quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Inspiração Kafkiana

imagem:Estátua Franz Kafka
“Descrição de uma Luta” (Description of a Struggle) e, no pé da estátua, há essa base ovalada e alguns desenhos no chão que remetem à uma barata, tal qual em “Metamorfose” (Metamorphosis).E quem está sentado nos ombros do outro, de chapéu, é o próprio Franz Kafka.

 

Será que quando eu começar a ronronar contra o rontó vão notar alguma diferença? Até quando vão acreditar que é uma cacofonia? Não vou impedir o voo da rondola; vou poder ser ronceiro em um mundo em que tudo parece estar sempre acelerado. A ropalose incorporada com a pilosidade vai ser difícil de disfarçar; vou ter que fazer a tosquia mais vezes, e no calor, vai ser insuportável. E a cauda e o onicauxe que começam a crescer serão difíceis de esconder, mas pelo menos minha audição vai ser apurada. Vou ouvir conversas a quilômetros de distância, como se estivessem acontecendo bem ao meu lado. Isso pode ser uma vantagem em algumas situações, especialmente para me manter informado sobre o que está acontecendo ao meu redor. Por outro lado, também vou precisar filtrar ruídos e encontrar momentos de tranquilidade. Difícil mesmo vai ser fazer as necessidades em uma caixa de areia, quando estamos acostumados a utilizar um banheiro com todas as comodidades. Mas quem sabe isso seja a nova tendência em design de interiores? Seria uma forma peculiar de tornar a hora do banheiro um momento zen, com areia fofa e um ambiente relaxante.


sábado, 23 de setembro de 2023

Narrativas urbanas

 Descobriu uma maneira contra o fartum dos tênis, servirá de ninho para os pássaros, Será que tudo melhora com o arejo? espairecer o espandongado, talvez se suspender este escrito ele se transforme em algo épico e deixe de ser píceo. Talvez se deixar dois dias pendurado no varal, como um indumento.Um panapaná virá no orto para o incentivo ao voo, a metáfora contra o ortodoxo, preocupada com a ortoépia e a ortogênese dos arredores, vendo tudo se originar ortogonalmente. Necessária ortomelia, todo esse ortomorfismo incomodava tanto que o pechoso foi solicitado. A metáfora foi responsável pelo curto circuito, vão culpar a poesia por todas as vicissitudes, tanto foi o estro a perseguição que o poeta mudo-se, agora é inquilino da inquinação, sem toda essa inquirição, vai poder viver em paz .Sua frase ficou sem sentido, ninguém entendeu, reflexo da complexidade das ideias que está tentando transmitir.Dona Gertrudes vai perder o último capítulo da novela, vai ter que procurar outra coisa para fazer, apóstrofe irrelevante após a catástrofe tudo parece estar bem mas sob a superfície, as cicatrizes do passado continuam a ecoar.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Definições do improvável

A indisciplina da indiscernibilidade, o uso indiscriminado do individualismo, como se fosse algo indispensável à vida, algo que indispôs-me o estômago na indissolubilidade do que se pensa.

             imagem:Cordilheira dos Andes


Não pensa na prensa

Na superfície densa

Talvez Andes

Escale mas não se cale

Reajo ao incerto

Se fez do caos

Raso rascunho

E no antrelunho

Fica mais difícil mesmo

Proteger informações de cunho pessoal

Ninguém precisa saber do gadunho

Talvez termine até o final de junho

Do ano que vem

Ou nunca

Pois sempre faço alterações

O espéculo do século

A nuca que me inspirei não é a mesma

O osso se formando do ócio

Parece que tudo está se esforçando para não ir para o limbo. 

                           EPR 

***Ateliê de criação literária,final do módulo 7-_literatura-montagem: Gustavo Piqueira -12/09/2023


quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Vivências urbanas

 


Réquiem sem requisitos


Sim, é sólido pode confiar no alamiré

Não vai abrir uma lerna

Aquilo lá não é uma poterna

Temblar o tembé

 

Dei 171 passos sem rumo

Escrevi 171 palavras agora

 É muito? para a extrusora 

Precisou de 171 expressões para o aprumo


171 minutos para escrever um verso

Exigiram rapidez

O discernimento sem nudez

Faltam 171 átimos para se estar disperso  

 

Todos os dias algo sucumbe no lampejo

Esconjuro?

Esconsar o inseguro

Esconsidade do que vejo

 


Não havia escoramento ao ode

Quando dito na boca ele derrete sua suculência

Desdita de subsistência

Por algo hematode


Perece a performance

Avance para o próximo nível

Sem avangar com o sensível

Vontade de ser romance



A metáfora já está em seu féretro

171 metros de diâmetro por 20 metros de altura

Para que toda essa fartura?

Exagero de parâmetro


Mural enuviado

Anamnese sem auxese

O áspero de uma exegese

Asperitas do sublimado.

