
Avenidas com avelãs
Aleia aleijada
Tudo às avessas
Tudo parece ser atraído pelo aleatório
 Há uma esquírola na esquina 
Esqueleto esquecido na esquerda 
Como esquivar-se da influência deletéria desse ambiente?
 Esse sem essência
 Essa essência de essexito
 O éssedo calcava todos os ímpetos de vingança
 Próxima a estação a estafilectomia
 Minha úvula fixa à entrada da residência.


                                                       EPR

domingo, 8 de agosto de 2010

Piscatória 2


Encargo áqueo
Por não ser néctico
Era puíta
Navífrago sem piedade
Fui promovido para âncora
Difícil aquerenciar-se
Um cargueiro atraca no píer
Precisava desabafar desvarios
Difícil não necear
Antes de tudo desabar aquerôntico
Nem todos os rios deságuam no mar
Isto lhe despraz
Algo desabrocha
Não tem pétalas
Mas desafia os oponentes
Com acúleos
O desprezo era sutil
Tão déspota
Que posterga detalhes.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sensacionalismo


Referência Maldita

Se falo da gangarina matriz
No púlpito declamo o decote
Da filha do delegado
Cintura delgada
Aparece um ímpio e redargúe
Se orféico tanjo o inaudível
Era do coreto que indagava
O correto seria o retro
Se descrevo uma praça
Às vezes gangética
Queria gapinar
Mas com todos os rios poluídos
Apenas pólux se salva
Um praça armado espreita
A gangorra quebrada
Sinônimo da senectude
De um senegalês que brada
Essa geringonça nunca funionou mesmo!
Sengas do pueril
A pucela que na janela
Deglutia seu pudim de puba
Não adianta o sutil
Extremos extraviados
Tenho que exprimir o homicídio
Encontraram meu homizio
Com referência ao assunto acima
Nada tenho a declarar.