domingo, 11 de janeiro de 2009

Cemitérios me inspiram




Necrofilia

Luar lúgubre
Denota jactância
Descalço oscilo na vagância
Sobre sua cova rasa insalubre
Terra macia sem pregas
Por causa de meu pranto
Sinto sua ossada em um canto
Seu cóccix faz cócegas
Exumo com a úngula
Logo me acostumo
Dedos delgados sem rumo
Perdidos em sua medula
Incautos orgasmos
Seu ventre venusto
Veste Vênus vetusto
Com espasmos
Excitantes exéquias
Sua enzima me subestima
Cópula com suas rimas
Sem blandícias
Víbora pecadora
Devolva-me o viço
Ganhou na víspora o criso
Minha alma outrora
Outorga o sorriso
Distraída com o ciclo
Às escondidas na adutora
Vibrissas não me deixam sentir seu engodo
Seu aroma
Meu coma
Fiel ao lodo.

                                               EPR

domingo, 4 de janeiro de 2009

ZOOLÓGICO POÉTICO


crítica surrealista ao presidente
atelépode:falta de um dedo
ATÉ LESAR PODE
Já viste uma poesia com tantos subtítulos?

Gato escondido

O til parece com a cauda
Não falar com o conhecimento de causa
Provoca dúvidas, a pausa
Disfarce, a claque que aplauda
Em seguida o ponto de interrogação
Parece com uma bengala
Ou adaga, melhor que bala
Corta o adágio que interrompe a ação
Os acentos circunflexos
Parecem com suas orelhas
Aconselha as abelhas
A não construírem sua colmeia no complexo
Atiraram o cajado no gato
Esquecida por um gagá leviano
Gago ao dizer eu te amo
Tartamudeio como as tartarugas no hiato
Irá a Paris pelo retrato
Só para ver o Luar
Acentua antes que eu conclua
Quando o hífen separa o abstrato
Separar o joio do trigo no tato
E o gado
E o agrado
Para dar a impressão de olfato
De algo bucólico
Bufa o búfalo
E o burundum no resvalo
O brumbrum idílico
Sem armas no intuito
Só com seu buquê
Um buque no estuque
Também não ia ajudar muito
Quando a ignorância
E igual a de um iguana
Mostra-se atelépode na gana
Em atenção a arrogância
Chique e o chiqueiro da elite
Cliente de clichês
Cita o descortês
Pararam para ouvir a cítara sem limite.

domingo e dia de ir ao zoológico!

Ouro de Tolo
Raul Seixas
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

sábado, 3 de janeiro de 2009

Fiquei esperando a avalanche



Ecos do écran

 E o poema se fez do cal
 Eclodiu calado
 Calabreado iletrado
 Talvez por calaça 
Por falta de faculdades
 Calamidades 
Teve o aval da avalanche
 Sem chance com as grades 
O écran albicole
 Recôndito do alarido
 Multicolorido gemido
 Falta descontrole
 No calabouço literal
 Encéfalo encelado
 Encena o ensejo
 Ensimesmo insocial 
Alforriado pelo infinito
 Continua exato
 Chato
 Candidato ao abstrato não dito
 Todo mérito ao alvanel 
O alvo alveja
 Antes que a pupila veja 
Veleja na cela do celofane.

                                   EPR

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL PARA TODOS !!!!

Até que um não sinta a verdadeira alegria de Natal, não existe. Todo o demais é aparência - muitos enfeites. Porque não são os enfeites, não é a neve. Não é a árvore, nem a chaminé. O Natal é o calor que volta ao coração das pessoas, a generosidade de compartilhá-la com outros e a esperança de seguir adiante.

Não existe o Natal ideal, só o Natal que você decida criar como reflexo de seus valores, desejos, queridos e tradições. (Bill McKibben)

Que é o Natal? É a ternura do passado, o valor do presente e a esperança do futuro. É o desejo mais sincero de do que cada xícara se encha com bênçãos ricas e eternas, e de que cada caminho nos leve à paz. (Agnes M. Pharo)

Feliz, feliz Natal, a que faz que nos lembremos das ilusões de nossa infância, recorde-lhe ao avô as alegrias de sua juventude, e lhe transporte ao viajante a sua chaminé e a seu doce lar! (Charles Dickens)

Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-la durante todo o ano (Charles Dickens)

Melhor do que todos os presentes embaixo da árvore de natal é a presença de uma família feliz

Ainda que se percam outras coisas ao longo dos anos, mantenhamos o Natal como algo brilhante.…. Regressemos a nossa fé infantil. (*Grace Noll Crowell)