 

                                                                     EPR


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Descrição de imagem_ Narrativas improváveis

 

Permaneça afastada para a sua segurança, depois que a cinestesia foi banida, a plausibilidade do platônico era algo pleno. Sei que minha aparência assusta, não tire conclusões precipitadas, mas preciso da sua iridescência para dar sentido à vida. Toda sua flutuosidade inspira o estagnado. Antes, eu dependia apenas do arco-íris, mas com toda essa estiagem, encontrar beleza tornou-se uma tarefa árdua. Toda sua limpidez purifica meus pensamentos sórdidos, e por mais que tudo seja aculeiforme, acredito que toda sua pulcritude possa fazer a diferença. Não sei de onde vem esse magnetismo pelo efêmero. Ontem mesmo, uma borboleta pousou em meu acúleo sem se importar com o perigo. Temos que valorizar cada momento, pois é a sutileza das coisas transitórias que carregam a maior beleza e significado. Acumpliciado do acuminoso na acumulação de desertos interiores.

 


 Era para ser persuasivo na perspiração do perspícuo, vou regurgitar a metáfora. O verbo acerbo é emético, talvez emerso na êmese haja o discernimento, e a ladainha parecia interminável, o pronome envolto na traqueia, propáticas proparoxítonas quando o vinho já está se transformando em vinagre. A introdução já foi um desastre, tantos clichês, o xucro apedeutismo deixando as palavras sem significado. Talvez a própria repetição das palavras seja uma estratégia de convencimento. Quando a frase é incoctível e não serve para cibalho, talvez como condimento para o que não condiz com a verdade. Mão na boca esconde o escárnio, que se faça o silêncio para o bem da humanidade, antes dos apupos, apuridar toda incoerência incoercível.

 EPR 


***Ateliê de criação literária_Módulo 7_iteratura-montagem: Gustavo Piqueira - 31/08/2023

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Diálogos Impertinentes


 imagem:filme um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência Roy Andersson 2015


-Ei, o que acha dessa efígie? Repara a efidrose, novos padrões de eficiência?

-Sem efloração, não; os efluentes industriais incomodam e o nistagmo estarrece. Não quero sujar minhas patas naquela maquiagem excessiva. Vamos procurar um lugar mais tranquilo. Cansei de ser confundido com cocar de xavante de cócaras. Talvez no obelisco da praça; lá, sempre tem uma panacha que nos oferece milho. Dá para ver a tristeza no olhar dela, o panaço no braço esquerdo. Ela seria mais feliz se fosse uma ave, mas gostaria de variar o cardápio.

- Talvez um rasante nas mesas do boteco da esquina. Todas as quartas, tem aquela feijoada deliciosa.

-Está pensando que somos jatos supersônicos? Vai bater em uma botelha, vai perder rêmiges. Você precisa aprender a ser mais prudente. Hoje em dia está muito perigoso o adejo. Não quero que você termine sugado por uma turbina de avião.

-Você está sendo muito pessimista. Tenho toda a destreza de se destrepar deste galho ileso. Podemos ficar naquele andaime até a hora do almoço. Tem uma vista bonita da cidade.

-Oscila muito com o vento; eu tenho enjoo. Com toda essa instabilidade, fica difícil manter o equilíbrio. As rajadas de vento estão muito fortes.

-Isso é bom, assim você não precisa fazer muito esforço para voar. Qualquer economia de energia é bem-vinda.

-Isso é suicídio. Precisamos encontrar um lugar estável para ficar até que as condições melhorem.

-De certa forma, nosso voo é uma metáfora da vida, não é? Enfrentamos tempestades, oscilações e momentos de incerteza, mas também buscamos lugares de acolhimento e conforto para equilibrar nossa jornada. E, tal como as asas que nos sustentam, é a resiliência que nos impulsiona para a frente.

-Não vejo dessa forma, talvez como alguma maldição. Poderíamos ser humanos. Eles têm todas essas estruturas sociais complexas, tecnologia e habilidades que ultrapassam nossas capacidades. Ser pomba tem suas vantagens, é claro, mas há momentos em que olho para o céu e sinto uma pontada de inveja por aquelas criaturas bípedes lá embaixo. 

-Você não deveria ter inveja deles; eles têm vários vícios e se matam por nada. Nós podemos encontrar beleza na simplicidade da vida e na harmonia com a natureza, algo que muitos humanos parecem ter perdido.

-Acho melhor pararmos por aqui. Você nunca vai concordar comigo, mas não podemos negar que essa troca de perspectivas é valiosa. Afinal, mesmo com nossas diferenças, conseguimos encontrar momentos de reflexão e compreensão mútua. 

EPR

 

***Ateliê de criação literária,final do módulo 6- Ficção futurista, com a escritora Carol Chiovatto 24/08/2023            





sábado, 22 de julho de 2023

Tríade da Epifania


Abismo Existencial 

Incólume ao abismo
Longe de ser um inconveniente
Toda incoerência é uma bênção
Panaceia para toda mazela
Sem cambiar a câimbra
Este chão não é confortável ao nefelibático
Nefasto ao arrasto
Este tricúspide será só seu
Até incautos cílios roçarem seus vocábulos
O escrínio do escrito vai ser aberto
Alguma coisa escapa na oscitação
Ninguém percebeu a oscilação do corpo
A saliva amalgamada com negalho
Não retém o estro
Nego tudo até o ulo
Chulo casulo pérvio
Segredos revelados.

                                                              EPR


***Módulo 5 Ateliê de Criação Literária com Bruna Beber na Biblioteca São Paulo(foto)20/07/2023
Tema proposto:Utilizar 3 palavras que mais gosta para fazer uma poesia:Abismo,Incólume&panaceia.