sábado, 11 de julho de 2009

Manifesto Surrealista


Neres de neres
Estou de greve
Por causa da Gestapo poética
Tapo Apo
Estou ápode
No apogeu
Sem apoio
Caio a ponto de cair a qualquer hora
Geento
Confundiram-me com geladeira
Gemo como a porta que se abriu
A gema
Não sustenta
Quando eu estava doente
Deram-me gelatina
Rangia os dentes
A porta rangia
Objeto inanimado
Inapto mas cheio de grima
Por inânias
A inácia inalterável.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Manuel Bandeira


Minha Homenagem a Manuel Bandeira
Paraty não e aqui

CONFISSÃO

Se não a vejo e o espírito a afigura,
Cresce este meu desejo de hora em hora...
Cuido dizer-lhe o amor que me tortura,
O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.

Cuido contar-lhe o mal, pedir-lhe a cura...
Abrir-lhe o incerto coração que chora,
Mostrar-lhe o fundo intacto de ternura,
Agora embravecida e mansa agora...

E é num arroubo em que a alma desfalece
De sonhá-la prendada e casta e clara,
Que eu, em minha miséria, absorto a aguardo...

Mas ela chega, e toda me parece
Tão acima de mim...tão linda e rara...
Que hesito, balbucio e me acobardo.

Manuel Bandeira


Isso e nada e a mesma coisa

Derrepente derretido
Derrepente como se fosse um repente
Desapareço sem seu apreço
Em um eco seu
Um já vai tarde
Que você disse com os olhos
Agora na minha ausência
Decifra-me enquanto ainda te fustigo
Resquícios do brilho de ódio do meu olhar
Luz viva e cintilante de um fogo maligno
Rancor profundo e duradouro
De um vulcão vulpino
Em erupção quase estouro
Lava que lava minha alma
Que cai sob a forma de gotas
Mágoa que te acalma
Pálidas lágrimas incandensentes
Feridas escondidas em rimas
Incógnitas incolores te incomodam?
Quando não existe qualquer tipo de reciprocidade
O que eu sinto não te interessa
Por isso minto com seriedade
Como se fosse uma verdade que confessa
Que olvidei você ouvindo Jazz
Escusa neste vazio sensorial
Entre devaneios insanos
Ressurjo das cinzas como uma fênix
E para sua tristeza
Infelizmente ainda estou vivo
Felizmente eu sinto tudo
Amor eu não sinto.

sábado, 27 de junho de 2009

Tragédia antecipada

POESIA NÃO PRECISA DISSO,QUANDO É BOA BRILHA POR SI PRÓPRIA!




Paracusia

Med.Zumbido nos ouvidos. Estado de quem ouve ruídos imaginários ou que só existem no interior do ouvido.


Estou parálio
Onde ecoam ornejos paranóicos
Retrocesso paralítico
O estigma de um paradigma doentio
Açoite de rio como prasmo
A paramimia do parasita
Paralisa o raciocínio utopista
Paragem no marasmo
Paracletear é necessário
Quando o jerico é pravo
Sua paráclase eu agravo
Neste paralelo arredio
Prândio interrompido
Paralelepípedo no pára-quedas
Parem de paradear com regras
Pratiquem o desmedido
Meu paradoxo
É um paragoge
Neste páramo que sofre
Parafrenia que esboço
Que um parasselênio
Ilumine este paraíso
Parajá que purifique o improviso
Para ti deixo arsênio.

domingo, 21 de junho de 2009

Visão poética

Nistagmo



movimentos rápidos e involuntários do olho


Não tenho muita opção
Para a esquerda o esquife
Para a direita o dilúvio do recife
O eflúvio opaco
Está de permeio
No ártico a escara
Deve haver algum meio de escapar
Do austral com anseio
No oriente
Um orifício de origem do cais
Estreito até demais
Contraio a lente
Sinto as cores do arco-íris que não vejo
Oclusão intestinal
No ocidente incorporal
Pupilas se contraem no relampejo
Seguiu-se ao temporal
Uma queda de temperatura
Baqueio na abertura
Preito báquico sazonal
As falhas seguiram-se da falta de atenção
Atento ao hiperbóreo absorvido
Coso o ouvido
Na porta que se fecha com atença
Ouço sua voz
Sem descoser
Sua pose
A fímbria do seu vestido em nós
Descortino você ao longe sentido
As curvas do teu corpo
A uva no copo
Sua luva de cetim
A aurora boreal não e a mesma
Este labirinto causa labirintite
Antes da artrite
Antes da quaresma
Exibo uma alegria artificial
A tristeza seguiu a decepção
Quase decepo
O coração glacial
O efeito segue a causa
Sigo o cortejo
O córtex e cortesia do desejo
Que faz uma pausa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Música Inspiradora 2


Beatles I Am the Walrus
Eu Sou A Morsa

Eu sou ele como você é ele como você sou eu e nós estamos todos juntos
Veja como eles correm como porcos de uma arma, veja como eles voam
Eu estou chorando.

