sábado, 17 de abril de 2010

Viagem Poética 3 :Piauí&Pirineus



Piedade aos piegas

Ardido com pimenta
O pitéu causa pigarro
Indigesto picles verde claro
Servido com piaba e menta
A pianista sonâmbula de pijama
Derrama piche no piano
Drama pitoresco meio desumano
Culpa seu instrumento pitônico que descamba
Por ser pitosga
A liamba fez o cão pícaro
Farejar o píncaro
A pilastra tem lagosta na crosta
Piora o estado de saúde da pitonisa
Pílula no pires diáfano
Mesmo com piaremia que profano
Foi na pindaíba que avaliza
Para o Piauí
Profetizar primícias no picadeiro que obstrui
O primor dos Pirineus sem brisa
A piracema é pivô de um crime
Atrai pirilampos como isca
Para um prisma
De uma pintura íngreme
As piéredes costumavam ser mais modestas
Seminua na piscina
A píton sibila
Seu bote picante às avessas
Fez o bote do pirólatra afundar na aresta
Pisiforme como um pingente
No pistilo atraente
Festa picaresca depois da sesta.

sábado, 3 de abril de 2010

Girafas em meu sonho Lilás



Escrevi isto depois da hemicrania
Poesia leniente
Remendo que estanca o cruor
Exuberante alucinógeno
Há láudano na lauda
Ambas nesta ambivalência
Antes da exumação
Depois do alude
Aludir a um acontecimento passado
Reminiscências
Apenas uma palavra em um verso
Vaticinar o futuro monocrômico
Aliás o lilás
Sujeita-me a fazer o que não quero
Onde está o verde do verbo?
O índigo que digo desbotou
O fulvo virou fuligem
A fauce
Face a face
Com o fastígio.


     Ednei Pereira Rodrigues

sábado, 27 de março de 2010

Energia eólica



Evento que atrai multidões
Minha morte?
E vento que apaga a vela
A veleidade do verbo
Antes veleta
Nem um vendaval move-me
Se não fosse por você
O lêmure da biblioteca
Nunca iria conseguir
Terminar de ler o livro aberto
Esquecido sobre a escrivaninha
Contra o tempo
Para o pêndulo
Cria dunas
Da areia da ampulheta
Exíguo deserto
Secura secular
Sedento segundo
Sécio à senga
Sedulo ao que se sente
O aquilão que desvia o aquilino
Aqui é aquietador
Zéfiro que me zimbra.

terça-feira, 23 de março de 2010

Estação Escrita 3:Outono



Lapso de tempo

Registro em folhas secas
Vinte anos de solidão
Um milhar de vezes sôfrego
Uma centena de lágrimas secas
Borram o texto
para que ninguém leia
O ano bissexto
O jubileu do Judas
A junção com Júpiter
Coincidem com a gastrite
São doenças própias da idade
A saúde debilitada
Está saudade saudável
Satura o estômago insaciável
O ar saturou-se daquele seu perfume
Atmosfera soturna apazigua
Há saúvas em Saturno?
Fugidas do fulvo
Tamanduá que desjejua
Não faltou nenhum animal
Mesmo assim,a poesia
Não supera a amnésia
A modorra anual
Estava doente
Também,não é novidade nenhuma
Não temo as brumas
Desse futuro latente.

domingo, 21 de março de 2010

Piscatória




Oxiopsia

Acordo em Açores
E as cores da aurora
Indicam Açores no tórax
Horrores nos arredores
Melhoram minha oxiopsia
Há uma poça de sangue no bulevar
Eva evacua
Espontaneamente sua algesia
O nevoeiro denso
Ofuscava a paisagem
Ofíúco como modelagem
Penso no suspenso
Sem acrofobia desdobro
O ruflar do açor intrépido
Intercepto o abatido
No abatis do dendrófobo
No abatis do avicultor
Acrobata sem-pulo
Funâmbulo ignora o crepúsculo
Caio semi-oculto
Elevaram um monumento
Canéfora candorosa
Camufla a nebulosa
Extremosa que aumento
Há cantáridas no canapo
Há cânfora na ânfora quebrada
Arremessaram a âncora oxidada
Antes lastro
Lêmures movem o leme
Brumbrum do delta que disseque
A foz em forma de leque
A praia em forma de anfiteatro solene
Cardume de rêmoras como remora
Remorso remoto
Marejo um maremoto
Maremático piora.

domingo, 14 de março de 2010

INDECISÃO




Parece concreto
Mas quando o abstrato grassa
Rasa ao real
Reage ao relapso
A rejeição
Se relaciona com os acontecimentos de ontem
Com tudos
Com todos
Ricocheteia em todos os sentidos
Direções a serem seguidas
Se não for pedir muito
Sem exposição
Sem explicação
Glosas provocam glossalgia
Sua glória é a escória
Escorre esconso
Esconderijo de um ecorpião
Quando o instinto animal subjugar
Cão que parece lobo
Não uiva para Lua
Sussurra para a uva
Pedi vinho
Baco recusou
Agora ragóideo
Solicita o Sol
Às duas da madrugada
Amanhã sem razão
Sem rancor
Ancora em suposições.

terça-feira, 9 de março de 2010

IMBRÍFERO 2:Chuva ácida



Apodacrítico

Ápoto não se aproveita
Após o apóstrofe
Lágrima de grima
Escorre feito chuva ácida
Pode ser um apodo
O apogeu do apocalipse
Da apoio ao aporismo
Cria apóstema
O aporobrânquio se afoga
Desfaz o concreto
A aposta
A ostra
Ostenta este ostracismo
Refaz o abstrato
Era para ser simples garoa
Enxerto o enxofre
Ainda enxuto o enxoval
Mais fácil para a enxada
Que cava o crasso.