sábado, 27 de março de 2010

Energia eólica



Evento que atrai multidões
Minha morte?
E vento que apaga a vela
A veleidade do verbo
Antes veleta
Nem um vendaval move-me
Se não fosse por você
O lêmure da biblioteca
Nunca iria conseguir
Terminar de ler o livro aberto
Esquecido sobre a escrivaninha
Contra o tempo
Para o pêndulo
Cria dunas
Da areia da ampulheta
Exíguo deserto
Secura secular
Sedento segundo
Sécio à senga
Sedulo ao que se sente
O aquilão que desvia o aquilino
Aqui é aquietador
Zéfiro que me zimbra.

terça-feira, 23 de março de 2010

Estação Escrita 3:Outono



Lapso de tempo

Registro em folhas secas
Vinte anos de solidão
Um milhar de vezes sôfrego
Uma centena de lágrimas secas
Borram o texto
para que ninguém leia
O ano bissexto
O jubileu do Judas
A junção com Júpiter
Coincidem com a gastrite
São doenças própias da idade
A saúde debilitada
Está saudade saudável
Satura o estômago insaciável
O ar saturou-se daquele seu perfume
Atmosfera soturna apazigua
Há saúvas em Saturno?
Fugidas do fulvo
Tamanduá que desjejua
Não faltou nenhum animal
Mesmo assim,a poesia
Não supera a amnésia
A modorra anual
Estava doente
Também,não é novidade nenhuma
Não temo as brumas
Desse futuro latente.

domingo, 21 de março de 2010

Piscatória




Oxiopsia

Acordo em Açores
E as cores da aurora
Indicam Açores no tórax
Horrores nos arredores
Melhoram minha oxiopsia
Há uma poça de sangue no bulevar
Eva evacua
Espontaneamente sua algesia
O nevoeiro denso
Ofuscava a paisagem
Ofíúco como modelagem
Penso no suspenso
Sem acrofobia desdobro
O ruflar do açor intrépido
Intercepto o abatido
No abatis do dendrófobo
No abatis do avicultor
Acrobata sem-pulo
Funâmbulo ignora o crepúsculo
Caio semi-oculto
Elevaram um monumento
Canéfora candorosa
Camufla a nebulosa
Extremosa que aumento
Há cantáridas no canapo
Há cânfora na ânfora quebrada
Arremessaram a âncora oxidada
Antes lastro
Lêmures movem o leme
Brumbrum do delta que disseque
A foz em forma de leque
A praia em forma de anfiteatro solene
Cardume de rêmoras como remora
Remorso remoto
Marejo um maremoto
Maremático piora.

domingo, 14 de março de 2010

INDECISÃO




Parece concreto
Mas quando o abstrato grassa
Rasa ao real
Reage ao relapso
A rejeição
Se relaciona com os acontecimentos de ontem
Com tudos
Com todos
Ricocheteia em todos os sentidos
Direções a serem seguidas
Se não for pedir muito
Sem exposição
Sem explicação
Glosas provocam glossalgia
Sua glória é a escória
Escorre esconso
Esconderijo de um ecorpião
Quando o instinto animal subjugar
Cão que parece lobo
Não uiva para Lua
Sussurra para a uva
Pedi vinho
Baco recusou
Agora ragóideo
Solicita o Sol
Às duas da madrugada
Amanhã sem razão
Sem rancor
Ancora em suposições.

terça-feira, 9 de março de 2010

IMBRÍFERO 2:Chuva ácida



Apodacrítico

Ápoto não se aproveita
Após o apóstrofe
Lágrima de grima
Escorre feito chuva ácida
Pode ser um apodo
O apogeu do apocalipse
Da apoio ao aporismo
Cria apóstema
O aporobrânquio se afoga
Desfaz o concreto
A aposta
A ostra
Ostenta este ostracismo
Refaz o abstrato
Era para ser simples garoa
Enxerto o enxofre
Ainda enxuto o enxoval
Mais fácil para a enxada
Que cava o crasso.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Crítica Surrealista 3


NOTÍCIA POÉTICA:Greve de fome em Cuba

Mais quatro presos e um dissidente iniciam greve de fome em Cuba
26/02 - 13:16 - iG São Paulo www.ig.com.br
Quatro presos políticos e um psicólogo dissidente iniciaram uma greve de fome nos últimos dias em Cuba, informaram fontes da oposição e diplomáticas à agência EFE. O protesto começou após a morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, que aconteceu na terça-feira, em Havana.
Assessor nega omissão de Lula em relação a Cuba
FHC e Marina Silva criticam política de Lula com Cuba