Sentado num floco de cereal, esperando a van chegar
Camiseta de corporação, maldita estúpida Terça-feira.
Cara, você é um menino pervertido, você deixa seu rosto aumentar.

Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais
Eu sou a morsa, bom bom bom trabalho.

O Sr. Policial da cidade está sentado
Belos guardinhas em fila.
Veja como eles voam como Lucy no céu veja como eles correm,
Estou chorando, Estou chorando.
Estou chorando, Estou chorando.

Creme de matéria amarelada, pingando dos olhos de um cachorro morto.
Esposa do caçador de caranguejo, sacerdotisas pornográficas
Menino, você tem sido uma garota pervertida
Você abaixa sua calcinha

Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais
Eu sou a morsa, bom bom bom trabalho.

Sentado num jardim Inglês esperando o sol.
Se o sol não vier, você fica bronzeado
De ficar debaixo duma chuva inglesa.

Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais
Eu sou a morsa,bom bom bom trabalho.

Escritores especialistas, fumantes sufocando,
Você não acha que o bobo da corte sorri para você?
Veja como eles sorriem como porcos num chiqueiro,
Veja como eles debocham.
Estou chorando.

Sardinha de semolina, escalando a Torre Eiffel.
Um pinguim elementar, cantando Hari Krishna
Cara, você devia ter visto eles chutando Edgar Allan Poe

Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais
Eu sou a morsa, bom bom bom trabalho.

Balípodo

Difícil ser sério
Quando onze intelectuais
Chutam a cabeça de Edgar Allan Poe
Põe o alanhado com as gardênias
Muitas cabeças
Muitas idéias divergentes
Difícil ser sério
Diante o sereno
Ser serelepe
Seriemas confundiram-me com um esquilo
Meesmo de esqui
O equivoco prevalece
A neve não vai ser meu esquife
Um esquimó me ajuda
Seu iglu é ignorado
Não sou ignípede
Apenas ignívomo
Quando ingiro bromo
Bromar é preciso
Quando omar e para as morsas
O pomar para os roedores
A ferrugem roeu os metais
E a morsa fixada à bancada
Não comprime
Mais os comprimidos
A dor rói a alma
Sou triste quando em ti penso.

domingo, 7 de junho de 2009

MITOLOGIA GREGA



Épico

Iam pelos Andes errantes à sondagem
Iam içar Ícaro
Avidez aviltante
Avios de fogo
Como uma aviculária
Expert em avicultura
Avocou-o à vida
Avoca a si poderes que não tem
Avulsão da alma
A alma é volátil
Chega antes
Belisca o obelisco
Conquista a consciência
Sem consciência das própias limitações
Depois é óbice
Que alma é essa,ao qual até os ventos obedecem?
Nada obedecia à lei da gravidade
Não se deve obedecer aos impulsos cegos do coração.

sábado, 6 de junho de 2009

Inverno antecipado


Cenologia

Cefeu não rutila mais
Oponente do poente
Antes que despenque
Mordi o pó sem ais
Pode me dizer onde é Geena?
Geia sem cessar
Em meu quarto à beça
Com o beiço faço cena
Pois já estou sem cabeça
Decapitado por um decano
Décadas de decadência de fulano
Sem fulcro a revessa
Ainda pulcro
Meu sepulcro singelo
Não suporta o cerebelo
Devaneios que inculco
Pululam com o pulso fraco
Minha tafofobia concretiza-se
Minha teníase ia-se
Com o opaco
De uma frase
Ergueram um cenotáfio
Epitáfio empáfio
Quase êxtase.


Algo Álgido
Para me aquecer por dentro
Quando sua ausência incomoda
Este vão que me escondi
Me acomoda
Sem o aconchego meigo
De seu sorriso indeciso
Indiferente como um vôo-de-morcego
Displicente apego que preciso
Entre quatro paredes
Muro murcho
Que vede
O verde de seu verbo
Por aqui
Não contém nada
Só ar para você arar
Cessou de chover lá fora
Afogou o fogo que rogo
Volte e me solte
Sou refém da solidão.