sábado, 25 de março de 2023

Continuação alitera partidária


Ideologia sem reivindicação


Vou instituir o partido da empatia profunda
Instilar o instinto
O respeito mútuo
Precípuo como o ar

O assessor do precipício terá muito serviço
Incumbência de propelir a incúria
Propalar alvíssaras
Perquirir periquitos

O peristerônico vai erudir o adejo
Irrogado pela peritagem do etéreo
Vai averiguar o aversamento
O avesso do verso

O funâmbulo incumbido do preâmbulo
Vai concitar a metáfora
Semear nuvens
Desviar rota de asteroide

A piéride no píer 
Fascina o pictural
Picoto óptico
Tópico pulcro. 

                                         EPR

***escrita após a leitura do livro-livramento:a poesia escondida de João silêncio-trilogia de Aldara-Flávio Moreira da Costa
 

terça-feira, 14 de março de 2023

Anagramas voláteis

imagens:praia de Portbou-Espanha


Nada morre voluntariamente em Port Bou.

Na praia, a rapariga de Aragão
tira a saia e entra antilopemente
na rebentação enquanto a saca de couro
guarda uma pasta de escrever com ferragens.
Está aqui apenas pelo domingo
que é uma história sem nome.

Um pedestal vazio numa bandeja de aço.
O jardim da frente de um posto fronteiriço abandonado.
Um rochedo que parece deslizar para o mar.
Dê nomes ao sítio, daltonicamente
jogo de tramontana, vento com a força
de montanhas altas, faz tremer ao sol.
Erik Lindner 

Tradução:Arie Pos


Pedras não precisam de colecalciferol 
Não vão colear
Aparente colelitíase
 

Antílope


Neóptila aparente

Pelotina encontrada no corpo

Opilante desejo de intrujar o estro

Intencional apareunia 


Anti-looping

O pássaro estoico

Pousa na guampa do elande

Adorno de parede de caçador


A infiltração faz um olho prantear

Destilar a metáfora da degola

Instilar o instintivo

Antes que tudo evapore


Empolada tristura

Quando o regozijo era espúrio

Charpa preservada em estojo

Estola da metáfora.


                        EPR

quinta-feira, 2 de março de 2023

Anagramas caóticos

 

             imagem criada por inteligência artificial



A azaleia não foi polinizada


Depois que o adejo foi imitado
A humanidade perdeu a alma
Pode engrenhar com a engrenagem
Se o parafuso espanar
Revisado desvario
Cavilha na virilha
Tanta cavilagem
Esperaram muito da azalina
Toda azaria
Tudo pela azarina
A azarola não mais consola
Por este azarve flui a última lágrima
Evazar tudo foi a regra
Abscindir a pétala com sua espirotromba de metal
Antenas captam ondas eletromagnéticas
Sintonizar o caos.

                               EPR


           imagem criada por inteligência artificial

Açambarcar o arco-íris
Caligante caligem
Convenceu usando toda califasia
Amanhã vamos para Califórnia como combinado
A alta caliemia não é problema 
Flebotomia por hirudina.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Notícia poética

 https://www.diariodocentrodomundo.com.br/conheca-a-historia-do-relogio-de-dom-joao-vi-destruido-por-bolsonarista/

imagem:relógio feito com casco de tartaruga de Dom João VI destruído

Quelatização do quelônio

Cenotáfio aberto
Iconoclasta anacrônico contra o metódico
Atilhar o átimo
Instante Instável
Minuto dilacerado
Fragmentos do que foi postergado
O quelônio não vai ser esquecido
Todos anéticos
Conspurca o que já está sujo
A pruca sem prudência
Estrompa a pompa
Reminiscências da estolidez
Deixam a metáfora em ruínas
Apócope do que se pensa.

                                                          EPR

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Descrição de imagem

Imagem:Leda e o Cisne(Paolo Veronese, 1585)


O adejo do pâncreas

Engolir rêmiges
O adejo do pâncreas
Todo hedonismo excessivo
Rescindir a solidão
O coprólogo infrene
Não é mais infrator
Conúbio com o conuro
Himeneu com o himenoide
A confraria não vai fracionar o êxtase
Os puritanos não vão acoimar o obsceno
Patuno não é importuno
Conluio com o dúbio
Entrosamento até entropigaitar
Flerte com o inerte
Deitado sobre o fléolo
Roça o alvéolo no maléolo
O alvo não é mais o que eu penso.

                                                EPR

sábado, 10 de dezembro de 2022

Ideogramas cáusticos


我不需要它

Escusado escudo cedido para gladiador
Quando tudo está dilargado
Vultuoso vulto
Ultor do revérbero

Rever o bero
Tudo o que foi ultracomprimido
Metáfora bigorna
Brigona por onde passa

Não vou idealizar Brígida
Tão rígida na seriedade da serifa
Vai esfiar o esfígmico
Todos precisam de férias

Principalmente aqueles sem coluna vertebral
Inverter o invertebrado
Até o brado se transformar em silêncio
Injungir o encerramento do processo de combustão espontânea da metáfora

Deixar o que derrete arder a pele
A parafina depois pode ser útil
Reciclar devaneios
Utilizar como utilitário para UTI.

                                           EPR

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Descrição de imagem

                      imagem da poetisa Marianna Perna

 Membranáceo


Nem tudo serve para ser membrana
A folha translada com a aragem
Daí vem a ideia do arame
A sutura

Cílios podem ser substituídos por algo hirsuto
Ambira na testa deixa tudo cálido
Teve queimaduras de 2º grau
Antes de virar borboleta

Concessão para a concha
Usar o olho como pérola
Apropinquar o mar longínquo
Aprontar-se para o dilúvio


Paroxítona veio à tona
Apesar de sua tonalidade ser adequada para o jazz
Respeita a jacente
Já sente o efeito da anestesia

Vislumbrara eflúvios
A incidência da sinestesia
A pétala odorífica
Contra o que tresanda

Confortável metáfora que afaga a nuca
Age como melatonina
Minuta contra o minuto
Não impede a mioclonia

Blandícias da blague
Blackout no âmago
Blastema entre o tema
A blástide do orto

Apoiar-se na aporia
Poria os fatos com pormenores
Piora a lassidão
A frase fica sem sentido

Reduzir a redundância
Até o estro voltar
A estrofe é acolhedora
Espera na alínea.

                        EPR


Quando me deito com a poesia.
E não há mais nome para o abismo que engole luz e sombra. Em um corpo único, arrastada além da dor e da carne. Existe e é real. Um leito de flores e palavras. Um caminho por entre o escuro do tempo, aberto com os dentes, com a força da mandíbula da vida.

                    Marianna Perna


Ela está de pé nas minhas pálpebras
com os dedos nos meus entrelaçados.
Ela cabe toda em minhas mãos,
ela tem a cor dos meus olhos
e desaparece na minha sombra
como uma pedra sobre o céu.
Tem sempre os olhos abertos
e não me deixa dormir.
Os sonhos dela à luz do dia
fazem os sóis evaporar-se,
fazem-me rir, chorar e rir,
falar sem ter nada a dizer.

                       Paul éluard