domingo, 1 de março de 2015

Rio de Janeiro 450 anos





NOITE CARIOCA
Murilo Mendes

Noite da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
tão gostosa
que os estadistas europeus lamentam ter conhecido tão tarde.
Casais grudados nos portões de jasmineiros...
A baía de Guanabara, diferente das outras baías, é camarada,
recebe na sala de visita todos os navios do mundo
e não fecha a cara.
Tudo perde o equilíbrio nesta noite,
as estrelas não são mais constelações célebres,
são lamparinas com ares domingueiros,
as sonatas de Beethoven realejadas nos pianos dos bairros distintos
não são mais obras importantes do gênio imortal,
são valsas arrebentadas...
Perfume vira cheiro,
as mulatas de brutas ancas dançam nos criouléus suarentos.

O Pão de Açúcar é um cão de fila todo especial
que nunca se lembra de latir pros inimigos que transpõem a barra
e às 10 horas apaga os olhos pra dormir.








Submerso

Ednei Pereira Rodrigues


Fúlgido Flúmen que deságua na última estrofe
Deixa afável a favela
Inunda meu árido desejo
Afoga devaneios
Asfixia o asfalto
Imerso no imenso
Imbuir o sólido
A afluência da aflição
Mais vulnerável a erosão
Só a letra O flutua
Vaga agarra a sereia
Escafandro para a frase
Faço plágio da praia
O saibro na sua saia
A silica onde atola a síliba
A insolação da inspiração
Deixa tudo adusto
O bronzeamento do brônquio.










FAVELÁRIO NACIONAL
Carlos Drummond de Andrade

Quem sou eu para te cantar, favela,
Que cantas em mim e para ninguém
a noite inteira de sexta-feira
e a noite inteira de sábado
E nos desconheces, como igualmente não te conhecemos?
Sei apenas do teu mau cheiro:
Baixou em mim na viração,
direto, rápido, telegrama nasal
anunciando morte... melhor, tua vida.
...
Aqui só vive gente, bicho nenhum
tem essa coragem.
...
Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,
Medo só de te sentir, encravada
Favela, erisipela, mal-do-monte
Na coxa flava do Rio de Janeiro.

Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver
nem de tua manha nem de teu olhar.
Medo de que sintas como sou culpado
e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade.
Custa ser irmão,
custa abandonar nossos privilégios
e traçar a planta
da justa igualdade.
Somos desiguais
e queremos ser
sempre desiguais.
E queremos ser
bonzinhos benévolos
comedidamente
sociologicamente
mui bem comportados.
Mas, favela, ciao,
que este nosso papo
está ficando tão desagradável.
vês que perdi o tom e a empáfia do começo?

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Notícia Poética

http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento/no-rio-beija-flor-vence-com-carnaval-do-ditador

 


 Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa 



 



Ledice Efêmera

Ednei Pereira Rodrigues

Reboliço do rebo
Reboa a gargalhada do gárgula
Tanta garoa faz o reboco cair
O rebojo precisa de bojo
A musa está com Musgo
É a música não move o músculo
Distorção para Distração
Achavascar o Achaque
O avesso na avenida
Para avigorar o aviltante
Enredo Tredo
Ariramba atiçado pela Liamba
Cuitelo pávido com a cuíca
Guanambi instruído para gualdripar
Guinumbi guia o Sátrapa
O sibilar do sibarita
Atroa o desejo da Alforria
A matriz da matulagem
A Histeria de Hitler desfila na avenida
A Hispidez de um Histrião.














Gárgula.

herberto helder


Por dentro a chuva que a incha, por fora a pedra misteriosa
que a mantém suspensa.
E a boca demoníaca do prodígio despeja-se
no caos.
Esse animal erguido ao trono de uma estrela,
que se debruça para onde
escureço. Pelos flancos construo
a criatura. Onde corre o arrepio, das espáduas
para o fundo, com força atenta. Construo
aquela massa de tetas
e unhas, pela espinha, rosas abertas das guelras,
umbigo,
mandíbulas. Até ao centro da sua
árdua talha de estrela.
Seu buraco de água na minha boca.
E construindo falo.
Sou lírico, medonho.
Consagro-a no banho baptismal de um poema.
Inauguro.
Fora e dentro inauguro o nome de que morro.




