domingo, 26 de fevereiro de 2012

Insônia


Travesso travesseiro
O travessão anúncia o silêncio
O anum anulante
Enquanto o colóquio está no colo
Descansa sem descambar
A voz na foz
Aguar a aguardada pretensão
Absorver a noite
Sugando estrelas
Já que não tenho o brilho de seus olhos
Algo tem que te substituir
Parecido a está parede
Rede para remir
Remar montado na ema
Para toda essa emanação
Não ser ignorada.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A árvore engaiolada



Delírios de um delito

Egoísmo cria égide
A ausência do adejo
Não paiara
Atingiu o limite
Alado aladroado
Olha a folha que cai
E não e nem outono
Não encolha o que acolha
O fruto não frusta
A carcérula provoca cólica
Castigo castiço
A polpa na popa
Singra na ingratidão
Granjeia minha mente infértil
A falta de inspiração não é desculpa
Instiga o instante
Quando o tédio e teimoso
Igual teia
Mais um aranzel ignorado
Quanto mais fujo do assunto,mas necessidade tenho de tentar explicar o que sinto.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

São Paulo 458 anos


poesia escrita para A Capela dos enforcados

Degola

Bonita sua gravata de corda
Não tem graça
Nem garça
Só pombas
Vai graxa ai doutor?
A solidão grassa na cidade
Por onde passaram as gárgulas
O gari garimpa seu sustento
E o suspenso?
Desafia a lei da gravidade
Fechado para balanço
O boteco da esquina alagou
Tivemos que sair de bote
Antes do show de bossa nova
A bostela da botelha já se cicatrizou
Faltam sonhos para uma noite tranquila
Então fui na padaria comprar alguns.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Distância


Só sei que digitei:distância
Essa que dilacera o diafragma
Não há dialogo
É o silêncio é discutível
Afônico
Olhos loquazes
Quase palavra
Imagem Oral
Na orla do visual
Um croqui
Nada crônico
Mais para crocidismo
Mesmo efeito da aurora boreal
Mesmo defeito irreal
Nada pessoal
Péssimo de Pessoa
Não irradia
Irônico irmão da iris
Deixa-me disperso
Produz displicência
Personificação diagonal
Sem prespectiva
Ontem já e quase meio século
E ela não elucida sobre o que aconteceu
Ilude a diplomacia com a solidão
Se eu pudesse distinguir
Aquela que diverte a dívida
Se tivesse um dispositivo para desligá-la
Seria mais mecânica
O metal enferruja
Não iria corroer a alma
Não iria substituir a metáfora.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Inspiração voltou?



Ditadura na biblioteca

É extremamente proibido
Virar as poltronas para as janelas
Elas não são reversíveis?
Não se constroem arquibacandas
Para ver a neblina
O polvo não pode resfestelar-se
A polpa da maçã
Está na maçaneta
Maçante enciclopédia
Na página 69 tinha que ter uma poesia erótica
E um incêndio não é análogo
A um idílio
Quando é incesto
Incisão para controlar a ansiedade
Não consigo embarcar
No reflexo do metrô na janela
Reflorir quando a bílis reflui para o sangue
Parece simples
Mas carrega uma complexidade profunda.

domingo, 7 de agosto de 2011

Claustrofobia



Deve haver vida além da vidraça
Segurança para o segundo
Creio no fim
Para o que nem teve começo
Mesmo fingido
Finca a fístula
Com a vigésima ferida
Aquele vilipêndio
Há de vencer a medida medíocre
Medieval quando o futuro
Fustiga como um fuzil
Estrábico depois do estouro
O alvo e o corvo
Tudo isso é corvéia
Alvíssaras só para minhas vísceras
Sua pele tinha um tom acinzentado
Nada de acinte
Quando o espaço foi reduzido
A virgula no lugar errado
Voa vogal
A estrada parece estrangular distâncias.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Charles Baudelaire


O tonel do Ódio
Charles Baudelaire
O ódio é como o tonel das Danaides perjuras;
Febrilmente, a Vingança, os braços retesados,
Desse vácuo arremessa as solidões escuras,
Baldes cheios do pranto e sangue dos finados…

Nesse antro o Diabo fez secretas aberturas,
Por onde, sem cessar, esforços prolongados
Se escoariam…pudesse a Vingança, em diabruras,
Dar vida aos mortos para ainda serem sangrados!

O ódio é um bêbado vil num canto de taverna!
Sempre sentindo mais a sede da bebina,
A se multiplicar, bem como a hidra de Lerna…

Mas, sabe o ébrio feliz O ódio é como o tonel das Danaides perjuras;
Febrilmente, a Vingança, os braços retesados,
Desse vácuo arremessa as solidões escuras,
Baldes cheios do pranto e sangue dos finados…

Nesse antro o Diabo fez secretas aberturas,
Por onde, sem cessar, esforços prolongados
Se escoariam…pudesse a Vingança, em diabruras,
Dar vida aos mortos para ainda serem sangrados!

O ódio é um bêbado vil num canto de taverna!
Sempre sentindo mais a sede da bebina,
A se multiplicar, bem como a hidra de Lerna…

Mas, sabe o ébrio feliz quem o traz subjugado;
Enquanto o ódio é coagido a esta sorte, na vida,
De não poder, jamais, dormir embebedado!
quem o traz subjugado;

trad.: Álvaro Reis


Essa Depois Dessa

Hora Extra

Espero o desespero
O monumento pede um momento
Este pigmalionismo
Seria normal
Se não fosse a pidalgia
Este azáfama
Seria célebre
Se não fosse célere
Nenhum massagista para a faixa de pedestre
Estas azaléias estariam mais belas
Se fosse Primavera
Se não fosse a poluição
Se não fosse o florífago
As flores de plástico morrem com a chuva ácida
A janela do último pavimento
Sempre suja
Aprende a chorar
Não lembra Suiça
Sequer as moscas
Lembrar-se-ão Moscou
No balde o sangue de Baudelaire
Não recorda França
A fraga seria frágil
E eu franco.