sábado, 31 de agosto de 2013

Notícia Poética


Medicina Cubana

Colostomia Colorida
Quando o fardo é pardo
Drenar o pranto
Aguardar o parto
Sorver o colostro
Descarto a volúpia
O volume do lume
A escassa escatologia
Uma ilha dentro de uma vasilha
Uma estepe oculta na estepe
Abismo cura este Lirismo dartoso
Estetoscópio para ouvir o estéreo

Quando tudo é etéreo
O átrio no adro
Ainda tinha pulso
Autêntica Autopsia
Vísceras enroladas em charutos
Distribuo Distúrbios.



Glossário dos termos Fósmeos:

Colostomia:Formação cirúrgica de um ânus artificial no cólon, através da parede abdominal.
Colostro:Líquido amarelado e opaco segregado pela glândula mamária durante o período final da gravidez e os primeiros dias depois do parto.
Estepe:Extensão semidesértica com vegetação xerófila, das regiões tropicais e das de clima continental semi-áridas.
Estepe 2:pneu reserva
Dartroso:referente ao darto(herpes)
Etéreo:adj. Da natureza do éter: substância etérea.Que tem o cheiro de éter.
Fig. Que tem algo de delicado, de aéreo, de muito puro: criatura etérea.

Átrio:aurícula do coração
Adro:pátio

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Analogias Suspeitas





A Lesma

Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a

lesma deixa risquinhos líquidos...

A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as

palavras

Neste coito com letras!

Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se

Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma

escorre. . .

Ela fode a pedra.

Ela precisa desse deserto para viver.


Manoel de Barros



Extrema-Unção

Uma lesma a esmo
Para esmorecer a bulha
O estouro da bolha
Olha o futuro bolor
O visco voltou ao aprisco
Como licor
Como uma língua limácidea
Ungido mais nítido
Persignar o respingar
Anagramas aparando a grama
Como vacas na vacância
Ordenhar o ordinal
Fim das algas no seu lago
Algarismos quando o raciocínio é ilógico
A álgebra que quebra a vértebra
Franquias para Franz Kafka
Relativo às aftas
Redução ao vácuo
Auxílio mútuo
Mas a mutapa, o zéfiro não conseguiu levar
Um mútico espera o árido.
  
glossário dos termos estrambóticos:

Aprisco:fig.família,casa.
Bulha:barulho
limacidea: Relativo as lemas
Persignar:benzer
Mutapa:ilha que a correnteza arrasta
Mútico:Liso
Zéfiro:Vento




sábado, 3 de agosto de 2013

Monocromático



ICEBERG (Paulo Leminski)

Uma poesia ártica,
claro, é isso que desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não. Nenhuma,
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?).
Sim, inverno, estamos vivos.



Nivelar o níveo


Tudo é lepra

Qualquer matiz lépida

Contém caligem

E o verniz que escorre do nariz

Para brunir a bruma

Flocos de neve para florir mogorim(rosa branca)

Todo remorso no dorso

Avalanche para avaliar o grau da chaga

Isopor para iceberg falso

Alude para ludibriar o lúgubre

Eclipsar a cretina retina

Encanecer é necessário

Extrair o látex que corre por minhas veias

Borracha que não extingue achaques

Madeira para o ádito dentígero que range

Hipotermia como hipótese

Para convalescer da cirurgia total de prótese.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Natureza Morta



Primeiro tudo que me inspira:

Solitário

Como um fantasma que se refugia

Na solidão da natureza morta,

Por trás dos ermos túmulos, um dia,

Eu fui refugiar-me à tua porta!


Fazia frio, e o frio que fazia

Não era esse que a carne nos conforta...

Cortava assim como em carniçaria

O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!

E eu saí, como quem tudo repele,

- Velho caixão a carregar destroços -




Levando apenas na tumbal carcaça

O pergaminho singular da pele

E o chocalho fatídico dos ossos!
Augusto dos Anjos





Inscrição para uma Lareira


“A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida…”

Mario Quintana





A solidão mostra o original,a beleza ousada e surpreendente,a poesia.Mas a solidão também mostra o avesso,o desproporcionado,o absurdo o ilícito.
Thomas Mann


Agora de minha autoria:




Verde Escuro

Acesso o avesso espesso
Regresso ao espiral
O Conserto da concha
Simples silêncio
Isolamento acústico
Quando tudo é cáustico
Não foi a fênix
Escorre látex no lençol freático
O fragor da franja
Tudo que freia
A síndrome da sirene
Ninguém buzina para os búzios
Por esta freima
Cautela no caule
Pois os troncos estão retorcidos
Para um ângulo oblíquo.






sábado, 22 de junho de 2013

Para Dilma Roussef


Dilma seja diligente
Saia desse dilema
Estandarte prestes a se dilacerar
Sua pupila vai se dilatar
O lema da lesma
Paulatino progresso
Meu protesto contra esta profusão
Propenso a propelir um burgau à burguesia
Oprimo o opimo
Vândalo com ideias de vanguarda
Contra seu vaníloquo
Insurreição  para insuflar um vento insurgente
Inspiração que vem desse instinto de mudança
Não seja mundana
Tenho munição para essa metamorfose
Um método menálio
Eficaz ao seu mendaz meneio
A metade do meteoro.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Anagramas


Ódio desse iodo cicatrizante
Sentir o caos, caso o asco te adornar
Seu ocaso narrado pelo breu
Quando a urbe virar várzea
Para evazar  o recíproco sufoco  
Seria melhor o mar
Para  a memória RAM
Se remoíam dentro de mim
Ensaio para o anseio
Acerbar ao bracear a verga
A náusea foi o motivo do vômito navígero
Perto do torpe
Longe do terso
Tenha sorte em outro setor
Remo para algum lugar ermo
Em outra dimensão menos desânimo
Mais alegria do que alergia.

sábado, 8 de junho de 2013

Guerra Química

poesia inspirada na música de RadioHead No surpises
 


Abraço o enxofre
Antes da catástrofe
Guardado no cofre
Súlfur no abajur
A despeito do abandono
Césio faz cessar toda algia das algas
Algemas no algodão
Silenciador  de escapamento
Escândalo do Escândio
Para escandir o verso
Cloroformização do ambiente
Escaramuça de camurça
Relax com o Antrax
Quieto Cianeto
Cúmplice da poluição
Plissar a pluma
Em suma, flutuar com a espuma.