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Entrudo Lúdrico




A UM MASCARADO
Augusto dos Anjos

Rasga essa máscara ótima de seda
E atira-a à arca ancestral dos palimpsestos...
É noite, e, à noite, a escândalos e incestos
É natural que o instinto humano aceda!


Sem que te arranquem da garganta queda
A interjeição danada dos protestos,
Hás de engolir, igual a um porco, os restos
Duma comida horrivelmente azeda!


A sucessão de hebdômadas medonhas
Reduzirá os mundos que tu sonhas
Ao microcosmos do ovo primitivo...


E tu mesmo, após a árdua e atra refrega,
Terás somente uma vontade cega
E uma tendência obscura de ser vivo!

   






Botox

Ednei Pereira Rodrigues

Espelho não aceita o disforme
Quebra-se quando refleti o refolho
Cacos se entendem com os cactos
Espenica o meu adejo
O rútilo da ruga
O decrépito que decorre
A carquilha da carniça
Diagnóstico do ego egro
O cipreste rompeu o lacre do álacre
O esmalte esmarrido da esmeralda
Tapera como Tapete
Seu advento adverso
Urde um deslumbre
Silicone para as dunas
Um Oásis,sózia do guapo
Em meio ao torpe
O camaleão no camarote observa tudo
A face da facécia
O ângulo da angústia.






Ânforas
Edson Bueno de Camargo


toco teu ventre liso
de oceanos azuis elétricos
e rosas brancas tocadas pela gravidade

em tudo busco serenidade
mas tua pele é tempestade e febre

senhora da maré cheia
tão completa de luas
como meu dedo de contar estrelas

(contudo
não posso tocá-las)

véus de terra
cobrem teus cabelos
de raízes fundas
a beber o sumo da terra


mulher de tronco vegetal
e ancas robustas de madeira ígnea
dá-me tuas ânforas de água fresca
de desatar o gelo das profundezas


eu
abandonado do deserto
a partir em busca de mim
em teus olhos de planície
em teus seios de montanha
respirando as dunas de imensidão

(contudo
sufoco)






A Beleza


Charles Baudelaire, "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães

De um sonho escultural tenho a beleza rara,
E o meu seio, — jardim onde cultivo a dor,
Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor,
Com a eterna mudez do marmor' de Carrara

Sou esfinge subtil no Azul a dominar,
Da brancura do cisne e com a neve fria;
Detesto o movimento, e estremeço a harmonia;
Nunca soube o que é rir, nem sei o que é chorar.

O Poeta, se me vê nas atitudes fátuas
Que pareço copiar das mais nobres estátuas,
Consome noite e dia em estudos ingentes..

Tenho, p'ra fascinar o meu dócil amante,
Espelhos de cristal, que tornaram deslumbrante
A própria imperfeição: — os meus olhos ardentes!


domingo, 25 de janeiro de 2015

São Paulo 461 anos




SEGUNDO PAPEL
Tarso de Melo

(Planos de fuga e outros poemas. São Paulo: Cosac Naify;
Rio de Janeiro: Viveiros de Castro Editora, 2005. p.70)

