sábado, 17 de fevereiro de 2024

Inspiração catedrática

 

imagem:@Delfina Carmona



Pareidolia



Isso não é uma parede

Távola volátil para a volúpia

Pós-Anacronismo Berliner

A parede comeu toda comida da despensa

Os pratos menores eram para os grãos

Para o ínfimo incompatível

Para o incõe incoctível

Está se preparando para que?

Não vai acontecer de novo

Idem ao insight insidioso que você teve da outra poesia

Isso não se qualifica como poesia por essa razão



Isso não é uma cadeira

Antenas hemimetabólicas não captaram nenhuma insurgência

Qualquer insinuação sutil no ar

Precisa do caos para terminar isso?

Talvez um sismo



Isso é um capacete de proteção

Quando tudo está desmoronando

Sinapses com o plástico.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Descrição de imagem


            imagem: mão da poetisa Bruna Beber

 

Voyerismo



Todos olhavam abismados o eclipse ungueal

Sim, após oscitação ela engoliu a Lua

E agora, as marés?

Vão ter que se adaptar


Janela de veludo, salva o pássaro suicida

Fez da página 58 seu ninho

A metáfora vai ensinar o adejo

O forrageio


No 5 º andar parece estar tudo bem

O casal parou de brigar

Ela só jogou pela janela a coleção de discos da Aretha Franklin

Vizinho embriagado acredita em uma invasão de Ovnis


A metáfora foi na reunião de condomínio

Exigiu mais respeito

Uma luneta à espreita

Afronta a intimidade


Ocupando o térreo

Inquietações se mudaram para o ático

Afetaram o nervo ciático

A analogia com a girafa tinha que ser perfeita.

 

 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Monólogo de uma piscina: Ensinando pedras a nadar

 imagem @Delfina Carmona

 

Insistir é em vão; elas jamais adquirirão a habilidade. Não atribua essa limitação ao meu desequilíbrio de pH ou ao excesso de cloro; afinal, são simplesmente pedras, desprovidas de qualquer desenvoltura na água. Elas me menosprezam por causa das inócuas ondulações, sem erosão. Fizeram do trampolim seu trono, onde regem com toda rispidez, criando leis sem sentido:Restrição de conversas profundas, discussões filosóficas e teológicas estão vetadas durante os momentos de relaxamento. A profundidade da água deve ser explorada apenas em termos físicos, não metafísicos. Elas querem se vingar de mim, tramando estratégias de insurgência submersas, elas tentam desestabilizar a calmaria que busco manter nas profundezas.  Nem todo chape tem algum motivo; às vezes, pode estar intrínseco, desvendando a harmonia oculta nas quedas e impactos. Quando deixo tudo mais leve, a metáfora espreita na bolha relutando em manter-se na superfície, está acostumada com o submerso onde tudo é obscuro, mas sua iridescência cintila sob a luz solar. E ninguém está preocupado com o decesso, com o envelhecimento temporário. Vou amojar seu Mojave; toda gleba infértil será fecunda, e não haverá mais escassez. Não vai precisar de toda essa saliva para o plectro, perdigotos perdoados pelo caos. Encontraram-na agarrada a uma boia, sem entender a razão de sua deriva. Nos olhos, o reflexo do oceano vasto que a envolvia.- "É raso!" alguém disse. “Não precisa disso", mas ela continuava com receio, para as águas que pareciam mais profundas do que nunca. A verdadeira profundidade não se limitava a metros, mas na coragem de explorar o desconhecido que se ocultava sobre a superfície. Diante da imensidão marítima, ela mergulhou não apenas nas águas desconhecidas, mas nas profundezas inexploradas de sua própria alma. Cada onda que quebrava contra seu corpo, reverberavam os murmúrios das emoções que se desdobravam nas sombras. E, à medida que emergia do abismo aquático, não era apenas a brisa marinha que acariciava seu rosto, mas a sensação de renovação, de ter desvendado os enigmas de suas profundezas internas. 

 

 

***Chape: substantivo masculino Som de coisa que cai ou bate na água.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Inspiração pétrea

 São tristes os meus dias com pedras
em lugar de mãos
ou a cabeça funda na brancura
de través do travesseiro
e o corpo depresso em moles guindastes.
São dias de chorar por menos
ou teimar queixoso com um crânio polido,
batuque convexo
no muro demorado.

Ficar a ouvir o sangue,
o som tubular do sangue. Ao vale seco
da clavícula atrair a água, o sangue
e sorver a sopa intestina
ou se o líquido escapa à boca
tantálica, calar com argila
o que me pede água.

Ficar a palpar os buracos
da ausência, as ligas
da ausência, as ribanceiras
a que caem os pensamentos, a cor
dióspiro que banha a enfermidade
e em seguida tomar o pulso
evadido, travar o touro, o soco da dor,
o infinito infinitivo presente.

Uma amálgama de alma
migra no fôlego de modorrento
pregão de dor, o condor
passa e anda andino e é uma
traça asfixiante: faço um céu rarefeito,
a dispneia é um felino
que arranha céus
e a boca rebuliço espúmeo
expele o sabor da morte
e o que mais consiga cuspir
por entre ovéns e enxárcias
e traves quebradas.