O Natal! A própria palavra enche nossos corações de alegria. Não importa quanto temamos as pressas, as listas de presentes natalinos e as felicitações que nos fiquem por fazer. Quando chegue no dia de Natal, vem-nos o mesmo calor que sentíamos quando éramos meninos, o mesmo calor que envolve nosso coração e nosso lar. (Joan Winmill Brown)

Oxalá pudéssemos meter o espírito de natal em jarros e abrir um jarro em cada mês do ano (Harlan Miller)

O Natal..... não é um acontecimento, senão uma parte de seu lar que um leva sempre em seu coração (Freya Stark)

O Natal não é um momento nem uma estação, senão um estado da mente. Valorizar a vida.

paz e a generosidade e ter graça é compreender o verdadeiro significado de Natal (Calvin Coolidge) Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor. (Hamilton Wright Mabi)

O Natal não é uma data... É um estado da mente (Mary Ellen Chase)

Vem em cada ano e virá para sempre. E com o Natal vêm as recordações e os costumes. Essas recordações cotidianas humildes aos que todas as mães nos agarramos. Como a Virgem María, nos rincões secretos de seu coração. (Marjorie Holmes)

Talvez o melhor enfeite de natal é um grande sorriso!

Natal Escondido

Na ata álacre
O lacre
Para o Acre
Alguém sem face
Narra não ara
A ara da cruz
Cruciforme cúmplice
Absurdo total
Narcisia-se o tal
Talentos natos
Natal ao contrário
Árido rito
Heresias ao acaso
Atreito a ateu?
Coisas desse naipe
Nada vai me fazer mudar de idéia
Quando o prólogo
Se resume à você.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

RECOMENDO

A Ilusão da Casa
Vitor Ramil

As imagens descem como folhas
No chão da sala
Folhas que o luar acende
Folhas que o vento espalha

Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens descem como folhas
Enquanto falo

Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei

As imagens se acumulam
Rolam no pó da sala
São pequenas folhas secas
Folhas de pura prata

Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens se acumulam
Rolam enquanto falo

Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei

As imagens enchem tudo
Vivem do ar da sala
São montanhas secas
São montanhas enluaradas

Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens enchem tudo
Vivem enquanto falo

Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei

Plágio?

A ilusão da casa

Não tente me limitar
Abro a janela
Abrolhado
No jardim
Tenho um quintal quimérico
Inquieto
Inquilino da quinta- coluna
Os pilhares da democracia
Ali onde o alicerce
Exerce uma função de haicai
Não cerceou as liberdades individuais
Cerco quando anoitece
Segurança para o segundo gume
A gázua não abre a porta
Nota?
A gaivota no gaivel
Galga galáxias
O vizinho tocador de gaita
Incomoda seu galrear
Relações conturbadas.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Descrição da Imagem

A imagem do som

Reagem contra o silêncio
Um violino cheio de grima
Com seu arco de crina
Nitria por nitrogênio
“A morte nivela todos os homens”
Aqui jaz o jazz
Seguia Séguier
Semifusas que intervéns
Semínimas com fiúza da música que sobreviveu
Nos fiúsas long-plays
Longeva placidez
Plangente escarcéu
O ouvido Ovidiano
Ouriça e causa ourama
Ouça a ouça
Atença atenção
A orelha com gelha
A relha
Por influência de Van Gogh
Ototomia aconselha.

imagem:foto da banda de jazz do meu avó,que eu não consegui publicá-la aqui.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Tristan Tzara



poema dadaista

poesia inspirada nas obras de Tristan Tzara:"Coração de gás" (1921), "A anticabeça" (1923) e "O homem aproximativo" (1931)."A fuga" (1947), "O fruto permitido" (1956), "A Rosa e o Cão" (1958) mais sobre Tristan?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tristan_Tzara

Subcordiforme "Coração de gás"

Triste terra estéril
Trispermo para quatro bocas
A broca
O trismo hostil
Latejava-me como late de Java "A Rosa e o Cão"
Sentido lato
Olfato abstrato
Senti a rosa de onde estava
Antófago
De quatro parece mesa "O homem aproximativo"
Não pensa "A anticabeça"
Sem afago
O passado e passadio
Acambetado inválido
Aliada dromomania em doses "A fuga"
Do que se preza
Perro erro
Ou qualquer desespero
Exagero de incerteza
Superfície lisa
Horizontal ao qual
Casual
Maliforme desejo. "O fruto permitido"