 
a cidade é o óbvio,
o que salta aos olhos
ulula, o que brilha
e fede

a cidade é o cais
caos sob controle
outro dia de luto,
de luta, de luxo

a cidade é perder
outro sol que agride
outra lua (a cidade comporta),
mesma via

e é sempre tarde
e o lugar que falta
e o que nos prende,
perene, perece




Tamanduá no Martinelli


Ednei Pereira Rodrigues
 

No ápice o ínfimo
Somos todos formigas
Toda lascívia da língua
Envolvente acepipe
Aceita a aceleração
O tênue aceno
Toda sinuosidade será castigada
Evocam o mafarrico na encruzilhada
A mácula da macumba
O laico é laido
Desvio que desvirginiza a distância
A vereda da verba
A vergonha do político corrupto
A corrosão do abandonado
Um atalho que ata
Um meandro ataráxico
Alternativa para essa Altitude
Para tanto Escarcéu
Tanto escárnio que mais um escarro é dádiva saliva saliente
Esteroide detecta um Asteroide
Metrô atingido por um Meteoro
Suas portas automaticas guilhotinadas
Não decapitaram o célere
Apocalipse Apócrifo
Escancha para a última cópula
Rascoa coa o gozo Rascante
O bagaço satisfaz a bagaxa
Marafona como fona causa marasmo
Tudo com contrastes de escarlate
Antologia do disparate
Seu catamênio análogo a uma catástrofe. 




ÀS MINHAS COSTAS
Sérgio Alcides
(O ar das cidades: poemas (1996-2000). São Paulo: Nankin, 2000. p.33

As portas do metrô mastigam
o ar condicionado.

Estou em trânsito, com os demais.
Percorremos a rede incorpórea
que há de permanecer.

Não se ultrapassa a linha amarela.
Nada cheira. E a escada rolante
- áspera via - até se alegoriza

ao conduzir-nos de volta ao simulacro
passageiro das avenidas.

Na saída, ponho os óculos escuros.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Última de 2014:Vídeos Poéticos

Todo mundo precisa de um empurrãozinho



     As lentas nuvens fazem sono
Fernando Pessoa

As lentas nuvens fazem sono,
O céu azul faz bom dormir.
Bóio, num íntimo abandono,
À tona de me não sentir.

E é suave, como um correr de água,
O sentir que não sou alguém,
Não sou capaz de peso ou mágoa.
Minha alma é aquilo que não tem.

Que bom, à margem do ribeiro


Saber que é ele que vai indo...
E só em sono eu vou primeiro.
E só em sonho eu vou seguindo.
                                                                                                                                                


                                             

Turbulências 
Ednei Pereira Rodrigues

Estranha Estratosfera 
A Estrela Estreita como estrepe 
Nefelibata para Espairecer 
Tudo Multiforme 
Aquela como mufla 
Para respirar o Azoto 
Lembrar do Esgoto 
Outra como coxim 
Para a sota do coxêndico 
Para o descanso da fuselagem 
Trôpego na Troposfera 
Tropeço no Trópico 
A indecisão me fez arremeter 
Prestes a despressurizar 
Dilacerar outro dilema 
Irromper o Cirro 
Nimbar este ambiente denso
De volta à estaca zero 
Retomar o controle 
A decomposição na decolagem 
Sugado pela Turbina 
Helianto contra a Hélice.



SONETO COM PÁSSARO E AVIÃO
Rio de Janeiro , 2004
De "O grande desastre do six-motor francês 
Leonel de Marmier, tal como foi visto e vivido pelo poeta 
Vinicius de Moraes, passageiro a bordo" 

Uma coisa é um pássaro que voa 
Outra um avião. Assim, quem o prefere 
Não sabe às vezes como o espaço fere 
Aquele. Um vi morrer, voando à toa 

Um dia em Christ Church Meadows, numa antiga 
Tarde, reminiscente de Wordsworth... 
E tudo o que ficou daquela morte 
Foi um baque de plumas, e a cantiga 

Interrompida a meio: espasmo? espanto? 
Não sei. Tomei-o leve em minha mão 
Tão pequeno, tão cálido, tão lasso 

Em minha mão... Não tinha o peito de amianto. 
Não voaria mais, como o avião 
Nos longos túneis de cristal do espaço...


               

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Triedro Poético:Outro Manuel_Beatles_DRUMMOND


Os sapos

Manuel Bandeira


Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os delumbra.