AFP

Orlando Zapata, em 2003
Zapata morreu depois de fazer greve de fome por 85 dias, para exigir ser tratado como "prisioneiro de consciência", status concedido a ele pela Anistia Internacional.
O corpo de Zapata foi enterrado na quinta-feira em seu povoado natal, Banes. O funeral foi acompanhado apenas por familiares e poucos amigos, em meio a forte esquema de segurança.
Os quatro presos que começaram a greve de fome são Eduardo Díaz Fleitas, Diosdado Gonzalez e Nelson Molinet, detidos na prisão Kilo 5 da província de Pinar del Río, e Fidel Suárez Cruz, que está na penitenciária de Kilo 8, na mesma região.
Os quatro fazem parte do grupo de 75 opositores condenados a até 28 anos de prisão na chamada "primavera negra" de 2003. Eles foram acusados pelo governo cubano de serem "mercenários" a serviço dos Estados Unidos.
Fleitas foi condenado a 21 anos de prisão. Os outros três presos foram condenados a 20 anos cada um. Ao fazer a greve de fome, os cinco homens pedem a libertação de aproximadamente 200 presos políticos existentes na ilha, conforme dados de organizações dos direitos humanos não-reconhecidas pelo governo.
O porta-voz da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), Elizardo Sánchez, disse à agência Efe que enviou mensagens para que os prisioneiros desistam da greve de fome. Segundo ele, a iniciativa não surte efeito no governo presidido pelo general Raúl Castro.

Dissidente

Em liberdade, o psicólogo Guillermo Fariñas, conhecido como "Coco", também começou uma greve de fome na cidade onde mora, Santa Clara.
Fariñas é um ativista político e já fez várias greves de fome nas últimas décadas, a mais famosa em 2006, para exigir acesso sem restrições à internet para os cubanos.
Segundo fontes opositoras, o psicólogo tomou a decisão de começar a greve de fome na quinta-feira, quando agentes da segurança do Estado o detiveram ao se dirigir para o enterro de Zapata.
Dezenas de opositores foram presos ou forçados a não sair de suas residências para evitar que fossem a Banes, segundo a oposição.





Estomacal

Estomagado com o estofo
Ponho estorvo
Devaneios como estoque
No estoque
Não sou estrábico
É sinto o estrabo
A comua do comuna estrugi
Comum anorexia
Sou dissidente disso
Discordo dessa disciplina
Displicente disposição
Sem dislogia
Greve do gêiser
Motivou o mazagrã
Gelatina de platina
Não sustenta
Não há marsmalows de crepom
No restaurante da esquina
Orchata para o chato
Orçaram o orco
Ordem ordinária
Orgulho Oriental
Originou origma
Orate orizófago
O fracasso do inimigo serviu de alegria
Serviu-se de uma faca para cortar os pulsos
Xenofobia não resolve os problemas
Inveja do iate do ianque.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Niilismo 3


Palavras sem nexo

Quando faltam palavras de impacto
Quando as que tem não servem
Quando não se traduz o aquém
Ficam guardados os sentimentos no abstrato
Não adianta
Adiar o adiáforo
Odiar o diáfano
Quando o opaco é opado e desanda
Diário com diarréia
Dicionário de dieta
Dicção incorreta
Dilema em uma idéia
Não adianta
O vigor aparente
De uma alínea saliente
Letra maíscula também sangra
Especula sobre uma espelunca
Coagula a medula
Mácula que trunca
Dificilmente passa da segunda linha
Parece que em certas épocas de aflição
Elas não estão em fase de procriação
E o vácuo ocupa a folha
Não venha procurando lemas
Sentidos implícitos
Segundas intenções nos escritos
Solução para todos os seus problemas
Nem toda idéia e entendida
Nem todas as rimas são sinceras
Talvez os quimeras
A Atmosfera suicida
Nem sempre a vida faz sentido
Ninguém se embriaga por acaso
Ninguém indaga o abstrato
O significado contido
Das palavras mais difíceis
Quando escrevo coevo
Elevo o enredo
Segredos fiéis
O chato e que as pessoas nem supõem
Que mais importante que as máquinas
São as idéias
E os conhecimentos transpõem
E que resultados bonitos
Nem sempre são certos como querem
Por isso podem pegar tudo que quiserem
Tudo que reflito
Tudo que faz os seus olhos brilharem
Sua mesquinharia e pressa que mostrem
O que realmente tem mérito
Deixe-me apenas com os restos
E o tempo sufuciente para entendê-los
Que as máquinas quebram no atrito
E as idéias permanecem
Ou se refazem
Quando gravito.