É uma desilusão com as coisas,
uma desilusão funda com as coisas,
com o vazio meio-cheio das coisas.
Meu fôlego um fólio cheio
de silêncio, uma catástrofe natural

um vulcão: no meu pulmão pôr lava
e no trovão treva.                                               

                               Daniel Jonas

Extraído do site: https://www.lyrikline.org/pt/poemas/saotristesosmeusdiascompedras-13089

 

 


 

 

Anagramas marítimos



Não deveria ter confiado em suas palavras,

Dizia que tudo vai se encaixar com a enxárcia

Não mais me submeterei às sombras dos seus desejos,

Agora terei que quilhar a metáfora



Agora enfrentaremos o que vai enfrenesiar,

Agora que está tudo disperso por aí

A firmeza das ideias nunca mais terá,

Talvez escrever sobre algo gelatinoso


A vaselina escorre,

Calma, não é nada lascivo

A laséguea não suporta mais o laser,

Lazer seria se a mente estivesse em paz



Preparando o terreno para a metáfora entrar no verso,

Agrar o agravamento

Argentina morre após injetar vaselina nos seios,

O corpo humano possui anticorpos para eliminar bactérias e vírus,

Entretanto, não dispõe de qualquer mecanismo de defesa contra esse tipo de substância



Tudo o que tem uma consistência mole será como um elmo,
Como se a maleabilidade fosse uma resposta natural ao caos
A mola interna proporciona mais flexibilidade,
O que tem uma substância mais visceral o acompanhará por toda a existência.
 
 

sábado, 6 de janeiro de 2024

Inspiração Post mortem

imagem: Maria Teneva (Unsplash)


Relutante



Mesmo com a diastema, o valor do silêncio continua inabalado

Elefante mutilado segue os vestígios de sua presa

Até chegar em um conservatório

A música o envolveu de tal maneira que a ânsia de destruição que antes o consumia se dissipou

 
 
Tens aí as últimas palavras de alguém angustiado

Percebe-se que é algum código

Há simbologia em tudo

E nenhum inseto deve ser desprezado



A metáfora munduri se esforçou para deixar tudo no mínimo, agridoce

Empenhou-se na polinização da munefe

Era munerária involuntária

No munduru de ideias parece estar tudo bem



Por mais repugnante que seja

A laparocele manifesta-se através do láparo

A vertigem manifesta-se através da girafa com seu prefixo vertiginoso

Mudou-se para Varsóvia


Żyrafa przeglądała świat spokojnym spojrzeniem

Seu pescoço erguendo-se em direção ao céu como uma árvore

Quase podia tocar as estrelas

Não vão mais estar em seus sonhos


Aceite os espólios que deixei

Toda quercetina das macieiras

O rebuçado extraído do âmago

Teremos apfelkuchen na sobremesa.




imagem:formigas comendo abelha

***Apfelkuchen=Torta de maçã

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Inspiração umbrática



imagem: "The Unglory"-Anni Laukka

 

 

Sombra regenerativa


Indaguei sobre o livro que ela estava lendo, mas não obtive resposta

Percebi que as palavras impressas nas páginas entrelaçavam-se com os segredos de sua alma

Os catartídeos virão para a catarse da catarma

Imponha respeito com sua cataplasia

Toda catartina será respeitada

Mostre a eles a catenação de ideias

Estanca o chorume que escorre de tua coxa umbrática

Você precisa aprimorar sua fluidez; não irá muito longe assim

Muitos não respeitam os livros; rirão de sua cara

Na maioria das casas, são apenas adornos

Não reclame se alguém utilizar sua cabeça para reter líquidos

Em um mundo sedento por compreensão, nossas mentes tornam-se cálices

Onde os rios da experiência convergem, formando um oceano de pensamentos, cujas ondas sussurram os segredos das marés interiores

Seu cabelo de gaze, o vento não desmanchará

Como se fosse a panaceia para todos os males

Reconstruir-se constantemente, revelando a notável aptidão da existência em desabrochar


For Anni Laukka

Regenerative Shadow

 

I inquired about the book she was reading, but received no response

I noticed that the words printed on the pages intertwined with the secrets of her soul

The cathartids will come

Impose respect with your cataplasia

Every cathartina will be respected

Show them the chaining of ideas

Halt the leachate that flows from your umbratic thigh

You need to improve your fluency; you won't go very far like this

Many do not respect books; they will laugh at your face

In most homes, they are just ornaments

Do not complain if someone uses your head to retain liquids

In a world thirsty for understanding, our minds become chalices

Where the rivers of experience converge, forming an ocean of thoughts, whose waves whisper the secrets of inner tides

Your gauze-like hair, the wind will not unravel

As if it were the panacea for all ills

Rebuild constantly, revealing the remarkable aptitude of existence in unfolding.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Inspiração urbana

Imagem:werenotreallystrangers.co/insta:Não se culpe por ficar pensando demais em alguém que é inconsistente e causa confusão.

 
Afastador afásico



Afirmativo, é tudo isso e um pouco mais

Estou espantado com a descrição de detalhes

Não esperava tudo isso de um poste

Lamento sinceramente, mas não posso te levar para casa

Você não vai poder ser um pilar no meu quarto

Você é importante para a cidade

Sinto que não estou correspondendo às suas expectativas

Prometo empenhar-me intensamente para transcender as suas premissas e proporcionar uma experiência mais visceral

Afelearam a metáfora

Aferência ignorada

Sob a influência da ureia

O uredo não se desenvolveu

A cidade hostil rejeita ascomas

Prefere o asco dos desencontros urbanos

Onde os sentimentos se diluem nas sombras opacas da indiferença

O território está marcado pelas cicatrizes silenciosas dos vínculos que se perderam

Não fui ao escrutínio escroto

Não vou escolher o escólex

Em vez de me contentar com definições superficiais, abraço a incerteza do desconhecido, pois é lá que residem as respostas mais profundas e reveladoras.