Em ronco que a terra,

Berra o sapo-boi:

– “Meu pai foi à guerra!”

– “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”



O sapo-tanoeiro

Parnasiano aguado,

Diz: — ” Meu cancioneiro

É bem martelado.



Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos.



O meu verso é bom

Frumento sem joio.

Faço rimas com

Consoantes de apoio.



Vai por cinquenta anos

Que lhes dei a norma:

Reduzi sem danos

A formas a forma.



Clame a saparia

Em críticas céticas:

Não há mais poesia,

Mas há artes poéticas…”



Urra o sapo-boi:

– “Meu pai foi rei” — “Foi!”

– “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”



Brada em um assomo

O sapo-tanoeiro:

– “A grande arte é como

Lavor de joalheiro.



Ou bem de estatutário.

Tudo quanto é belo,

Tudo quanto é vário,

Canta no martelo.”



Outros, sapos-pipas

(Um mal em si cabe),

Falam pelas tripas:

–“Sei!” — “Não sabe!” — “Sabe!”



Longe dessa grita,

Lá onde mais densa

A noite infinita

Verte a sombra imensa;



Lá, fugido ao mundo,

Sem glória, sem fé,

No perau profundo

E solitário, é



Que soluças tu,

Transido de frio,

Sapo-cururu

Da beira do rio…


1918


The Beatles I am the warlus: https://www.youtube.com/watch?v=5Vv_xyNjMC0#t=10


Silêncio Ensurdecedor
Ednei Pereira Rodrigues

Código Morse para se comunicar com a morsa
Um sotaque para soterrar
Ninguém entendi o que enternece
Tudo em prol de meu Laconismo
Começo a coaxar para o sangue coagular
O prolapso do Átrio
O Atrito do Atril com o corpo
Através do Atravessado
Atraio a Atrabílis      
O Lacre Lacerante
Um rugido para as Ruínas
O Rumor é Rúptil
Ruptura no vazio
Fazer rusga para o rude.





Suspendei um momento vossos jogos
na fímbria azul do mar, peitos morenos.
Pescadores, voltai. Silêncio, coros
de rua, no vaivém, que um movimento

diverso, uma outra forma se insinua
por entre as rochas lisas, e um mugido
se faz ouvir, soturno e diurno, em pura
exalação opressa de carinho.

É o louco leão-marinho, que pervaga,
em busca, sem saber, como da terra
(quando a vida nos dói, de tão exata)

nos lançamos a um mar que não existe.
A doçura do monstro, oclusa, à espera...
Um leão-marinho brinca em nós, e é triste. 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
A vida passada a limpo, 1959

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Inspiração Sazonal



Notícia Poética: http://bandnewsfmcuritiba.com/2014/11/21/papai-noel-que-cobriu-rosto-de-crianca-em-foto-para-obrigar-pagamento-e-afastado-em-shopping-de-curitiba/




EU, ETIQUETA
Carlos Drummond de Andrade

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comparo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar
cada vinco da roupa
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.


Capitalismo
Ednei Pereira Rodrigues

Peculiar ao Peculato
Cabedal Edaz
Bagarote como Baganha
Barganha outra Barbárie
Bagatelas para enaltecer
A barestesia
Permuta a mutação
Mutila o vazio
O mutanje mútico
Multa para a multidão
Coima para a coita
Níquel nivela meu niilismo
Riqueza Ríspida não rítmica
Qual o valor do vão?
Mercenários à mercê do sobejo
Sobrou apenas uma sombra
Nesta Penúria de estro
Devaneios na Penhora
Fragmentos do Frágil
Só uma frase
Uma fração do fracasso
Não vou esclarecer o escasso
Está tudo tão óbvio
O obumbrado para obtundir
Todo esse obstrucionismo
Vestígios de Vestuário
Alguém esteve aqui
Indivíduo Indizível
Indícios da indiferença.